
Era naquele segundo andar de uma rua em flor, onde os ramos das mangueiras frondosas se debruçavam-se sobre a varanda, deixando nela o cheiro da verdura, a frescura da sombra e o perfume das mangas maduras, que todos os dias os dois acordavamos com o sorrir da manhã e o trinar dos pássaros nas copas das árvores. Uma brisa suave vinda do rio refrescava a atmosfera do quarto e imprimia em nós o desejo de um beijo matinal. O céu todas as manhãs trajava de azul. Felizes entrelaçava-mos os braços, olhavamos-nos nos olhos, e os nossos lábios encontravam-se num longo concerto mágico de beijos e suspiros. O sol naquela manhã, a cumprir o seu percurso, espreitava acima do horizonte. Abriamos a janela e lá estava na nossa frente o Amazonas em suaves ondulações e a seu lado, a floresta a perder de vista. Havia dias que procuravamos estar atentos ás coisas da vida, queriamos entender o significado delas e, perante a magnitude da natureza que os nossos olhos distinguiam, meditava-mos sobre a fragilidade do homem face á natureza. A manhã estava fresca. O cheiro do café fumegando exalava por toda a casa. Normalmente entravamos no banheiro e deixáva-mos a água correr pelos nossos corpos com demorado prazer. Ensaboava-mo-nos mútuamente e debaixo da água beijávamos-nos com amor. Depois experimentava-mos o silêncio olhando-nos nos olhos. Eram instantes mágicos. O dia corria veloz e quando a lua brilhava de novo por entre os galhos das mangueiras, olhavamos o céu e voltava-mos áquele segundo andar daquela rua em flor, para amar.
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