segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Quando nasceu uma amizade


Já não me recordo como tudo aconteceu, ou até mesmo quando começou. Hà um, dois, talvez três anos. Sei que nesse tempo lia poesia nas madrugadas, houvia os passáros cantar pelas manhãs e sentia as canções do vento quando a brisa me batia no rosto ao entardecer, naqueles momentos imensos do vazio dos solitários. Gostava das ruas desertas , de me rever nas poças de água e de percorrer os caminhos molhados e sentir o cheiro do capim depois das chuvadas... sózinho. Um dia descobri que precisava de um amigo para não viver debruçado no passado em busca das memórias perdidas. Um amigo daqueles que fazem o coração sorrir. Quando menos esperava do chão árido deste mundo, nasceria uma flor que mais tarde me ofereceria o seu rarissimo perfume. O da amizade. Este substantivo fecundo que acabaria por percorrer esta fronteira imensa que existe entre o respeito e a solidariedade, viria a permitir hoje, que dividamos momentos de cumplicidade, alegrias e tristezas. O Valério é um amigo, um irmão.Me fez perceber que os momentos perfeitos existem e que afinal a felicidade está nas coisas simples. A vida é, foi e sempre será feita de escolhas. Escolha da cor de uma camisa, escolha da mulher que nos acompanha pela vida, a escolha do caminho a seguir nessa vida e, a escolha de um amigo. Escolhi com a razoavel percepção de que, este amigo cuja presença me trás alegria, que me abre o coração com um sorriso, que cre na amizade e a vive com audaz conquista de liberdade, que não se preocupa em dar ou em receber mas que sente sempre a necessidade de compartilhar, é um amigo para uma vida.. Esta amizade sincera que divide comigo segredos e que silencia. É um amigo bem humorado, intransigente, exigente mas determinado. Queria dar-lhe este abraço em silêncio e dizer-lhe da minha determinação em manter indefinidamente no espaço da minha vida a tua amizade. Obrigado irmão.

domingo, 2 de outubro de 2011

Como sobreviver à hecatombe


Atravessamos uma época cuja atenção da população se centra nos atentados ao patrimônio, à vida humana, nas burlas que constantemente surgem nos mídia e que dizem respeito a gente de colarinho branco, nos assaltos com que diariamente somos confrontados, nas fugas ao fisco e todo o tipo de corrupção que encapotadamente ou sem pudor á luz do dia nos fazem pensar que vivemos numa república das bananas. Acostumamo-nos tanto a este tipo de coisas que não estranhamos as condenações ligeiras que muitos destes crimes são punidos. Os crimes contra as pessoas, sejam elas crianças, mulheres ou idosos passam-nos ao lado. Alguém já se colocou no lugar de uma mulher ou de uma criança vitima de um ato criminoso de violação, e ter a noção exata da violência física e mental porque estas pessoas passam?. Verificamos que estes crimes que afetam normalmente pessoas indefesas e que deveriam por isso estar mais protegidas, são pela justiça levemente punidos e menos agravados que muitos outros. A leia é o que é. E todos nós nos abstemos ou fingimos não entender a brutalidade destes atos ,esquecendo-nos até, do calvário vivido por estas pessoas muitas vezes ou quase sempre, sofrendo em silêncio, não só pela vergonha, mas também pela tortura de não reviverem o seu pesadelo. Há dias um taxista foi assassinado com uma mutilação horripilante. São estes crimes que toleram o nosso dia a dia face ás violações, que só são dolorosas para quem as sofre. Normalmente as bestas que violam passam ao lado das condenações. Considerados inimputáveis tomam uns comprimidos e voltam á vida que estavam habituados mais tarde ou mais cedo. Os políticos que têm a responsabilidade de legislar sobre a matéria normalmente atiram que este problema atravessa fronteiras, e diferenças sociais e culturais. Choca-me esta situação. Sensibilidade burra a minha obviamente. Como sobreviver à hecatombe social, vai ser a luta a desenvolver nestes tempos de brandos costumes.