quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Carta ao Papai Noel

Querido Papai Noel. Batem as horas na noite. Santarém adormeceu. Hora ideal para te escrever mais uma vez. O coração guarda Papai Noel, o que nos escapa das mãos, e o natal é sempre tempo de falarmos um com o outro acerca daquilo que o coração guarda. Como queria nesta hora encontrar aquele conjunto mágico de palavras para te falar do muito que me aflige nestes dias que correm. Falar-te sem reservas. Tu sabes que um coração como o meu, tímido e rebelde, carinhoso e aventureiro, mas ao mesmo tempo rebelde e selvagem, viveu de paixões, teve desenganos e encantamentos, e tantas vezes planou como uma borboleta por cima de um campo de girassóis. Foi muitas vezes um coração simples, carente de afetos que fez dos poemas a seiva com que se alimentava. Foi tantas vezes resistente e outras frágil como o papel. O ano está quase a terminar Papai Noel. É altura para te confessar que fiz algumas borradas em decisões que tomei, que tive das enfrentar e seguir em frente. Não havia alternativa meu amigo. Contudo sinto-me em paz, mais calmo, mas ainda a necessitar da tranquilidade necessária para percorrer o meu caminho. É altura de colocar o sapatinho á chaminé e fazer os pedidos de presentes. Papai Noel me dá de presente a tranquilidade e a força necessárias para o que ainda falta percorrer. Depois um pedido mais simples. Pedir-te para todos os meus amigos, para todos os que amo, para todos aqueles que eu involuntariamente fiz sofrer e, ainda para todos os que ao longo do ano fizeram parte da minha vida, que de alguma forma a preencheram, que o ano de 2015 seja um ano de saúde plena e de alegria constante. Queria fazer mais um pedido. Espalha milhões de rosas, mistura-as com a maresia do meu rio para que o aroma delicioso se espalhe pelas ruas de Santarém, ganhando em cada um de nós a forma de um sorriso. Há ia esquecendo deixa no meu sapatinho uma caixa de Mon Chery tá.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

É Natal

Tive saudades de escrever. E hoje na solidão das palavras e, na estranha claridade que advém da luminosidade da época, resolvi conversar tentando com estas palavras reunir pedaços de uma vida e com elas alimentar o ato de amor em que se transformou a nossa vivência em comum ao longo destes oito anos. Tal como hoje, lembro-me que o natal estava perto. Recordo-me da noite da chegada. Do teu rosto ruborizado e do treme treme das minhas mãos. Relembro o enlaçar dos nossos olhos na fita colorida do sorriso e das nossas mãos unidas. Éramos como dois adolescentes que no vendaval das nossas paixões, num rubor de ternura e com a alma em chamas procuravam no comprimir dos seus corpos não apenas o desejo do nosso enlace mas sobretudo a urgência do despertar de um sonho. Foram momentos de magia E nesse instante mágico, soubemos que no pousar dos teus lábios nos meus a clara madrugada dos nossos sonhos nascera logo ali. Tive saudades de escrever...de conversar...no fundo tive saudades de sussurrar ao coração outros momentos. O Natal é sublime para isso e, a luz do sol, o calor da noite, o chilrear dos pássaros ou a brisa que vem do rio despertaram na minha alma o desejo enorme de te abraçar. Nada mudará. Ontem como hoje as minhas mãos continuam a tremer, porque na imensidão linda deste local de magia jamais esquecerei as juras de amor, a troca de beijos o sentir dos teus carinhos, numa Belém em flor. É Natal, tempo de amor e reafirmação.