sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Recordando nas areias do Maguari
Um dia encontrámo-nos por aí, Por aí não. Em sítio certo. No seguimento do acumular de horas incontáveis no pc, Apertados daquela angústia grossa de nos conhecermos. Interrogando-nos, cada um de nós, no infinito do pensamento e, na vaga sensação de acordarmos na paisagem vertiginosa e luminosa de uma praia. Desarmando os olhos, e temendo desvendar o rebentar das ondas do rio. A internet juntou-nos, lembras-te?, Como se tivéssemos sentados na pedra do banco de um jardim qualquer, adormecidos no silêncio que havia por entre os sons de um teclado. Tu na altura perguntaste: ...o rio vai nos unir?... eu respondi que só o futuro iria responder a essa pergunta. Tinhas na altura o rio nos teus olhos...e nos cabelos os trigais de um Alentejo em flor. Depois, mais tarde, quando o olhar se perdia, inquieto, sobre o oceano, tornaste tua a minha voz e juramos amor eterno. Na altura o rio tornou-se transparente e as ondas flores de água. A tua mão na minha, feita pássaro bravio pela surpresa, alvoroçava-me o sangue e o coração batia mais forte. Pedi-te então para abrires para mim os caminhos do teu regaço para eu poder ao som das músicas e dos aromas sentir-te por dentro. Dei então conta, que a vida é feita de pequenos nadas registados um a um. Cada gesto, cada sorriso, cada beijo me pareceu então os vagidos de uma criança a nascer, uma onda a rebentar na areia ou montes de pássaros rasgando os caminhos como o sangue nas veias. Foi um delírio. E ris-te, os dois rimo-nos, debaixo do cheiro do alecrim de um campo coberto de flores. Demos as mãos e acreditas-te, e eu acreditei, que me conduzirias por caminhos algures por aí. Um caminho e um violão. Este amor feito canção. E eu de boca aberta nem acreditava. Olhando o sol sobre este rio que nos separa, no cimo do trapiche, perguntava-me por onde tinhas andado tanto tempo sem te encontrar. Como foi possível tanto tempo perdido. Por onde andas-te tu flor de jasmim de um jardim que eu teimo em preservar?. Deixa pousar novamente os olhos sobre os teus, deixa provar o doce sabor dos teus beijos, deixa encontrar o calor do teu corpo. Deixa voltar a ser feliz de novo.
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