quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Maringá........terra de mil perfumes


Viver em permanente contacto com a natureza, sentir a aragem doce dos ipês e, fixar o sorriso e o encanto dos seus habitantes, faz o visitante querer se fixar aqui. Cidade do noroeste do Paraná, Maringá cidade recente e sábiamente planejada, deixa antever de imediato que a qualidade de vida é o segredo de quem deixa todos os dias o portal de casa para se embrenhar pelas avenidas arborizadas e bem tratadas. Cidade verde como é conhecida, em Maringá a paixão pelas árvores e pelo bosque cruza-se connosco em cada recanto. Fresquinha quando o calor aperta e aconchegadora quando o vento faz tremer o arvoredo. No fim do verão, antes das primeiras chuvas,as tonalidades da vegetação convidam-nos a espreguiçar os olhos ao longo das ruas. Se olharmos atentamente vamos descobrir em cada recanto uma ponte para o paraíso. Uma passadeira colorida que nos deixa anestesiados com o perfume que exala dos canteiros floridos e que impossibilita que o azedume dos homens manche o perfume que exala das pétalas das flores . Em Maringá o forasteiro interage com a natureza em cada esquina das ruas traçadas ao longo dos bosques e que a catedral de Nossa Senhora da Glória vigia lá do alto do seu pico esbelto a tranquilidade dos seus habitantes. Maringá a doce, transformada pelo suco dos canaviais. Não há como deixar de nos encantarmos com este recanto da natureza, onde a consciencia pela preservação cheia de detalhes, leva a alma humana a lançar um olhar mais amoroso por tudo o que nos cerca. À Nilce o meu obrigado por me permitir conhecer mais este belo recanto do seu país.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Natal....de novo


Vamos entoar Graças a Deus.




Poema de Natal








Não digo do Natal – digo da nata
do tempo que se coalha com o frio
e nos fica branquíssima e exacta
nas mãos que não sabem de que cio

nasceu esta semente; mas que invade
esses tempos relíquidos e pardos
e faz assim que o coração se agrade
de terrenos de pedras e de cardos

por dezembros cobertos. Só então
é que descobre dias de brancura
esta nova pupila, outra visão,

e as cores da terra são feroz loucura
moídas numa só, e feitas pão
com que a vida resiste, e anda, e dura.

Pedro Tamen

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Na minha cama...de volta á vida num dia de chuva

As sirenes quebraram o silêncio daquela madrugada de 5 de Outubro. Desde muito cedo que a azáfama no centro cardio-toraxico de Coimbra se faz sentir. 5;30 da manhã. Chegou a hora de acordar de um sono preparado para descansar.A sala de cirurgia está preparada faz tempo. O tempo agora é um contra-relógio para a simpática enfermeira que me prepara para uma viagem anunciada em Setembro. Pelo a pelo, sem apelo o peito fica como eu nunca o vi... pelado. Na sala deduzo que médicos, enfermeiros e auxiliares estão ás voltas com anestesia, bisturis, pinças e mais pinças e todos os intricados aparelhos que me acompanharão na viagem.Sou sedado.Fixo o olhar no tecto da sala e relembro pouco depois o caminho até ao elevador. Depois...depois a manhã torna-se fria e silenciosa.O alvorecer do novo dia em Coimbra terá o meu coração nas mãos e a experiência e o saber do Prof. Manuel Antunes a condução da tarefa de me levar a porto seguro no fim da viagem.6 horas depois é o caminho para a UTI para recuperação. Aparelhos e mais aparelhos são me ligados, entubado e enfaixado feito uma múmia, nas vivo, não dou pelas mãos da Néia que coladas ás minhas e com os lábios no meu rosto tenta passar-me um pouco de vida.Foram breves momentos, os suficientes para um sonho imaginário ao sabor dos seus olhos e dos seus lábios.Não sei por quanto tempo vaguearam os meus pensamentos e as minhas alucinações. Sei da acalmia que me provocou a doçura dos seus olhos e do sentir no meu rosto o vento que imaginei vir do mar enchendo-me de verde o coração.Sinto os lábios secos e doi-me horrivelmente as costas. Abro os olhos lentamente. Fiquei ali por uns minutos seguidos num silêncio feliz. Estava vivo. Reparei no sorriso e no olhar de uma amplidão infinita cheio de esperança do Rogério , meu companheiro de quarto. O vento lá fora continuava assobiando como trinados de cordas de viola e a chuva continuava a cair. Parecia que o tempo tinha parado por momentos e eu tinha voltado de uma viagem sem destino. Só as palavras da enfermeira Cristina me fizeram voltar á realidade..." salte da cama...a cama só serve para os doentes e vc ta sao que nem um pero"...a gargalhada do Rogério e o sorriso da Néia entrando no quarto foram anestésicos para saltar da cama e rumar a uma nova vida.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pitu - O pequeno Indío (continuação)

Lá estava ele, saltando no rio e para o rio, Gabiru o boto rosa tinha respondido ao apelo do amigo, rodeou a canoa, encostou o bico ao casco e empurrou...fez-se com o amigo ao rio e á aventura. “ ...quero acreditar Gabiru que no fim do rio o destino vai marcar o meu tempo...” suspirou o pequeno indio. Ainda não tinha acabado a frase e um estridente piar fez Pitu voltar a cabeça. Um enorme sorriso voltou a aparecer no seu rosto. Era Deuzinha a sua amiga arara que queria tambem participar na aventura. Deixou-a pousar no seu ombro e ternamente beijou-lhe a cabeça.
Enquanto a canoa deslizava rapidamente no rio, Pitu olhava o arvoredo das margens e procurava ficar atento ao chilrear dos pássaros e ao movimento dos animais. Olhou de novo o rio, encheu os pulmões com o mesmo ar que o acordava todas as manhãs e deixou pela última vez cair as lágrimas da saudade junto ás folhas que caiam das árvores da floresta e acompanhavam o rasto da canoa. O rio à medida que avançavam, tornava-se mais abrangente...parecendo os querer abraçar à medida que a canoa sulcava as suas águas esventrando as suas entranhas. O seu caminho estava traçado, aliás o caminho deles, o dele de Deuzinha e Gabiru.
Quantos momentos assim de ansiedade ainda iria viver? muitos talvez. Até ali a sua vida tinha sido do tamanho de um coco. Metade dele tinha sido a partida, a outra metade a saudade. A partida dolorosa. Depois foi o voltar a acreditar que quando se concretiza o que se sonha nunca se perde. E ele ali estava rio abaixo á procura do seu arco-íris.
Deuzinha piou e Gabiru deixou de empurrar. Tão absorvido até esqueceu a fome. Encostaram na margem e mais uma vez a floresta como em tantas outras vezes iria servir o banquete do almoço. Gabiru pescou no rio enquanto Deuzinha pescava nas ávores. Foi lauto o almoço e curta a sesta. Era necessário navegar. De novo o rio como estrada que empolga e extasia no reencontro com a própria vida...no reencontro com o momento. Quanto faltará para abraçar o horizonte?...uma mão cheia de dias?...uma mão cheia de desejos?...uma mão cheia de olhares?...questionava Pitu.
Indiferente a estas preocupações Gabiru continuava a empurrar a canoa e Deuzinha vigiava o arvoredo na descoberta de movimentos. Subitamente o rio alargou. Um mar de água surgiu á frente dos três amigos. “...e agora?...” pensou Pitu. Gabirou saltou e com um gemido acalmou o amigo. Ele iria de novo descobrir o caminho certo.
O Amazonas em toda a sua magnitude metia medo. Pitu olhou o rio e sentiu um apelo seu para se refugiar nas suas ondas e se acalmar no verde da sua selva. Acreditava que o rio o levaria ao porto seguro dos seus sonhos, e sorriu. Que o tempo nunca mais pare para mim, sentenciou Pitu. A hora era de acreditar. A hora era de avançar sem receios.”... Procuro por todo o lado o futuro, e sei que o vou encontrar de braços abertos à minha espera...”, reafirmou Pitu.
Os três amigos repararam que nas margens do rio começavam a haver vida. Casas de madeira e fumaça saindo do seu interior. Como eram diferentes das ocas da sua aldeia pensou o pequeno índio. Quem viveria lá, índios como ele? Não quis resolver logo ali a sua curiosidade. Teve receio da animosidade dos ocupantes das pequenas casas. Era melhor seguir viagem.
Descer o rio era uma obsessão, abraçar o horizonte a meta da jornada. Pitu sentiu-se nesse momento espiritualmente reconfortado, tinha orado a Deus como a mãe lhe ensinara e sentira que tinha sido ouvido. Algo ou alguem lhe dizia que o destino estaria logo ali ao virar de mais umas margens.
Viraram a ponta das pedras e Pitu ficou estupefacto, dos céus um pássaro enorme de asas abertas rugindo, rugindo muito, preparava-se para pousar no chão. Que monstro seria aquele...porque faria tanto barulho? Pitu olhou os amigos e mais calmo disse-lhes que com mais tempo iriam averiguar e, quem sabe, montar uma armadilha para pegar o monstro. Pitu tinha um pressentimento que o fim da viagem estava perto. Há muito que vinha reparando que as casas nas margens tinham aumentado em quantidade e em tamanho.
Quando a noite começou a perder o rosto, e a madrugada despertou para um novo dia, a pequena canoa balançou subitamente. Pitu gritou e mergulhou no rio . Gabiru nadou até às profundezas, e Deuzinha de tanto dar ás asas perdeu algumas penas ao apressadamente tentar fugir do embate com a enorme lancha que vinha em sua direcção. Pitu nadou até à margem. Exausto na chegada, sentou-se na areia da margem limpou a água dos olhos e...quase caiu para o lado de espanto. “...que coisa era aquela enorme que estava à sua frente...”. A cidade estendia-lhe os braços. A orla com um movimento desusado deixava Pitu sem sangue no cérebro para pensar rápidamente como sempre fazia.
Nunca imaginaria que o seu sonho de tantas noites fosse um deslumbramento para os seus olhos e uma tão grande adrenalina para o seu pequeno coração. Enquanto Gabiru dava show com as suas piruetas estansiando os transeuntes, Pitu e Deuzinha subiram os degraus que os levavam ao abraço com o arco-íris. O neon do shoping center ainda brilhava ali mesmo à sua frente, obrigando a que Pitu deixasse rolar pelo seu rosto uma lágrima fugidia.
Era aquele o arco-íris dos seus sonhos. A mãe um dia deixaria de lhe chamar doidinho e acreditaria de vez que sonhar é fácil. Acreditar e concretizar os sonhos é que é dificíl.

Pitu - O pequeno Indío



Era domingo na floresta. Para Pitu era mais um domingo sonolento. A mãe como sempre fazia, chegou-se a ele e beijou-lhe o pescoço. Pitu recebeu aquele beijo doce e lento e acordou com um arrepio suspeito. Sua mãe como todas as mães sorria, e ternamente, estendeu-lhe a mão para o levantar. Havia trabalho a fazer naquele domingo. Pitu pensou como era bom que este domingo nunca tivesse nascido e o pudesse sumir do calendário. Levantou-se de um pulo. Estendeu a mão e, de uma vez , vestiu a tanguinha que a avó lhe fizera com tanta ternura.
Pitu era um menino ternurento mas eléctrico. Na aldeia todos admiravam a sua inteligência e auguravam-lhe um futuro de chefia. “...Vem Pitu...”, gritou a mãe, e ele visivelmente sorridente gritou que já ia. Saiu da cabana e olhou o rio, um sol abrasador logo pela manhã fazia o suor encontrar no seu corpo todos os caminhos.
As águas de muitos riachos, tal como há séculos, abraçavam o Amazonas e as nuvens naquele domingo armavam e desarmavam infindáveis afectos no azul celeste do céu. Pitu rejubilou. Chegou-se ao rio e suavemente passou água pelo rosto. Olhando atentamente as águas reparou, que elas não se privavam de dar vida ás imagens que nelas se reflectiam. E do seu rosto saiu aquele sorriso que cativava jovens e adultos da aldeia. Olhou de novo fixamente o rio e exclamou: “... O meu coração fala contigo vento do rio, pega na minha mão e leva-me a navegar..”.
O vento soprou baixinho como a dizer a Pitu que o rio hoje era dele. Pitu voltou a sorrir. A brisa paulatinamente foi tomando conta do espaço e do tempo. E a floresta naquele domingo, como em tantos outros, emanou sinfonias como a anunciar a Pitu que ali era a sua casa para sempre . Ficou pensativo. Pitu voltou a dar a mão ao vento e numa correria desenfreada procurou encontrar na selva o universo de novas madrugadas e de muitas mais aventuras.
Subitamente o pequeno índio resolveu ir floresta dentro á procura da arara Deuzinha sua inseparável amiga. De estilingue numa mão e com o medo na outra, subiu a uma castanheira. Num insondável mistério da natureza, Deuzinha num voo rasante poisou no ombro de Pitu como que adivinhando que o seu amigo precisava dela. A reluzente ave encostou a cabecita ao peito do seu amigo e sentiu o bater do seu coração.
Pitu embora habituado a trepar por tudo quanto era árvore, aquela castanheira lhe metia medo pelo seu porte imponente. Embora com medo, era ali que gostava de abraçar a floresta e mirar o rio. De olhos fixos no horizonte Pitu reparou, que para lá do rio um arco-iris dava os bons dias a todos. Sentiu subitamente uns pingos cairem no seu rosto. Começava a chover. As bátegas caiam numa sucessão serena e sincopada cada vez mais fortes cada vez mais intensas. Deuzinha meteu a cabeça entre as asas e Pitu aconchegou-se entre as folhas.
Era tempo de a mata se revigorar, os animais matarem a sede e a vida se fazer vida. Era tempo dos habitantes da pequena aldeia de Pitu, na sua intuição e sabedoria, se recolherem e acertarem com esta terra de seus ancestrais a próxima jornada. Pitu pensou como a mata funcionava para todo o mundo da aldeia como fonte inspiradora e catalizadora, e como o rio na sua infindável bondade dava de comer a todos. Parou de chover. Pitu tocou levemente as folhas da castanheira e sentiu o doce e fresco nectar da natureza como que beijando-o com encanto e magia.
Era hora de regressar á aldeia e ao rio. Caminhando entre as folhas num trilho coberto de musgo, Pitu sentia os pingos das árvores cairem no chão e nos seus cabelos. Deuzinha sacudia a cabeça vigorosamente para soltar a água do seu corpo. Enquanto passava a mão pela cabeça molhada Pitu no silêncio que subitamente se fizera na floresta pensava em como seria a vida para lá do rio, para lá do horizonte. Uma bicada de Deuzinha acordou-o para a realidade.
Voltou de novo a reparar em tudo o que o rodeava e, sentiu essa luz que na floresta enebria e seduz. A mata abanava ao sabor do vento acenando aos dois como anjos guardiãs da floresta indicando o caminho de regresso á aldeia. O sol projectava através dos velhos embuzeiros, sombras fantasmagóricas nos caminhos de musgo florido, servindo de tapete multicolor aos pés de Pitu.
Pitu e Deuzinha voltaram de novo ao sitio onde o rio dá a mão à floresta. Era hora de comer o tacaca que as mãos eximias da mãe já havia aprontado e de Deuzinha debicar a sua espiga de milho. A vida na aldeia áquela hora era uma mistura de mil cheiros que mobilizavam toda a gente. Pitu como sempre divagava. A região provoca alucinações funcionando como fonte de inspiração e catalizadora de muitos sonhos e, ele sonhava todos os dias e a todas as horas. O seu imaginário sobrevoava para lá do horizonte transportado em finas asas brancas numa obsessão de querer conhecer. Que haveria para lá das árvores?...onde o levaria o rio?. Mil perguntas e nenhuma resposta.
O sol voltara à floresta. Pitu na margem do rio acenava ao boto rosa, chamava-o com gestos vigorosos pois precisava dos habituais conselhos do amigo. Gabiru o boto rosa, nadou vigorosamente até à margem e com o bico afagou o rosto de Pitu. O pequeno índio subiu o dorso do amigo e os dois foram rio fora. Mergulho a mergulho as brincadeiras foram para lá das horas. Pitu só deu por isso quando o princípio da noite, depois de uma tarde bem quente, começou a deixar no rio reflexos que mais pareciam o cintilar prata das estrelas do céu.
Era hora de regressar a casa e ao regaço da mãe. Voltaram rápido à aldeia com a promessa de se verem de novo no outro dia. Gabiru rodopiou no ar e de um só salto mergulhou nas águas do rio. Pitu deliciou-se ao jantar com o pirarucu assado que o pai pescara poucas horas antes. Chegou junto à janela da oca olhou a lua e suspirou. O dia tinha sido longo e sentia-se cansado. Deitou-se na esteira. Recebeu um beijo da mãe e adormeceu.
Era para lá do horizonte, lá onde a água do rio se junta ao azul do céu que o pensamento do pequeno índio vagueava no sonho que começava a florescer no seu pensamento. Pitu agarrou a beleza do rio e da floresta, e sonhava. Embrenhou-se na selva de idéias que corriam ao sabor da brisa que entrava pela pequena janela da oca, deixando correr uma pequena gota de suor pela palma da mão. Vislumbrou os vultos que corriam no rio. Viu Gabiru, e desenhou nitidamente a canoa com que o pai diáriamente ganhava o sustento da familia. Imaginou-se dentro dela com o amigo empurrando com a ponta do bico. Uff que aventura seria ir rio abaixo descobrir o que escondia o horizonte. Agitou-se na esteira e mudou de posição. Ouvia nitidamente os gemidos que o rio deixava fugir e de imediato os associou ás princesas que nele habitavam e que o pai lhe sussurava ao ouvido nos contos das noites de insónia. Os sons do rio tiveram o condão de lhe acalmar a alma e sossegar o espirito. Pitu deixou de sonhar e adormeceu profundamente.
Pitu acordou cedo. Não esperou pela madrugada. Saltou da cama e fez-se ao caminho que tantas vezes o levava até ás estrelas. Parou junto ao rio. Olhou para traz e pulou na canoa. Olhou de novo o céu e reparou na nuvem passageira que tantas vezes tinha levado os seus sonhos para lá do horizonte, pediu-lhe protecção, e fez-se ao rio. Remou vigorosamente até ao meio e a corrente rapidamente o levou para longe. Começava ali a concretização de um sonho de anos.
Deixara uma carta em local visivel. Ela explicaria o porquê da viagem e da aventura, e evitaria que os pais o procurassem desesperadamente. Sabia no entanto que ela não evitaria as lágrimas da mãe. Aquele seria o momento que o seu coração se libertaria das suas mãos qual pássaro vivo, na afã procura de uma nova vida. Olhou com coragem o rio e procurou chamar Gabiru. Ele tinha de o ajudar a procurar o caminho para lá do horizonte. Pitu deixava a aldeia naquela madrugada na procura de outras madrugadas, lá longe, onde os mais velhos dizem morar as princesas.