sexta-feira, 11 de julho de 2014
Viajar na BR163....Uma Aventura
Um dia destes fui de ônibus ao Mato Grosso pela BR163. Nada de especial não fossem os 1.200km do percurso e os fantasmas que apareceram durante a viagem. Fantasmas sim não estou a brincar. Um amigo meses atrás havia-me confidenciado de que os ônibus eram excelentes a BR já estava um primor e a paisagem era deslumbrante. Quem com esta fotografia não se enchia de coragem e metia pés á viagem até Colider? Ninguém né. Até eu, medroso por natureza , resolvi fazer as malas. Mato Grosso aí vou eu. Quando o taxi parou na rodoviária de Santarém a uns bons cinqüenta metros da entrada, para cá do enorme buraco que separava a entrada dos meus tênis de uma brancura indelével na véspera bem lavadinhos, desconfiei logo ali das palavras do meu amigo. Mas que diabo era o inicio da viagem tudo seria diferente para lá do sol posto pensei eu. Quando me abeirei do ônibus para entrar foi como se o próprio tempo abrandasse e muda-sede cor. Um diligente funcionário queria me obrigar a colocar o notbook no porta malas do ônibus. Conclusão resumida do drama judicial, acabei com o dito cujo aos meus pés dentro do ônibus. O ônibus lá arrancou direitinho á estrada que. já virou lenda em Santarém e é um perfeito cenário para filmes de suspense. Como cenário de filme do far-west parece ser a nossa primeira paragem. Rurópolis. A localidade surgiu depois do nada, como se tivesse sido ali colocada para posto de descanso á beira da estrada e, ainda hoje me parece não ser mais que isso. Ainda assim depois de suportar muitos kilómetros de estrada esburacada e lamacenta, onde o único sinal visível da civilização são os inúmeros caminhões que se cruzam por nós. Sabe bem beber um café e desentorpecer as pernas.
terça-feira, 8 de julho de 2014
A Ginástica da Linguagem
Estou aqui em Santarém há 6 anos. Com o tempo tenho-me habituado á pronuncia paraense e, quando pergunto alguma coisa vou, mentalmente ensaiando a resposta na cabeça. Quando falam comigo escolho as palavras falo pausadamente e explico as minhas opções de discurso. Invariavelmente ficam me olhando e quando termino já está bem claro para mim, pelo sorriso estampado no rosto do meu interlocutor que as minhas palavras já perderam validade. Sugiro novo texto, debito novas palavras, mas nada feito. O desinteresse repetido pelo meu esforço de me compreenderem leva-me muitas vezes a recorrer a intermediário. Acredito que me vou fazer compreender nem que para isso tenha de lhes fazer um desenho. Que diabos não sou francês como a menina do salão ao lado da minha casa um dia me perguntou. Os meus amigos riem-se mas eu não acho piada nenhuma. Á força de tanto me ouvirem garanto que vão um dia perceber-me nem que para tanto tenha de meter explicador nas horas vagas. É engraçado ás vezes dou comigo a falar perante uma platéia de amigos que me olham como se eu estivesse a dar noticias de um mundo imaginário. Dou um sorriso e de repente, como por milagre as minhas palavras voltam a ter significado. Por breves momentos somos irmãos nos olhares. Um dia eu vou conseguir.
domingo, 6 de julho de 2014
O Beija-Flor e o meu Castelo
Hoje de manhã estive no mirante olhando o rio. Apercebi-me do vôo rasante de um beija-flor, lindo, gracioso que teimosamente queria pousar na minha mão. Cantava num sussurro ao meu ouvido, como se cuida-se de transmitir-me algo. Estendi a mão ao céu e pedi-lhe para deixar o seu corpo descansar entre os meus dedos. Chorava. As lágrimas do beija-flor inundaram-me a mão, enquanto o sol fazia brilhar a delicadeza das suas penas. Eram lágrimas de saudade me disse ele. Saudades de uma região, saudades de um castelo, do sons, dos cheiros e do colorido do Alentejo. Disse-me que trazia de lá entre as suas penas, o calor que a distância não permitia transmitir-me. Olhei o beija-flor sorri para ele e agradeci. Deixou-me uma pena na palma da mão que vou guardar religiosamente. Qualquer dia vou lançá-la, ao vento, das muralhas do castelo de uma cidade no coração do Alentejo.
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