sábado, 5 de abril de 2014

Lendas da Amazónia

Lenda da Origem do Rio Amazonas Há muitos anos, moravam na selva amazônica dois noivos apaixonados que sonhavam ser um casal. Ela vestia-se de prata e seu nome era Lua. Ele vestia-se de ouro e o seu nome era Sol. Lua era a dona da noite e Sol era dono do dia. Havia um obstáculo para a namoro de ambos. Se eles se casassem o mundo se acabaria. O ardente amor de sol queimaria a terra toda. O choro triste da Lua toda a terra afogaria. Apesar de apaixonados, como poderiam se casar? A Lua apagaria o fogo? O Sol faria toda a água evaporar? Apaixonados, se separaram e nunca puderam se casar. Os noivos ficaram tristíssimos. A Lua, de prata e o Sol, de ouro. No desespero da saudade, a Lua chorou durante todo um dia e uma noite. Suas lágrimas escorreram por morros sem fim até chegar ao mar. Mas o oceano, bravio, não queria aceitar tanta água. A sofrida lua não conseguiu misturar suas lágrimas às águas salgadas do mar e foi assim que algo estranho aconteceu. As águas formadas com as lágrimas da lua escavaram um imenso vale, onde também muitas serras se levantaram. Um imenso rio apareceu inundando vales, florestas e lugares sem fim. Eram as lágrimas da lua, que de tanta tristeza, formaram o rio Amazonas, o rio-mar da Amazônia.

Auto-retrato

Sempre fui assim. Metódico embora distraído. Compreensivo embora briguento. De dar mais do que receber. Sou assim que fazer. Gosto de colos e carinhos. De afagos. Choro quando a emoção me invade. Grito quando me exalto e acarinho quando o meu coração está amargurado. Brigo quando a raiva me aparece. Mas ao mesmo tempo, sou meigo, terno, intempestivo mas submisso e cumpridor. Sei que já não mudarei. Mesmo que nunca admita sou generoso e transparente nas conversas e nas ações e duro nas convicções. Sofro e amo. Riu e choro. Sou um homem sonhador e dócil, exaltado e paciente amigo do amigo embora intempestivo com o inimigo. Este sou eu. O retrato de um homem que ama e sonha com o amanhã, mesmo que esse amanhã seja curto, mesmo que esse amanhã esteja já ali ao virar da esquina.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A uma amiga

Um olhar doce...um sorriso sedutor Quero perder-me nos teus olhos incertos, doces como água clara num bosque de sol. Quero continuar a ver esse sorriso sedutor onde imagino se semeiam mil sonhos de amor. Quero imaginar depois da tempestade a caricia que é o retornar da alegria ao teu rosto e descobrir segredos de paixões que se escondem na tua pele. É bom voltar a ver-te sorrir como outrora. Como naqueles dias em que adolescente pisavas o chão atapetado de flores na primavera de uma vida que julgavas vir a merecer na noite eterna da tua juventude. Tudo foi ao contrário. Procuras-te entregar os teus anos a mil desejos de amar, procuras-te chegar a tua mão a mil lugares imaginados num amor inventado, procuras-te pintar os teus beijos num céu repleto de estrelas procuras-te por fim buscar o abrigo que pudesse acariciar o teu corpo. Tudo saiu errado. A tua mão não chegou ao lugar inventado por falta de amor, os teus beijos não chegaram ao céu porque não encontras-te quem os leva-se e não eo abrigo não apareceu como esperavas encontrar para acariciar o teu corpo por falta de mãos carinhosas. Num repente tudo mudou. A alegria voltou ao teu rosto...os teus olhos voltaram a ser doces e a sedução dos teus lábios voltou a encantar. Para sempre penso eu.

A meu pai

Hoje despertei sem palavras. Num repente estava num local luminoso para onde a força da memória me levou num recolher imposto por um silêncio feito de recordações.  Acredito que no recolhimento das horas noturnas. Acredito com o brilho embaciado nos olhos, com eles  colados no teto do meu quarto, é mais fácil te relembrar. É pois neste recolhimento  que muitas vezes, em momentos de menos afirmação,  peço a ajuda do silêncio para percorrer caminhos, encontrar soluções e definir estratégias. Hoje foi diferente. Relembrei-te meu pai.  Não tive o privilégio de conviver contigo muito tempo. Deus levou-te prematuramente do meu lado. Levou-te quiçá para noutras paragens exerceres o mister da propagação do bem, de como nos devemos empenhar em servir o próximo, em estarmos sempre abertos ao diálogo e sobretudo em sermos honestos. Foi isso que me ensinas-te. São difíceis os momentos desta madrugada.  O silêncio é agora a saudade gritante dos dias de outros tempos. O silêncio no meu quarto nesta madrugada é apenas o desenho de um nó que amarra a minha história junto de ti meu pai. Mas é contudo neste silêncio,  que sonho acordar um dia caminhando a teu lado, ouvindo embevecido como outrora, histórias de encantar. Neste silêncio que nos envolve a ti e a mim, nesta madrugada de quinta-feira fria, nesta noite inventada num tempo sem pressas quero dizer-te, onde quer que estejas, que te amo e tenho muitas saudades de ti. O tempo vai-me engolindo, deixando apenas as marcas da saudade nesta madrugada chuvosa.