quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Carta ao Papai Noel

Querido Papai Noel. Batem as horas na noite. Santarém adormeceu. Hora ideal para te escrever mais uma vez. O coração guarda Papai Noel, o que nos escapa das mãos, e o natal é sempre tempo de falarmos um com o outro acerca daquilo que o coração guarda. Como queria nesta hora encontrar aquele conjunto mágico de palavras para te falar do muito que me aflige nestes dias que correm. Falar-te sem reservas. Tu sabes que um coração como o meu, tímido e rebelde, carinhoso e aventureiro, mas ao mesmo tempo rebelde e selvagem, viveu de paixões, teve desenganos e encantamentos, e tantas vezes planou como uma borboleta por cima de um campo de girassóis. Foi muitas vezes um coração simples, carente de afetos que fez dos poemas a seiva com que se alimentava. Foi tantas vezes resistente e outras frágil como o papel. O ano está quase a terminar Papai Noel. É altura para te confessar que fiz algumas borradas em decisões que tomei, que tive das enfrentar e seguir em frente. Não havia alternativa meu amigo. Contudo sinto-me em paz, mais calmo, mas ainda a necessitar da tranquilidade necessária para percorrer o meu caminho. É altura de colocar o sapatinho á chaminé e fazer os pedidos de presentes. Papai Noel me dá de presente a tranquilidade e a força necessárias para o que ainda falta percorrer. Depois um pedido mais simples. Pedir-te para todos os meus amigos, para todos os que amo, para todos aqueles que eu involuntariamente fiz sofrer e, ainda para todos os que ao longo do ano fizeram parte da minha vida, que de alguma forma a preencheram, que o ano de 2015 seja um ano de saúde plena e de alegria constante. Queria fazer mais um pedido. Espalha milhões de rosas, mistura-as com a maresia do meu rio para que o aroma delicioso se espalhe pelas ruas de Santarém, ganhando em cada um de nós a forma de um sorriso. Há ia esquecendo deixa no meu sapatinho uma caixa de Mon Chery tá.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

É Natal

Tive saudades de escrever. E hoje na solidão das palavras e, na estranha claridade que advém da luminosidade da época, resolvi conversar tentando com estas palavras reunir pedaços de uma vida e com elas alimentar o ato de amor em que se transformou a nossa vivência em comum ao longo destes oito anos. Tal como hoje, lembro-me que o natal estava perto. Recordo-me da noite da chegada. Do teu rosto ruborizado e do treme treme das minhas mãos. Relembro o enlaçar dos nossos olhos na fita colorida do sorriso e das nossas mãos unidas. Éramos como dois adolescentes que no vendaval das nossas paixões, num rubor de ternura e com a alma em chamas procuravam no comprimir dos seus corpos não apenas o desejo do nosso enlace mas sobretudo a urgência do despertar de um sonho. Foram momentos de magia E nesse instante mágico, soubemos que no pousar dos teus lábios nos meus a clara madrugada dos nossos sonhos nascera logo ali. Tive saudades de escrever...de conversar...no fundo tive saudades de sussurrar ao coração outros momentos. O Natal é sublime para isso e, a luz do sol, o calor da noite, o chilrear dos pássaros ou a brisa que vem do rio despertaram na minha alma o desejo enorme de te abraçar. Nada mudará. Ontem como hoje as minhas mãos continuam a tremer, porque na imensidão linda deste local de magia jamais esquecerei as juras de amor, a troca de beijos o sentir dos teus carinhos, numa Belém em flor. É Natal, tempo de amor e reafirmação.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Recordando nas areias do Maguari

Um dia encontrámo-nos por aí, Por aí não. Em sítio certo. No seguimento do acumular de horas incontáveis no pc, Apertados daquela angústia grossa de nos conhecermos. Interrogando-nos, cada um de nós, no infinito do pensamento e, na vaga sensação de acordarmos na paisagem vertiginosa e luminosa de uma praia. Desarmando os olhos, e temendo desvendar o rebentar das ondas do rio. A internet juntou-nos, lembras-te?, Como se tivéssemos sentados na pedra do banco de um jardim qualquer, adormecidos no silêncio que havia por entre os sons de um teclado. Tu na altura perguntaste: ...o rio vai nos unir?... eu respondi que só o futuro iria responder a essa pergunta. Tinhas na altura o rio nos teus olhos...e nos cabelos os trigais de um Alentejo em flor. Depois, mais tarde, quando o olhar se perdia, inquieto, sobre o oceano, tornaste tua a minha voz e juramos amor eterno. Na altura o rio tornou-se transparente e as ondas flores de água. A tua mão na minha, feita pássaro bravio pela surpresa, alvoroçava-me o sangue e o coração batia mais forte. Pedi-te então para abrires para mim os caminhos do teu regaço para eu poder ao som das músicas e dos aromas sentir-te por dentro. Dei então conta, que a vida é feita de pequenos nadas registados um a um. Cada gesto, cada sorriso, cada beijo me pareceu então os vagidos de uma criança a nascer, uma onda a rebentar na areia ou montes de pássaros rasgando os caminhos como o sangue nas veias. Foi um delírio. E ris-te, os dois rimo-nos, debaixo do cheiro do alecrim de um campo coberto de flores. Demos as mãos e acreditas-te, e eu acreditei, que me conduzirias por caminhos algures por aí. Um caminho e um violão. Este amor feito canção. E eu de boca aberta nem acreditava. Olhando o sol sobre este rio que nos separa, no cimo do trapiche, perguntava-me por onde tinhas andado tanto tempo sem te encontrar. Como foi possível tanto tempo perdido. Por onde andas-te tu flor de jasmim de um jardim que eu teimo em preservar?. Deixa pousar novamente os olhos sobre os teus, deixa provar o doce sabor dos teus beijos, deixa encontrar o calor do teu corpo. Deixa voltar a ser feliz de novo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Há Dias Assim

Há dias assim. Dias em que percebemos que somos importantes para uma pessoa e até aqui não demos valor a isso. O que enxergamos com os olhos acaba por não ser igual ao interiorizamos com a alma. É a diferença entre os olhos e o coração. Efetivamente muitas vezes não damos valor a quem segura a nossa mão sem intenção de solta-la, a quem evita as nossas lágrimas em vez de enxuga-las, ou quem cuida de nós e nos protege. Ainda é tempo, por estas razões, de regressar aos dias em que os pássaros á nossa volta cantavam hinos á alegria ou, de mãos dadas, respirávamos o ar puro do nosso rio, quando o sol nos acariciava logo pela manhã dando-nos os bons dias. Não queria neste dia diferente voltar á solidão das palavras e apenas reunir pedaços da minha vida resgata-los ás noites brancas da minha vivência, para com eles num passe de magia despertar de um sonho. Cada gesto, cada atitude, cada pequenino carinho, muitas vezes é uma celebração á renovação do amor. Hoje o dia é e vai ser diferente. Hoje o meu mundo vai para de girar por um instante. Hoje não quero o hoje. Vou querer só o amanhã para que o meu coração encontre a melodia que afaste a cada segundo o desespero da minha saudade. Hoje o rio não vai trazer o grito das gaivotas, não vai trazer o cheiro da maresia que desperta paixões e muito menos vai fazer as ondas bailar ao luar com os botos prateados á luz das estrelas. Hoje o rio não é meu amigo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Por Uma Vida

Sorris-te! Sentados na mesa do restaurante onde almoçávamos, reparei que os teus olhos brilhavam. Buscavam para lá do horizonte qualquer coisa, apenas os trejeitos dos teus lábios davam a entender um pouco do mistério. Demos as mãos e voltas-te a sorrir…E eu, olhava-te, de boca aberta surpreendido, nem acreditava que estava ali contigo. Da janela do restaurante vimos o navio subir o rio e sentimos as ondas nos beijar ao pés, sonhava. Por onde andaste tu, nos outros dias nos outros anos, antes deste momento maravilhoso, nas semanas, nos meses e nos anos em que nem existias para mim?... pousei os meus olhos sobre os teus, sobre o teu corpo, os olhos doces, a blusa colorida. Dos socalcos chegava-nos o odor de um Douro florido carregado de frutos, e eu, não esperava mais do que esta ternura que ia crescendo entre nós, distanciada que bastasse para manter mão na mão, braço no braço. Eu sei que vou te amar por toda a minha vida eu vou te amar em cada despedida...dizia o cantor e eu repito... eu vou te amar. Depois subimos a íngreme subida até á aldeia, a noite começava a cair. O teu corpo encostou no meu, cingindo-se no meu braço. Apertei-te com carinho. Eu sei que por toda a minha vida vou recordar aquele fim de semana no Douro. Dos beijos que trocámos, das promessas que fizemos, do calor dos nossos corpos a tocarem-se, da imensidão de uma madrugada que nunca mais acabava, contigo tão perto. Não foram necessárias palavras para cada um de nós entender que precisávamos um do outro. Por uma vida.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Ao Luar no Calçadão da Orla

Percorrer o calçadão da orla numa noite de luar é suficiente para contar numa roda de amigos a evolução da cidade. Ir á orla numa noite de luar, é sentir de imediato o desejo de procurar nos segredos do rio os segredos de cada um de nós. A alma da orla só é inteiramente sensível a horas tardias, quando os nossos passos, impelidos pela brisa que vem do rio, parecem suspiros da princesa da noite. A orla é o esplendor da cidade. Como um suspiro, o barulho das ondas confunde-se com o bater de muitos corações que em delírio, guardam no seu interior, mágoas de outras primaveras. " O meu coração está de luto " dizia-me hoje uma amiga. O amor não morre, digo eu. Basta conhecer a orla e o movimento da sua fauna mais atrevida para verificar que o amor vive-se intensamente em cada minuto da vida de cada um de nós. Aqui não há contatos passageiros. As conversas variam, o amor varia, mas não morre. Nos beijos que se trocam, nas juras que se fazem, nas simpatias que se fundem em desejos ardentes, o amor é a alma das noites de luar na orla. Principalmente quem como eu está atento aos movimentos dos transeuntes, apercebe-se da vitalidade e do encantamento que a orla provoca aquém a quer como sua. Não se pode estar de luto por amor. Quando muito de quarentena. Aí como é bom ir á orla em noites de luar. Quando podemos usar esse prazer, a orla de Santarém é a nossa própria existência. Nela se fazem negócios, se fala mal do vizinho, nela se mudam ideias e convicções, nela surgem as dores e os desgostos, nela se sente o amor e a emoção. Quantas vezes se encontra o amor na orla sem nós próprios sabermos. A orla de Santarém em noites de luar, chega a ser obsessão em cada um de nós, condensa as nossas ambições. Vá á orla em noites de luar e, viva o amor.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Viajar na BR163....Uma Aventura

Um dia destes fui de ônibus ao Mato Grosso pela BR163. Nada de especial não fossem os 1.200km do percurso e os fantasmas que apareceram durante a viagem. Fantasmas sim não estou a brincar. Um amigo meses atrás havia-me confidenciado de que os ônibus eram excelentes a BR já estava um primor e a paisagem era deslumbrante. Quem com esta fotografia não se enchia de coragem e metia pés á viagem até Colider? Ninguém né. Até eu, medroso por natureza , resolvi fazer as malas. Mato Grosso aí vou eu. Quando o taxi parou na rodoviária de Santarém a uns bons cinqüenta metros da entrada, para cá do enorme buraco que separava a entrada dos meus tênis de uma brancura indelével na véspera bem lavadinhos, desconfiei logo ali das palavras do meu amigo. Mas que diabo era o inicio da viagem tudo seria diferente para lá do sol posto pensei eu. Quando me abeirei do ônibus para entrar foi como se o próprio tempo abrandasse e muda-sede cor. Um diligente funcionário queria me obrigar a colocar o notbook no porta malas do ônibus. Conclusão resumida do drama judicial, acabei com o dito cujo aos meus pés dentro do ônibus. O ônibus lá arrancou direitinho á estrada que. já virou lenda em Santarém e é um perfeito cenário para filmes de suspense. Como cenário de filme do far-west parece ser a nossa primeira paragem. Rurópolis. A localidade surgiu depois do nada, como se tivesse sido ali colocada para posto de descanso á beira da estrada e, ainda hoje me parece não ser mais que isso. Ainda assim depois de suportar muitos kilómetros de estrada esburacada e lamacenta, onde o único sinal visível da civilização são os inúmeros caminhões que se cruzam por nós. Sabe bem beber um café e desentorpecer as pernas.

terça-feira, 8 de julho de 2014

A Ginástica da Linguagem

Estou aqui em Santarém há 6 anos. Com o tempo tenho-me habituado á pronuncia paraense e, quando pergunto alguma coisa vou, mentalmente ensaiando a resposta na cabeça. Quando falam comigo escolho as palavras falo pausadamente e explico as minhas opções de discurso. Invariavelmente ficam me olhando e quando termino já está bem claro para mim, pelo sorriso estampado no rosto do meu interlocutor que as minhas palavras já perderam validade. Sugiro novo texto, debito novas palavras, mas nada feito. O desinteresse repetido pelo meu esforço de me compreenderem leva-me muitas vezes a recorrer a intermediário. Acredito que me vou fazer compreender nem que para isso tenha de lhes fazer um desenho. Que diabos não sou francês como a menina do salão ao lado da minha casa um dia me perguntou. Os meus amigos riem-se mas eu não acho piada nenhuma. Á força de tanto me ouvirem garanto que vão um dia perceber-me nem que para tanto tenha de meter explicador nas horas vagas. É engraçado ás vezes dou comigo a falar perante uma platéia de amigos que me olham como se eu estivesse a dar noticias de um mundo imaginário. Dou um sorriso e de repente, como por milagre as minhas palavras voltam a ter significado. Por breves momentos somos irmãos nos olhares. Um dia eu vou conseguir.

domingo, 6 de julho de 2014

O Beija-Flor e o meu Castelo

Hoje de manhã estive no mirante olhando o rio. Apercebi-me do vôo rasante de um beija-flor, lindo, gracioso que teimosamente queria pousar na minha mão. Cantava num sussurro ao meu ouvido, como se cuida-se de transmitir-me algo. Estendi a mão ao céu e pedi-lhe para deixar o seu corpo descansar entre os meus dedos. Chorava. As lágrimas do beija-flor inundaram-me a mão, enquanto o sol fazia brilhar a delicadeza das suas penas. Eram lágrimas de saudade me disse ele. Saudades de uma região, saudades de um castelo, do sons, dos cheiros e do colorido do Alentejo. Disse-me que trazia de lá entre as suas penas, o calor que a distância não permitia transmitir-me. Olhei o beija-flor sorri para ele e agradeci. Deixou-me uma pena na palma da mão que vou guardar religiosamente. Qualquer dia vou lançá-la, ao vento, das muralhas do castelo de uma cidade no coração do Alentejo.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Das Escadinhas ao Mirante

De mãos dadas, olhando o rio, pensávamos nos anos já passados em que ambos, trilhando um mesmo caminho de sonhos, de alegrias, de dor, mas de muita esperança, à muita havíamos definido que o futuro era nosso. Olhei os olhos amendoados daquele rosto sereno e beijei-lhe os lábios. Apaixonados, subimos as escadinhas que nos levam ao mirante, que do alto de uma das colinas, deixa contemplar uma vista deslumbrante sobre a cidade e o rio. O local seduz e encanta todos aqueles, que como nós, procuram na natureza o refugio da agitação de todos os dias. O perfume das flores empurrado pela brisa que corre, deixa no ar o pronuncio de uma tarde serena, de pleno encantamento. A luz no mirante é infinitamente doce e poética. Abeiramo-nos de mãos dadas da grade do mirante. Ela, levantou o rosto, sorrio, e em silêncio olhou o horizonte. A brisa naquele momento acariciava os ramos mais frágeis das árvores fazendo-as tremer ao sol, sacudindo o seu apego à terra. Uma brisa que leva as vozes pelos ares, que levanta os cabelos e os faz ondular, um sopro que nos inspira e nos faz amar. Num súbito momento, as minhas mãos procuraram descobrir o seu corpo. Movimento que a fez estremecer e soltar uma pequena gargalhada espontânea, rouca, acompanhada de um sorriso apaixonado. As nossas bocas encontraram-se vorazes num beijo prolongado, deixando um rasto de fogo nos nossos corpos. O mirante torna-se assim num espaço de segredos, suspiros, inspirações e desejos. É um local que dá vontade de fechar os olhos e ouvir a música dos sentidos e onde os cheiros são afrodisíacos lançados pelo rio e pela floresta. Há qualquer coisa de profundamente misterioso e fascinante no rio visto daqui de cima. O mirante, um dos incontornáveis pontos de encontro da juventude santarena que vem aqui, no silêncio dos fins de tarde, ver a lua descer do céu num movimento lento e demorado e, sentir o calor dos beijos quando as luzes se começam a confundir com as estrelas. Voltei tranquilamente a pegar-lhe nas mãos. Naquele fim de tarde uma poeira fina e dourada inundava o mirante. Ela sorrio. Estava linda. Um arrepio de vento anunciava a noite. Beijamo-nos num beijo prolongado, que nos encheu de certezas sobre a vida e o amor.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A Princesa do Rio

O presente escorria-me pelas mãos como a água do rio que tentava carregar da beira até a areia seca na praia. Parei subitamente entre as ondas e deixei o presente relembrando o passado. Momento intenso do qual fiz questão de guardar as lágrimas. Recordar-te era afinal tudo ou quase nada. Devia ser amor acumulado e, de repente não mais que de repente , senti a tua mão na minha, o sopro dos teus lábios nos meus, e tomei o gosto salgado das tuas lágrimas. O rio serenou, o tempo paralisou e foi preciso isso para entender como a minha vida estava fora do lugar, estava fora do tempo. A minha vida não estava agitada estava parada e eu tinha tanto para te dizer e tanto tempo para te ouvir. O vento soprou de novo e as folhas voaram, as algas enroscaram-se nos pés e o fantasma da tua imagem no meio das ondas sorria para mim. Senti um frio que me arrepiou a nuca e as tuas palavras dolorosas entraram dentro de mim rasgando-me como um vendaval intocável. Era uma noite solitária, única. O vento cantava por cima dos mangueirais. Cada minuto que passava martelava o meu pensamento, era a lembrança da tua imagem a martelar-me na solidão. Senti os pingos que caiam na folhagem, não está chovendo, eram as lágrimas da saudade que me percorriam a face tombando de encontro ás ondas que beijavam sem cessar a areia da praia. Eram lágrimas de medo por te perder?...eram lágrimas de desespero por te sentir longe?...ou lágrimas de solidão por estar só?. Parece que falta um pedaço de mim. Quero ser feliz e voltar a sonhar. Quero voltar a mergulhar as mãos no rio e de novo encontrar a princesa das águas.

sábado, 17 de maio de 2014

Lendas da Amazonia

Lenda da Lua Lenda da origem da lua Manduka namorava sua irmã. Todas as noites ia deitar com ela, mas não mostrava o rosto e nem falava, para não ser identificado. A irmã, tentando descobrir quem era, passou tinta de jenipapo no rosto de Manduka. Manduka lavou o rosto, porém a marca da tinta não saiu. Então ela descobriu quem era. Ficou com vergonha, muito brava e chorou bastante. Manduka também ficou com vergonha pois todos passaram a saber o que ele havia feito. Então, Manduka subiu numa árvore que ia até o céu. Depois, ele desceu e foi dizer aos Jurunas que ia voltar para a árvore e que não desceria nunca mais. Levou uma cotia pra não se sentir muito só. Aí virou lua. É por isso que a lua tem manchas escuras, por causa do jenipapo que a irmã passou em Manduka. No meio da lua, costuma aparecer uma cotia comendo coco. É a outra mancha que a lua tem.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tudo ou Quase Nada

O presente escorre-me pelas mãos como a água deste rio que tanto amo. Como sempre é á noite que escrevo. E esta noite deixei o presente relembrando o passado. Relembrei os nossos encontros fugazes, relembrei o teu sorriso amargo escondendo algo que mais tarde descobri. Foram para mim momentos intensos dos quais fiz questão de guardar no meu peito. Recordar-te era afinal tudo ou quase nada. Deve ser amor pensava eu. E o meu pensamente foi desviado para uma foto recente onde o sorriso é mais doce. Num repente não mais do que num repente , senti a tua mão na minha, o sopro dos teus lábios nos meus e os teus cabelos roçarem a minha face. O rio serenou. O tempo paralisou e foi preciso isso para entender como a minha vida estava fora do lugar. Ontem estive sentado no trapiche olhando o rio. O vento soprou de novo e as folhas da orla voaram, as algas enroscavam-se nas tábuas e a tua imagem no meio das ondas sorria para mim. Senti um frio que me arrepiou a nuca. O teu sorriso mais uma vez entrou em mim rasgando-me como um vendaval intocável. Foi uma tarde solitária, única. Cada minuto que passava martelava o meu pensamento, era a lembrança da tua imagem a martelar-me na solidão. Senti na face os pingos da chuva que voltou a cair, enquanto as ondas do rio batiam com sofreguidão no madeiramento do trapiche. Os pingos de chuva escorrendo-me pela face substituíam as lágrimas da saudade. Eram lágrimas de medo de te perder. Eram lágrimas de desespero por te sentir longe?...Ou lágrimas de solidão por estar só. Parece que falta um pedaço de mim. Quero ser feliz e voltar a sonhar. Quero voltar a mergulhar as mãos no rio e de novo encontrar a princesa do rio. Tu

terça-feira, 13 de maio de 2014

Batem as Horas na Noite

É noite. Ouço as horas baterem no relógio da igreja. Na cama, o meu corpo está coberto de silêncios e das minhas mãos brotam palavras. Escrevo um sonho. Um nome de mulher, o teu. No meu sonho imagino o futuro ao longo do teu corpo passando os dedos na tua pele e os lábios no teu peito. Esta noite, fui aos poucos descobrindo que nós nos encontramos nos sonhos. Nos meus pelo menos. Senti vibrações positivas que a sexualidade revela ao longo destes encontros notívagos, só é triste que apenas fiquem por aí. Estranho. Não consigo pensar no presente.Tudo parece esperar por uma nova primavera, por um novo tempo. Já faz tempo que me perdi do passado. Hoje, quero continuar a caminhar ao encontro do futuro, antes que se faça tarde. Tu és uma paixão que me rouba sorrisos, a todo o momento estás a meu lado, mas não sinto o teu cheiro. Não tenho as minhas mãos nas tuas e os meus lábios nos teus. Quero acreditar que o segredo está nas palavras mas...as tuas têm sido tão poucas. Aqui, no silêncio do meu quarto, enquanto o vento embala as horas abro a boca em direção ao sonho e beijo-te, agarrando-me a ti para não perder o toque da tua pele. Tudo sem respirar. Acredita, se me deres a tua mão neste silêncio que me perturba, dar-te-ei uma ilha de sonhos para compreenderes este mistério que é o meu coração. Amor, consente que o meu coração escute o teu. Quero ficar contigo nesta eternidade feita de sonhos e presentear-te com as palavras que dançam no silêncio do meu quarto. Já é tarde. Vou dar um mergulho na noite e procurar de novo o teu nome no meu sonho.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Noite de Inverno...noite de inferno

É inverno . Chuva, muita chuva. Alguma frescura na terra do calor. É tempo de pegar o guarda- chuva que na força do vento provoca o jogo do vira e do revira. O deslumbramento dos relâmpagos e o ribombar dos trovões provocam aqui no Pará um espectáculo muito especial da natureza. Chove. Gotas grossas, gotas que caiem numa sincopada leveza redentora. Da área do prédio é possivel avistar o rio e as nuvens carregadas a sobreporem-se a este céu azul que timidamente apenas observa. Gosto de estar aqui olhando o rio e o céu. Passam na rua jovens a caminho da escola, e as gotas de chuva vão caindo nos seus ombros encontrando caminho pelas palpebras semi-cerradas dos seus olhos. Continuo a conversar com a Mirdes enquanto a a água da chuva percorre os caminhos desbravados na terra da rua. O vento sopra com força sobre as mangueiras á minha frente. Uma borboleta colorida fugindo da chuva refugia-se no meu braço e as folhas das arvores cantan ao sabor do vento. Lá ao fundo o sol timidamente aparece e o rio pincela de cores coloridas o arco-iris. Aos poucos a tempestade desaparece deixando finalmente o sol beijar a vida. A Mirdes foi ao trabalho e o movimento na rua tende a normalizar. Em casa deixei de sentir e ouvir o teclado das pingas no telhado e os urubus fazem de novo voos razantes. Fez-se silêncio, a Néia voltou a sorrir.

A Gaveta dos Papeis

Na gaveta onde guardo os papeis, descobri um ramo de silêncios com que escondi uma noite sem palavras. Palavras frias e esquecidas. As palavras, os caminhos e os sonhos. E, enquanto a espera se estende, e se esbate a penumbra da tua ausência, volto aos papeis, ás palavras. Pudera eu esgotar os sentimentos como se gastam as palavras e não sentiria a solidão impregnar-me a alma enchendo páginas onde as lágrimas não secam. Na noite há sempre um vácuo invadindo o meu quarto obrigando as palavras a um silêncio inexplorável a um natural borrão de tinta preta. Hoje é diferente. Como num sopro de magia quero, eu e tu, sorrir. Com as palavras claro. Como na queda da primeira pétala de uma rosa, deixo nos teus lábios um beijo. Um beijo terno. Doce. Pra que brotem muitos mais neste degredo de solidão. Solidão enquanto não te tenho nos meus braços, solidão enquanto não provo o mel do teu corpo nesta vontade úmida de te ter. Naturalmente vais deixando o teu rasto na ausência destas noites em que te escrevo, em que te recordo, em que te possuo. Até um dia. O dia em que a rota proibida dos sonhos chegará ao fim e, tu finalmente serás minha.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Era Sábado

Era sábado. A noite estava fria. Nesse sábado, nessa noite eu sentia um frio diferente. Estava sozinho na cama, apetecia-me chorar. Chorar pelo frio que sentia na pele e na alma. Tentei recordar-te para que com a tua imagem ao menos aquece-se a alma. Nem as tuas recordações conseguiam aquecê-la. Nada, nada, apenas aquele frio estranho que entrou também no meu corpo. Estranho. Não dava para entender. Que se passava? E se tenta-se dormir? Será que conseguia aquecer?. Nem dormir conseguia. Levantei-me, bebi um copo de leite bem quente e bebi-o em goles curtos, para que em cada gole sentisse o calor a aquecer-me por dentro. Voltei a deitar-me com as tuas recordações. Já era domingo e chovia quando acordei. Senti saudades dos teus beijos e, sinto raiva por não te poder ter. Que porcaria de noites frias de sábado.

sábado, 5 de abril de 2014

Lendas da Amazónia

Lenda da Origem do Rio Amazonas Há muitos anos, moravam na selva amazônica dois noivos apaixonados que sonhavam ser um casal. Ela vestia-se de prata e seu nome era Lua. Ele vestia-se de ouro e o seu nome era Sol. Lua era a dona da noite e Sol era dono do dia. Havia um obstáculo para a namoro de ambos. Se eles se casassem o mundo se acabaria. O ardente amor de sol queimaria a terra toda. O choro triste da Lua toda a terra afogaria. Apesar de apaixonados, como poderiam se casar? A Lua apagaria o fogo? O Sol faria toda a água evaporar? Apaixonados, se separaram e nunca puderam se casar. Os noivos ficaram tristíssimos. A Lua, de prata e o Sol, de ouro. No desespero da saudade, a Lua chorou durante todo um dia e uma noite. Suas lágrimas escorreram por morros sem fim até chegar ao mar. Mas o oceano, bravio, não queria aceitar tanta água. A sofrida lua não conseguiu misturar suas lágrimas às águas salgadas do mar e foi assim que algo estranho aconteceu. As águas formadas com as lágrimas da lua escavaram um imenso vale, onde também muitas serras se levantaram. Um imenso rio apareceu inundando vales, florestas e lugares sem fim. Eram as lágrimas da lua, que de tanta tristeza, formaram o rio Amazonas, o rio-mar da Amazônia.

Auto-retrato

Sempre fui assim. Metódico embora distraído. Compreensivo embora briguento. De dar mais do que receber. Sou assim que fazer. Gosto de colos e carinhos. De afagos. Choro quando a emoção me invade. Grito quando me exalto e acarinho quando o meu coração está amargurado. Brigo quando a raiva me aparece. Mas ao mesmo tempo, sou meigo, terno, intempestivo mas submisso e cumpridor. Sei que já não mudarei. Mesmo que nunca admita sou generoso e transparente nas conversas e nas ações e duro nas convicções. Sofro e amo. Riu e choro. Sou um homem sonhador e dócil, exaltado e paciente amigo do amigo embora intempestivo com o inimigo. Este sou eu. O retrato de um homem que ama e sonha com o amanhã, mesmo que esse amanhã seja curto, mesmo que esse amanhã esteja já ali ao virar da esquina.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A uma amiga

Um olhar doce...um sorriso sedutor Quero perder-me nos teus olhos incertos, doces como água clara num bosque de sol. Quero continuar a ver esse sorriso sedutor onde imagino se semeiam mil sonhos de amor. Quero imaginar depois da tempestade a caricia que é o retornar da alegria ao teu rosto e descobrir segredos de paixões que se escondem na tua pele. É bom voltar a ver-te sorrir como outrora. Como naqueles dias em que adolescente pisavas o chão atapetado de flores na primavera de uma vida que julgavas vir a merecer na noite eterna da tua juventude. Tudo foi ao contrário. Procuras-te entregar os teus anos a mil desejos de amar, procuras-te chegar a tua mão a mil lugares imaginados num amor inventado, procuras-te pintar os teus beijos num céu repleto de estrelas procuras-te por fim buscar o abrigo que pudesse acariciar o teu corpo. Tudo saiu errado. A tua mão não chegou ao lugar inventado por falta de amor, os teus beijos não chegaram ao céu porque não encontras-te quem os leva-se e não eo abrigo não apareceu como esperavas encontrar para acariciar o teu corpo por falta de mãos carinhosas. Num repente tudo mudou. A alegria voltou ao teu rosto...os teus olhos voltaram a ser doces e a sedução dos teus lábios voltou a encantar. Para sempre penso eu.

A meu pai

Hoje despertei sem palavras. Num repente estava num local luminoso para onde a força da memória me levou num recolher imposto por um silêncio feito de recordações.  Acredito que no recolhimento das horas noturnas. Acredito com o brilho embaciado nos olhos, com eles  colados no teto do meu quarto, é mais fácil te relembrar. É pois neste recolhimento  que muitas vezes, em momentos de menos afirmação,  peço a ajuda do silêncio para percorrer caminhos, encontrar soluções e definir estratégias. Hoje foi diferente. Relembrei-te meu pai.  Não tive o privilégio de conviver contigo muito tempo. Deus levou-te prematuramente do meu lado. Levou-te quiçá para noutras paragens exerceres o mister da propagação do bem, de como nos devemos empenhar em servir o próximo, em estarmos sempre abertos ao diálogo e sobretudo em sermos honestos. Foi isso que me ensinas-te. São difíceis os momentos desta madrugada.  O silêncio é agora a saudade gritante dos dias de outros tempos. O silêncio no meu quarto nesta madrugada é apenas o desenho de um nó que amarra a minha história junto de ti meu pai. Mas é contudo neste silêncio,  que sonho acordar um dia caminhando a teu lado, ouvindo embevecido como outrora, histórias de encantar. Neste silêncio que nos envolve a ti e a mim, nesta madrugada de quinta-feira fria, nesta noite inventada num tempo sem pressas quero dizer-te, onde quer que estejas, que te amo e tenho muitas saudades de ti. O tempo vai-me engolindo, deixando apenas as marcas da saudade nesta madrugada chuvosa.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Lendas da amazónia

Lenda das Amazonas

Historiadores afirmam que o navegador Orelhana, cuja aventura vimos antes, não combateu com mulheres. Na verdade, teria se defrontado com uma tribo de índios encabelados, os quais, na guerra, eram auxiliados pelas mulheres, daí Orelhana ter se confundido. Mas outro inclusive frei Gaspar de Carvajal, que participou da expedição, dão o testemunho da existência das mulheres guerreiras, no que são acompanhados por descrições de diversos índios... Mas estes não falavam em amazonas, até porque não sabiam o que significava. Os índios falavam em Icamiabas, que significa "mulheres sem maridos". As Icamiabas viviam no interior da região do Rio Nhamundá, sozinhas. Ali, eram regidas por suas próprias leis. A região era denominada por estes aventureiros de País das Pedras Verdes e era guardada por diversas tribos de índios, das quais a mais próxima das Icamiabas era a dos Guacaris. E por que a denominação de País das Pedras Verdes? Porque era justamente daí que se originavam os muiraquitãs, as famosas pedras verdes... Dizia-se que as Icamiabas realizavam uma festa anual dedicada à lua e durante a qual recebiam os índios Guacaris, com os quais se acasalavam. Depois do acasalamento, mergulhavam em um lago chamado Iaci-uaruá (Espelho da Lua) e iam buscar, no fundo, a matéria-prima com que moldavam os muiraquitãs, os quais, ao saírem da água, endureciam. Então presenteavam os companheiros com os quais tinham feito amor... Os que recebiam, usavam orgulhosamente pendurados ao pescoço. No ano seguinte, na realização da festa, as mulheres que tinham parido ficavam com as filhas e entregavam os filhos para os Guacaris... De qualquer forma, quando se pronuncia Amazônia, não se pode deixar de pensar em muiraquitãs e em mulheres guerreiras, mas também amorosas, como, aliás, são as mulheres da Região Amazônica...Era no Lago Verde que as Amazonas faziam seus muiraquitãs. Motivos semelhantes levam esse grande contingente populacional a se deslocar para Alter-do-Chão, uma vila turística localizada na margem direita do rio Tapajós e ligada por via rodoviária à cidade de Santarém. O rio Tapajó possui característica única entre os afluentes do Amazonas ? suas águas são cristalinas ? e, em frente à vila, com a descida das suas águas durante o verão, surge uma lagoa cor de esmeralda cercada por bancos de areia branca apropriadamente denominada de ?Lago Verde?. O Lago Verde, também chamado de Lago dos Muiraquitãs, era ponto de passagem obrigatório das índias Amazonas.Amazonas foi o nome dado às mulheres guerreiras da Antiguidade que habitavam a Ásia Menor e cuja existência alguns historiadores consideravam um mito. Segundo a lenda, elas removiam um dos seios para melhor envergar o arco, deixando o outro para amamentar seus rebentos, que, se nascessem do sexo masculino, eram impiedosamente sacrificados. Amazonas, aliás, quer dizer sem seios (?mazos?) em grego. No século XVI, essa designação foi dada a mulheres com as mesmas características, cuja existência histórica é discutida e que combaterem os conquistadores espanhóis no baixo-Amazonas.Era no Lago Verde, considerado sagrado pelos indígenas, que as Amazonas recolhia a nefrite (um mineral esverdeado), para produzir seu muiraquitãs, pequenos artefatos talhados na referida pedra em forma de sapos, tartarugas e serpentes, e ao qual se atribuem virtudes de amuleto. Os muiraquitãs eram oferecidos à mãe lua, em troca de favores. Diz à lenda que no fundo do lago há uma pedra mágica escondida. É essa pedra que dá ao lago a sua cor azul nas primeiras horas da manhã, mas que se transforma num verde intenso, durante o dia. Na realidade, isso pode ser o efeito do sol penetrando as águas transparentes e iluminando o fundo do lago, rico em nefrita. 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Voltei a escrever

Tive saudades de escrever, de conversar, no fundo tive saudades de sussurrar aqui nesta página o desejo de voltar  transformar o papel branco em palavras que exprimissem o rolar dos dias aqui neste paraíso. O verão é sublime para isso. A luz do sol, o calor da noite, o chilrear dos pássaros despertam na minha alma a vontade de conversar. Sempre foi assim. Nunca mudará. Hoje como ontem, amanhã como sempre quero escrever na mansidão cálida deste sitio lindo onde o meu corpo vem ganhando  novas forças. Jamais esquecerei os  momentos de angustia  porque passei, contudo, são muito mais os dias, os meses, os anos de paixão por uma região que me apaixonei. Bem podem vir tempestades e tufões, bem pode  o vento soprar para me separar daqui, que o meu caminho esta  traçado. É esta força, de um desejo eterno, que transformará a tempestade em bonança e o tufão em brisa suave. Voltei a escrever. Quero continuar a escrever.