Quando me debrucei no gradeamento da orla na Praça Tiradentes o meu coração acelerou e a Néia sorriu. Hummmm é ali que vamos viajar?...perguntei. Sim...respondeu ela visivelmente sorridente. O seu sorriso em vez de me acalmar deixou-me intrigado. Era Outono em Portugal...e aqui um sol abrasador a par do medo, fazia o suor encontrar no meu corpo todos os caminhos. Tal como as árvores precisam agarrar-se ás raizes eu preciso de ter os pés bem seguros em terra. Água não é o meu forte. Olhei o rio e olhei o céu. As nuvens armam e desarmam infindáveis afectos no azul celeste . As águas do Tapajoz tal como á seculos abrançam o Amazonas mesmo ali á nossa frente. A azáfama na Praça Tiradentes é enorme e uma multidão procura caminho entre malas, camions e fardos de mercadorias. As águas do rio, essas não se privam de dar vida ás imagens que nelas se reflectem. Fez-se um silêncio duvidoso antes que a Néia me empurra-se por uma estreita tábua que me levaria ao convés do "Principe do Amazonas". Acho que nesse momento o sangue borbulhava nas minhas veias. De mala numa mão e segurando o medo com outra lá subi. - O meu coração fala contigo vento do rio...suspirei . De uma forma abruta o vento calou-se e sentou-se a meu lado. Tuga a viagem vai ser tranquila, eu não vou soprar. Acalmei. Era hora de perguntar á Neia como seria a nossa viagem pois não via bancos para sentar. Pude divisar no seu rosto um leve sorriso e da surpresa se fez luz...as redes...claro só podia. A brisa paulatinamente foi tomando conta do espaço e do tempo...o barco moveu-se, era hora de partir. Lentamente o " Princípe do Amazonas " fez-se ao rio. A um rio repleto de histórias, de lendas , mas um rio em que todos acreditam ser a origem de todas as coisas, o Amazonas. Muitos foram os que se aventuraram rio acima á procura da terra prometida...eu...procurava neste momento apenas o caminho para Monte Alegre. Aos poucos o medo foi desaparecendo, mas acreditem, que este acto de viajar sem colete salva-vidas não é para português que não sabe nadar não. A noite foi caindo, o luar foi abraçando o rio e eu fui abraçando o sono e a Néia que a meu lado velava pelo baloiço da rede. Já o sol rompia a madrugada quando o estridente apito do " Princípe" anunciava um novo dia e dizia ao viajante que Monte Alegre estava mesmo ali á nossa frente. Perdi o medo de andar de barco e ganhei um novo amigo.... o Amazonas
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
De Santarém a Monte Alegre ...de barco
Quando me debrucei no gradeamento da orla na Praça Tiradentes o meu coração acelerou e a Néia sorriu. Hummmm é ali que vamos viajar?...perguntei. Sim...respondeu ela visivelmente sorridente. O seu sorriso em vez de me acalmar deixou-me intrigado. Era Outono em Portugal...e aqui um sol abrasador a par do medo, fazia o suor encontrar no meu corpo todos os caminhos. Tal como as árvores precisam agarrar-se ás raizes eu preciso de ter os pés bem seguros em terra. Água não é o meu forte. Olhei o rio e olhei o céu. As nuvens armam e desarmam infindáveis afectos no azul celeste . As águas do Tapajoz tal como á seculos abrançam o Amazonas mesmo ali á nossa frente. A azáfama na Praça Tiradentes é enorme e uma multidão procura caminho entre malas, camions e fardos de mercadorias. As águas do rio, essas não se privam de dar vida ás imagens que nelas se reflectem. Fez-se um silêncio duvidoso antes que a Néia me empurra-se por uma estreita tábua que me levaria ao convés do "Principe do Amazonas". Acho que nesse momento o sangue borbulhava nas minhas veias. De mala numa mão e segurando o medo com outra lá subi. - O meu coração fala contigo vento do rio...suspirei . De uma forma abruta o vento calou-se e sentou-se a meu lado. Tuga a viagem vai ser tranquila, eu não vou soprar. Acalmei. Era hora de perguntar á Neia como seria a nossa viagem pois não via bancos para sentar. Pude divisar no seu rosto um leve sorriso e da surpresa se fez luz...as redes...claro só podia. A brisa paulatinamente foi tomando conta do espaço e do tempo...o barco moveu-se, era hora de partir. Lentamente o " Princípe do Amazonas " fez-se ao rio. A um rio repleto de histórias, de lendas , mas um rio em que todos acreditam ser a origem de todas as coisas, o Amazonas. Muitos foram os que se aventuraram rio acima á procura da terra prometida...eu...procurava neste momento apenas o caminho para Monte Alegre. Aos poucos o medo foi desaparecendo, mas acreditem, que este acto de viajar sem colete salva-vidas não é para português que não sabe nadar não. A noite foi caindo, o luar foi abraçando o rio e eu fui abraçando o sono e a Néia que a meu lado velava pelo baloiço da rede. Já o sol rompia a madrugada quando o estridente apito do " Princípe" anunciava um novo dia e dizia ao viajante que Monte Alegre estava mesmo ali á nossa frente. Perdi o medo de andar de barco e ganhei um novo amigo.... o Amazonas
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