terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Na minha cama...de volta á vida num dia de chuva

As sirenes quebraram o silêncio daquela madrugada de 5 de Outubro. Desde muito cedo que a azáfama no centro cardio-toraxico de Coimbra se faz sentir. 5;30 da manhã. Chegou a hora de acordar de um sono preparado para descansar.A sala de cirurgia está preparada faz tempo. O tempo agora é um contra-relógio para a simpática enfermeira que me prepara para uma viagem anunciada em Setembro. Pelo a pelo, sem apelo o peito fica como eu nunca o vi... pelado. Na sala deduzo que médicos, enfermeiros e auxiliares estão ás voltas com anestesia, bisturis, pinças e mais pinças e todos os intricados aparelhos que me acompanharão na viagem.Sou sedado.Fixo o olhar no tecto da sala e relembro pouco depois o caminho até ao elevador. Depois...depois a manhã torna-se fria e silenciosa.O alvorecer do novo dia em Coimbra terá o meu coração nas mãos e a experiência e o saber do Prof. Manuel Antunes a condução da tarefa de me levar a porto seguro no fim da viagem.6 horas depois é o caminho para a UTI para recuperação. Aparelhos e mais aparelhos são me ligados, entubado e enfaixado feito uma múmia, nas vivo, não dou pelas mãos da Néia que coladas ás minhas e com os lábios no meu rosto tenta passar-me um pouco de vida.Foram breves momentos, os suficientes para um sonho imaginário ao sabor dos seus olhos e dos seus lábios.Não sei por quanto tempo vaguearam os meus pensamentos e as minhas alucinações. Sei da acalmia que me provocou a doçura dos seus olhos e do sentir no meu rosto o vento que imaginei vir do mar enchendo-me de verde o coração.Sinto os lábios secos e doi-me horrivelmente as costas. Abro os olhos lentamente. Fiquei ali por uns minutos seguidos num silêncio feliz. Estava vivo. Reparei no sorriso e no olhar de uma amplidão infinita cheio de esperança do Rogério , meu companheiro de quarto. O vento lá fora continuava assobiando como trinados de cordas de viola e a chuva continuava a cair. Parecia que o tempo tinha parado por momentos e eu tinha voltado de uma viagem sem destino. Só as palavras da enfermeira Cristina me fizeram voltar á realidade..." salte da cama...a cama só serve para os doentes e vc ta sao que nem um pero"...a gargalhada do Rogério e o sorriso da Néia entrando no quarto foram anestésicos para saltar da cama e rumar a uma nova vida.

2 comentários:

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  2. Adri, lamento mucho que te tocara pasar por esa situación. Gracias a Dios saliste bien y espero que sigas así, eres una persona maravillosa por lo tanto el debe seguirte premiando con mucha felicidad y salud.

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