quarta-feira, 2 de abril de 2014

A meu pai

Hoje despertei sem palavras. Num repente estava num local luminoso para onde a força da memória me levou num recolher imposto por um silêncio feito de recordações.  Acredito que no recolhimento das horas noturnas. Acredito com o brilho embaciado nos olhos, com eles  colados no teto do meu quarto, é mais fácil te relembrar. É pois neste recolhimento  que muitas vezes, em momentos de menos afirmação,  peço a ajuda do silêncio para percorrer caminhos, encontrar soluções e definir estratégias. Hoje foi diferente. Relembrei-te meu pai.  Não tive o privilégio de conviver contigo muito tempo. Deus levou-te prematuramente do meu lado. Levou-te quiçá para noutras paragens exerceres o mister da propagação do bem, de como nos devemos empenhar em servir o próximo, em estarmos sempre abertos ao diálogo e sobretudo em sermos honestos. Foi isso que me ensinas-te. São difíceis os momentos desta madrugada.  O silêncio é agora a saudade gritante dos dias de outros tempos. O silêncio no meu quarto nesta madrugada é apenas o desenho de um nó que amarra a minha história junto de ti meu pai. Mas é contudo neste silêncio,  que sonho acordar um dia caminhando a teu lado, ouvindo embevecido como outrora, histórias de encantar. Neste silêncio que nos envolve a ti e a mim, nesta madrugada de quinta-feira fria, nesta noite inventada num tempo sem pressas quero dizer-te, onde quer que estejas, que te amo e tenho muitas saudades de ti. O tempo vai-me engolindo, deixando apenas as marcas da saudade nesta madrugada chuvosa.

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