Dizem que o coração consegue guardar as tristezas indefinidamente. Não creio. Hoje elas transbordaram do meu peito com violência. Se o peito é aquele sitio onde a alma repousa, se o peito é aquele lugar que sangra de saudade, então ele hoje bate de tristeza. Faz anos que te perdi minha mãe, numa tarde cinzenta. Nas asas de uma borboleta voas-te para lá do paraíso. Nesse dia perdi a noção do tempo. Fixei o olhar no céu á procura do rasto luminoso que de certo marcou a tua viagem. Em vão. Deu-me vontade de chorar, mas os olhos ficaram vazios. Tirei os olhos do céu num derradeiro esforço de vislumbrar o caminho ou o novo lugar para te encontrar. A morte é estúpida é má, porque só leva quem faz falta, e que falta me ficas-te a fazer minha mãe. Quando me recolho nos meus pensamentos relembro-te muitas vezes. Vejo-te á janela a olhar a lua e, continuo a sentir os teus lábios a cantar-me canções de embalar naqueles noites difíceis de insônia. Ai minha mãe como eu adorava as tuas canções. Sinto muitas vezes que andas por aqui a abraçar-me quando me deito ou a aconchegar-me a roupa da cama quando está frio e levares a mão á boca num beijo de despedida quando a luz se apaga. Mãezinha sinto tantas saudades. Sinto saudades do sorriso, do teu olhar. Tu eras a minha estrela do mar que orientava o meu caminho, tu eras o meu sol que me trazia a aurora em cada dia. Já passaram uns anos depois do nosso último encontro, mas à momentos que nos ficam para sempre, que guardamos no segredo e em silêncio. São só nossos, meus e teus. Hoje continuo a acreditar que a tua força, a tua intuição, a tua crença me ensinaram a trilhar os caminhos que fizeram de mim o que hoje sou. Hoje vejo-te sempre a sorrir caminhando numa nuvem branca num céu azul. Mesmo que a vida me leve por muitos caminhos, espero um dia me voltar a cruzar contigo, porque te continuo a amar minha mãe.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
Espero um dia poder encontrar-te
Dizem que o coração consegue guardar as tristezas indefinidamente. Não creio. Hoje elas transbordaram do meu peito com violência. Se o peito é aquele sitio onde a alma repousa, se o peito é aquele lugar que sangra de saudade, então ele hoje bate de tristeza. Faz anos que te perdi minha mãe, numa tarde cinzenta. Nas asas de uma borboleta voas-te para lá do paraíso. Nesse dia perdi a noção do tempo. Fixei o olhar no céu á procura do rasto luminoso que de certo marcou a tua viagem. Em vão. Deu-me vontade de chorar, mas os olhos ficaram vazios. Tirei os olhos do céu num derradeiro esforço de vislumbrar o caminho ou o novo lugar para te encontrar. A morte é estúpida é má, porque só leva quem faz falta, e que falta me ficas-te a fazer minha mãe. Quando me recolho nos meus pensamentos relembro-te muitas vezes. Vejo-te á janela a olhar a lua e, continuo a sentir os teus lábios a cantar-me canções de embalar naqueles noites difíceis de insônia. Ai minha mãe como eu adorava as tuas canções. Sinto muitas vezes que andas por aqui a abraçar-me quando me deito ou a aconchegar-me a roupa da cama quando está frio e levares a mão á boca num beijo de despedida quando a luz se apaga. Mãezinha sinto tantas saudades. Sinto saudades do sorriso, do teu olhar. Tu eras a minha estrela do mar que orientava o meu caminho, tu eras o meu sol que me trazia a aurora em cada dia. Já passaram uns anos depois do nosso último encontro, mas à momentos que nos ficam para sempre, que guardamos no segredo e em silêncio. São só nossos, meus e teus. Hoje continuo a acreditar que a tua força, a tua intuição, a tua crença me ensinaram a trilhar os caminhos que fizeram de mim o que hoje sou. Hoje vejo-te sempre a sorrir caminhando numa nuvem branca num céu azul. Mesmo que a vida me leve por muitos caminhos, espero um dia me voltar a cruzar contigo, porque te continuo a amar minha mãe.
A noite inteira já não chega
De ti só quero o cheiro dos lilases
e a sedução das coisas que não dizes
De ti só quero os gestos que não fazes e a tua voz de sombras e matizes
De ti só quero o riso que não ouço quando não digo os versos que compus
De ti só quero a veia do pescoço vampiro que já sou da tua luz
De ti só quero as rosas amarelas que há nos teus olhos cor das ventanias
De ti só quero um sopro nas janelas da casa abandonada dos meus dias
De ti só quero o eco do teu nome e um gosto que não sei de mar e mel
De ti só quero o pão da minha fome mendigo que já sou da tua pele.
ROSA LOBATO FARIA,
De ti só quero os gestos que não fazes e a tua voz de sombras e matizes
De ti só quero o riso que não ouço quando não digo os versos que compus
De ti só quero a veia do pescoço vampiro que já sou da tua luz
De ti só quero as rosas amarelas que há nos teus olhos cor das ventanias
De ti só quero um sopro nas janelas da casa abandonada dos meus dias
De ti só quero o eco do teu nome e um gosto que não sei de mar e mel
De ti só quero o pão da minha fome mendigo que já sou da tua pele.
ROSA LOBATO FARIA,
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