Lenda das Amazonas
Historiadores
afirmam que o navegador Orelhana, cuja aventura vimos antes, não combateu com
mulheres. Na verdade, teria se defrontado com uma tribo de índios encabelados,
os quais, na guerra, eram auxiliados pelas mulheres, daí Orelhana ter se
confundido. Mas outro inclusive frei Gaspar de Carvajal, que participou da
expedição, dão o testemunho da existência das mulheres guerreiras, no que são
acompanhados por descrições de diversos índios... Mas estes não falavam em
amazonas, até porque não sabiam o que significava. Os índios falavam em
Icamiabas, que significa "mulheres sem maridos". As Icamiabas viviam
no interior da região do Rio Nhamundá, sozinhas. Ali, eram regidas por suas
próprias leis. A região era denominada por estes aventureiros de País das
Pedras Verdes e era guardada por diversas tribos de índios, das quais a mais
próxima das Icamiabas era a dos Guacaris. E por que a denominação de País das
Pedras Verdes? Porque era justamente daí que se originavam os muiraquitãs, as famosas
pedras verdes... Dizia-se que as Icamiabas realizavam uma festa anual dedicada
à lua e durante a qual recebiam os índios Guacaris, com os quais se acasalavam.
Depois do acasalamento, mergulhavam em um lago chamado Iaci-uaruá (Espelho da
Lua) e iam buscar, no fundo, a matéria-prima com que moldavam os muiraquitãs,
os quais, ao saírem da água, endureciam. Então presenteavam os companheiros com
os quais tinham feito amor... Os que recebiam, usavam orgulhosamente pendurados
ao pescoço. No ano seguinte, na realização da festa, as mulheres que tinham
parido ficavam com as filhas e entregavam os filhos para os Guacaris... De
qualquer forma, quando se pronuncia Amazônia, não se pode deixar de pensar em
muiraquitãs e em mulheres guerreiras, mas também amorosas, como, aliás, são as
mulheres da Região Amazônica...Era no Lago Verde que as Amazonas faziam seus
muiraquitãs. Motivos semelhantes levam esse grande contingente populacional a
se deslocar para Alter-do-Chão, uma vila turística localizada na margem direita
do rio Tapajós e ligada por via rodoviária à cidade de Santarém. O rio Tapajó
possui característica única entre os afluentes do Amazonas ? suas águas são
cristalinas ? e, em frente à vila, com a descida das suas águas durante o
verão, surge uma lagoa cor de esmeralda cercada por bancos de areia branca
apropriadamente denominada de ?Lago Verde?. O Lago Verde, também chamado de
Lago dos Muiraquitãs, era ponto de passagem obrigatório das índias
Amazonas.Amazonas foi o nome dado às mulheres guerreiras da Antiguidade que
habitavam a Ásia Menor e cuja existência alguns historiadores consideravam um
mito. Segundo a lenda, elas removiam um dos seios para melhor envergar o arco,
deixando o outro para amamentar seus rebentos, que, se nascessem do sexo
masculino, eram impiedosamente sacrificados. Amazonas, aliás, quer dizer sem
seios (?mazos?) em grego. No século XVI, essa designação foi dada a mulheres
com as mesmas características, cuja existência histórica é discutida e que
combaterem os conquistadores espanhóis no baixo-Amazonas.Era no Lago Verde,
considerado sagrado pelos indígenas, que as Amazonas recolhia a nefrite (um
mineral esverdeado), para produzir seu muiraquitãs, pequenos artefatos talhados
na referida pedra em forma de sapos, tartarugas e serpentes, e ao qual se
atribuem virtudes de amuleto. Os muiraquitãs eram oferecidos à mãe lua, em
troca de favores. Diz à lenda que no fundo do lago há uma pedra mágica
escondida. É essa pedra que dá ao lago a sua cor azul nas primeiras horas da
manhã, mas que se transforma num verde intenso, durante o dia. Na realidade,
isso pode ser o efeito do sol penetrando as águas transparentes e iluminando o
fundo do lago, rico em nefrita.