domingo, 6 de julho de 2014

O Beija-Flor e o meu Castelo

Hoje de manhã estive no mirante olhando o rio. Apercebi-me do vôo rasante de um beija-flor, lindo, gracioso que teimosamente queria pousar na minha mão. Cantava num sussurro ao meu ouvido, como se cuida-se de transmitir-me algo. Estendi a mão ao céu e pedi-lhe para deixar o seu corpo descansar entre os meus dedos. Chorava. As lágrimas do beija-flor inundaram-me a mão, enquanto o sol fazia brilhar a delicadeza das suas penas. Eram lágrimas de saudade me disse ele. Saudades de uma região, saudades de um castelo, do sons, dos cheiros e do colorido do Alentejo. Disse-me que trazia de lá entre as suas penas, o calor que a distância não permitia transmitir-me. Olhei o beija-flor sorri para ele e agradeci. Deixou-me uma pena na palma da mão que vou guardar religiosamente. Qualquer dia vou lançá-la, ao vento, das muralhas do castelo de uma cidade no coração do Alentejo.

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