Hoje despertei sem palavras. Num repente estava num local
luminoso para onde a força da memória me levou num recolher imposto por um
silêncio feito de recordações. Acredito
que no recolhimento das horas noturnas. Acredito com o brilho embaciado nos
olhos, com eles colados no teto do meu
quarto, é mais fácil te relembrar. É pois neste recolhimento que muitas vezes, em momentos de menos
afirmação, peço a ajuda do silêncio para
percorrer caminhos, encontrar soluções e definir estratégias. Hoje foi
diferente. Relembrei-te meu pai. Não
tive o privilégio de conviver contigo muito tempo. Deus levou-te prematuramente
do meu lado. Levou-te quiçá para noutras paragens exerceres o mister da
propagação do bem, de como nos devemos empenhar em servir o próximo, em
estarmos sempre abertos ao diálogo e sobretudo em sermos honestos. Foi isso que
me ensinas-te. São difíceis os momentos desta madrugada. O silêncio é agora a saudade gritante dos
dias de outros tempos. O silêncio no meu quarto nesta madrugada é apenas o
desenho de um nó que amarra a minha história junto de ti meu pai. Mas é contudo
neste silêncio, que sonho acordar um dia
caminhando a teu lado, ouvindo embevecido como outrora, histórias de encantar.
Neste silêncio que nos envolve a ti e a mim, nesta madrugada de quinta-feira
fria, nesta noite inventada num tempo sem pressas quero dizer-te, onde quer que
estejas, que te amo e tenho muitas saudades de ti. O tempo vai-me engolindo,
deixando apenas as marcas da saudade nesta madrugada chuvosa.
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