Vai sendo tempo de regresso, regresso ao mundo da água que
sempre acalma o stress de uma semana do movimento citadino, regresso ao tempo
dos pássaros que á nossa volta cantam hinos de alegria a cada novo dia,
regresso ás manhãs em que respiramos o ar puro do rio, que enlevado pelo nascer
do sol, nos acaricia a face e nos dá os
bons dias, regresso ao passeio na areia da praia e aos beijos que a água serena
e morna nos dá nos pés. É aqui na solidão das palavras, acompanhado pela
luminosidade de um dia de sol, que reflete na água raios de prata, que procuro
tentar reunir, com a alma em chamas, pedaços de uma vida. Aqui, este paraíso de
perfumes raros é sublime para isso. A luz do sol, o calor da noite, o chilrear
dos pássaros, o verde da floresta faz de nós, na imensidão cálida deste local
lindo, um Adamastor. Bem podem vir
tempestades e tufões, bem pode o vento soprar para espalhar as palavras, porque
contra ventos e marés, a força de um desejo de paz que se conquista neste local
é incomensurável. Cada palavra, cada ponto, cada sinal, diz-me na solidão calma
da maresia, que as saudades são momentâneas, que as dúvidas serão cada vez mais certezas e que a
confiança no futuro será inalterada. É altura de deixar para trás gestos
inventados nos sonhos que pintei nas noites de paixão e silêncio. É tempo de
rejubilar pela nova oportunidade que Deus e os homens me reservaram. Vou
vivê-la com paixão e com fé no futuro. Hoje a lua vai de certeza iluminar e embalar
o meu sonho, trazendo-o á praia dos meus sentidos, hoje ela vai estar calma e
sorridente fazendo bailar nas ondas do meu rio de emoções os botos rosas á luz
das estrelas. Hoje o tempo não parará num tempo que quero recordar. Hoje fico
quieto deixando o tempo passar por mim, esperarei a hora em que ele seja de
novo o meu tempo, o tempo de poder sorrir de novo. Em Carapanari volto a olhar
o rio e a floresta e, subitamente, parece rever o barco da nova esperança que
havia ficado encalhado algures num tempo sem tempo. Entro no rio, e uma deusa
despida pelo silêncio do rio vem suavemente me beijar os pés.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
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