quarta-feira, 30 de março de 2011

Para lá das nuvens


Dizia Fernando Pessoa de que “ O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade em que elas vivem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”. Fernando Pessoa de certeza que escreveu isso para vc. Para vc que me obrigou a descobrir que não estava sózinho, para vc que me fez descobrir a sua indispensabilidade na minha vida. Foram os ventos que me trouxeram de lá do outro lado do mar que me deixaram no caminho que me levaria a amar-te. Inexplicável?....talvez. O sobressalto de uma existência e a paz interior de cada um de nós empurrou-nos para a busca da felicidade que hoje vivemos. Inexplicável?...não acho , porque hà coisas que acontecem na hora exata. E as nossas coisas aconteceram no momento exato. Porque o amor foi maior. Porque o amor e a amizade dominaram o coração e o espaço. O coração de nós dois o espaço do nosso encontro. Ao longo destes quase cinco anos aprendi a conhecer-te, aprendi a amar-te. Quero que saibas que viver a teu lado é no fundo seguir o raciocínio de que as estrelas sempre respeitaram o brilho da lua, ou seja, as estrelas que iluminaram o meu caminho até vc minha lua morena e nua foram fieis cumpridoras dos designios de muitos sonhos guardados. Jà tivemos momentos de desânimo, percalços ao longo deste caminho nada fácil, contudo sempre soubemos solidificar a nossa amizade e reforçar o nosso amor. O nosso primeiro beijo foi dado pelos olhos, através da janela aberta sobre este rio que ambos amamos. Depois foi preciso coragem para colher a flor de espinhos estendida ao longo deste caminho que nos levou até Setembro. Melodias que têm rasgado silêncios, silêncios que têm contido as palavras neste percurso de amor feito de compreensão. Amar-te é viver neste rio de paixões. Amar-te é viver para lá das nuvens.

quinta-feira, 24 de março de 2011

É sempre o mesmo fado

Fixo o relógio...são duas da madrugada,
Escrevo,leio,olho o tecto, tento adormecer.
Me enrosco,me viro,me cubro...e sono nada,
Irra.A noite passa, e vejo o dia nascer!

As tuas noites


Cai a noite. Faz-se um silêncio do tamanho do medo á nossa volta. O teu rosto sereno dobra um a um os cansaços da noite. No vicío do luar que nos envolve deixas um incêndio por apagar, e um rio de marés vivas na minha pele. Olhando-te invento sorrisos e volúpias, e sustenho a respiração num ritual de sentidos contidos. Olho-te de novo, e como se deixa-se passar uma chuva de girassois entre os meus dedos, descubro a vertigem de um amor incontido. Começa a chover na noite. É uma quarta-feira de uma noite fria. Uma noite inventada num tempo sem pressas. Olhando o teu corpo sinto uma ânsia incontida que me vem de dentro da alma e que doi. A tua boca entreaberta deixa transparecer o sabor dos beijos por dar, das palavras por dizer. É noite. Continua a chover. Passo as pontas dos dedos pelos teus cabelos , sinto o sopro quente da tua nuca e os murmúrios de todos os meus desejos. O tempo vai-me engolindo para lá do absurdo, deixando as marcas da solidão de uma noite chuvosa e fria. Olho-te. E no silêncio dos meus dedos sinto a humidade dos toques tangentes de fúria e desejo. Na penumbra do quarto afundo-me no teu abraço enquanto mergulho no castanho dos teus olhos. No quarto, volto a ouvir o grito calado da noite, e as bategas da chuva na janela. E neste rio quente de desejo com cheiro a maresia, neste minuto íntimo de espera, neste suor de calma aparente, deixo cair as mãos, primeiro uma depois a outra, na pele sedosa do teu corpo, sentindo o calor vermelho do teu sangue quente, misturando-se com a meia noite da ponta dos meus dedos. Abraço-te. Deixo a madrugada chegar com o cheiro quente da nossa intimidade e os pecados da lua cheia deixados para lá dos campos de girassois.

domingo, 20 de março de 2011

Aos meus amigos


A amizade não se compra, não se aluga, não se empresta. A amizade vive-se e sente-se. O valor da amizade não se mede pelo tempo que dura mas pela intensidade com que se vive. Hà momentos ao longo da nossa vida, que são marcos importantes e inesquecíveis e que jamais esqueceremos. Um dia afastamo-nos, deixamos de ter contatos, ou pura e simplesmente deixamos de existir mas , uma verdadeira amizade perdurará no espaço e no tempo. Hà pessoas que passam pela nossa vida, que deixam um pouco de si. Um sorriso...uma palavra ou simplesmente um gesto que acaba por nos ligar a eles. Tenho tido a felicidade ao longo da minha vida de ter bons e fieis amigos. Amigos a quem tenho deixado um pouco do meu saber, da minha tristeza, da minha alegria, da minha maneira de ver a vida. Relembro o companheirismo vivido, as descobertas que fizemos bem como as angústias repartidas.Tenho passado por momentos dificeis nos últimos tempos e sempre os amigos me deram conforto, me deram palavras de esperança suficientes para que ultrapassa-se esses momentos com menos angustia. Sou daqueles que reconhecem a importância das pessoas que têm passado pela minha vida e que sempre demonstraram a sua amizade. Que me têm aclamado nos sucessos, que me têm dado palavras de alento nos insucessos e, que me têm perdoado nos meus erros. Reconheço o amigo que sofre por mim, que chora por mim e que ri comigo. Com todos eles tenho procurado ser o cumplíce de todas as horas e o companheiro a quem tenho emprestado o ombro para melhor sentir as suas desilusões ou dado o meu abraço para felicitar nas suas conquistas. Hoje é o dia ideal para escrever sobre a amizade, porque acredito ,que para lá da estrela que todos os dias ilumina o meu caminho existe a solidariedade suficiente para não me perder no espaço e no tempo. De certeza que vou continuar a ver os meus amigos rir comigo e sofrer comigo. Obrigado a todos por fazerem parte da minha vida. Na pessoa do Valério o abraço a todos eles.

sexta-feira, 18 de março de 2011

A vida ...de um sonho


Corria uma ligeira brisa na muralha. No meu universo imaginário áquela hora de fim de tarde, proliferavam mil e um pensamentos, mil e uma conjectura sobre o rumo a seguir. Olhava o infinito e dava asas ao sonho. Para lá do mar, lá longe onde o céu se confunde com o horizonte, acreditava existir o alimento que me satisfaria a vida, o lume que me aqueceria o corpo e a magia que me fortificaria a alma. A minha vida naquele momento passava pelo sonho. Senti as tuas caricias e decidi caminhar ao teu encontro. Atravessei mares, percorri rios, subi montanhas. Deixei-me levar pelo imaginário num rio enorme de imagens tuas. Pelo nosso rio. E a brisa que me acarinhava na muralha, sinto-a agora na amurada do navio. Escuto a tua voz doce de menina, meiga...rouca, e sinto o calor do teu corpo no meu peito. Ao longeas pontas das árvores na floresta parecem acariciar o céu com ternura. De mãos dadas, naquele fim de tarde, assitimos ao sol tocar lá ao longe as águas do rio. Fez-se noite. No rio apenas o sussurrar da floresta nos acompanha naquele beijo longo e silêncioso. E a noite foi nossa companheira unindo os nossos corpos numa viagem sem fim. Já o sol nascera na madrugada quando o suor deixou de encontrar caminho pelos nossos corpos e o rio sorria. Ouvia ao longe de novo o sussurro da floresta e bem perto o bater de um coração...o teu.

sábado, 12 de março de 2011

Porto Velho...Uma cidade na floresta


“...Senhores passageiros com destino a Porto Velho é favor dirigirem-se ao portão de embarque nº4...”. Manaus começou a ficar pequeno visto lá do alto. O avião da Trip tinha levantado voo com destino á Rondónia. Lá em baixo o rio Amazonas e a floresta eram a companhia, cá em cima a meu lado a minha sobrinha Ju parecia demonstrar algum cansaço. Não era de admirar depois do estágio forçado de seis horas na gare do aeroporto internacional de Manaus. A noite tinha sido longa, muito longa, mas o desejo de nova aventura e a vontade de a abraçar a Rose e o Jaime compensavam, e bem, o incomodo da permanência em Manaus. A viagem foi tranquila e Porto Velho começou a aparecer por sob a janela da aeronave. Recepção calorosa do jaime e da Rose a que só faltou a banda de música. Porto Velho, capital da Rondónia, é uma cidade de 300.000 mil habitantes situada nas margen direita do maior afluente do Amazonas o rio Madeira. Rio Madeira que aliás desde os primórdios da fundação da cidade tem tido papel importante ao longo do século de existência da cidade não só no seu desenvolvimento económico mas também no seu desenvolvimento urbano. Construida por força da forte acção do desenvolvimento económico a que não é alheia a exploração da industria da borracha, Porto Velho é hoje uma cidade moderna em pleno desenvolvimento. Cidade multifacetada e multiracial, Porto Velho é o espelho do desenvolvimento económico do Brasil de hoje. O Jaime levou-me a visitar a cidade, os shopings, os restaurantes e como eu esperava aquele que é hoje o maior investimento do governo brasileiro na região, as obras da barragem de Jirau. Fiquei encantado com a visita. Percorri as obras, conheci a grandiosidade do investimento, e naturalmente apercebi-me da capacidade de realização da empresa que constroi a Barragem de Jirau, a Camargo Correia. A visita terminou da melhor forma com um almoço no refeitótio ( onde são servidas diáriamente cerca de 40.000 refeições) das instalações sociais da Camargo Correia. Cidade rectilinea e bem tratada, Porto Velho fervilha nas horas de ponta com o movimento anormal que o desenvolvimento sempre provoca nas cidades onde o futuro parece estar garantido. A agricultura e a pecuária são as alavancas do progresso no Estado. Na cidade o terciário é uma importante vertente de uma cidade que aposta no modernismo. O único senão da minha estadia nesta cidade foi a constante nuven de fuligem que sobrevoa tudo e todos. As queimas dos canaviais do Mato Grosso provocam aqui um mal estar consentido. Foram dias agradaveis passados numa cidade onde não me importaria de morar. Obrigado cunhados por esta oportunidade de conhecer mais um pouco do vosso e meu Brasil.

segunda-feira, 7 de março de 2011

8 de Março....para ti


Para ti que trazes beleza aos meus dias,
que me incentivas e repreendes.
Para ti que és companheira, amiga e amante,
que choras e ris.
Para ti que lutas e trabalhas,
e vences o cansaço com coragem.
Para ti que és uma mulher especial,
que amas e sonhas.
Para ti que és frágil e poderosa,
que lutas pelos teus ideais.
Para ti mulher guerreira e doce,
que brigas e acarinhas.
Para ti que me acompanhas na alegria e doença,
que és ao mesmo tempo ingénua e sedutora.
Para ti que tens a força de ser mãe,
o carinho de ser esposa, e a paixão de seres amante.
Para ti Mulher de uma vida,
Feliz Dia Internacional da Mulher

sábado, 5 de março de 2011

O primeiro beijo...em Belém



Nos momentos que antecederam o pouso do avião em Belém, respirei fundo, fechei os olhos e pensei em ti. A primeira imagem foi o teu sorriso a perdurar para lá da vidraça do aeroporto. Era outono, com um suspiro olhei as tonalidades á nossa volta, e na vastidão da cidade adormecida reinventei a cor do amor oferecendo-te o meu sorriso, a minha memória, os meus sonhos. No taxi que nos levou do aeroporto ao hotel, entre o barulho do vento e o sobressalto de um trovão atei as minhas mãos ás tuas, senti nos teus lábios o sabor da pele salgada a nas nossas mãos a humidade do orvalho das madrugadas. Os teus cabelos cheiravam a violetas e navegavam no meu rosto ao sabor do vento. Nas costas senti o beijo frio da brisa que vinha através da janela meio aberta do táxi.O banco traseiro foi colchão improvisado para o nosso primeiro beijo. Mostrei-te, timidamente, as tonalidades liquidas da minha alma. Os meus olhos desenharam flores nos teus, bem lá no cimo junto á lua que nos acompanhava na viagem. Fechando-os iria jurar que via o arco-irís, e que para lá dele avistava as gaivotas voando no céu azul. Depois foi a volúpia azul da maresia nos nossos rostos, o cheiro dos restaurantes das docas, o perfume das flores da marginal e, as orações á Senhora da Nazaré. Hoje ainda sinto as tuas mãos nas minhas, os teus lábios nos meus e, da mão que tremia quando esvoaçava ao encontro da tua. Lembro a noite comprida do primeiro encontro, a palma da minha mão tocando lentamente o teu corpo e o êxtase daqueles momentos sublimes. Hoje, sinto quatro anos depois, que o meu coração é teu.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A cana...o açucar e a nova experiência


Maringá,14 horas. A Nilce afivelou o cinto de segurança do jeep e lá fomos a mais uma descoberta. Tinha uma ideia vaga de como seriam os canaviais. Surpeendeu-me a imensidão. O sol envergonhado, naquela manhã chuvosa ajudou a desbravar caminhos. Sómente o engano da Nilce na rota para a usina veio baralhar. Aqui e ali raios de sol rasgavam os canaviais e deixavam ver o serpenteado da estrada. As borboletas coloridas ensaiavam um ritual estranho dançando em circulos mais ou menos regulares á nossa volta. A chuva parou. O céu cabia inteiro numa poça de água e os pássaros voavam á nossa volta quando chegámos ao nosso objectivo. O Wilson simpático Director da usina compartilhou connosco o seu tempo dando-nos as boas vindas e as primeiras explicações sobre o cronograma da empresa e os seus objectivos. Um video ajudou a perceber a grandeza da Usacucar. 8 usinas fazem parte do grupo da familia Meneguetti. A visita iniciou pelo laboratório da usina. Testa-se a qualidade do açucar, a graduação do alcoole, e as demais vertentes para o plantio da cana. O Engº Director de Produção foi simpatiquitissimo connosco explicando as várias fases da produção. Desde as enormes bocarras que engolem a cana para triturar , até aos tanques de recolha e armazenagem é um mundo de ferro e aço. Pareço sentir ainda na ponta dos dedos o cheiro da cana esmagada. Um rio interno de melaço percorre um sem fim de tubagem até aos tanques, e uma enorme central de produção de energia garante á unidade total independência quando a mesma está em pleno funcionamento. A maioria da produção anual de açucar vhp é para exportação. A automatização e um quadro de colaboradores altamente especializado honra o passado, e certamente garantirá o futuro da empresa. Esta visita á Usacucar foi mais uma lição de vida. O meu muito obrigado a todos os que me proporcionaram aprender mais um pouco

Fado é amor



Como explicar aos meus amigos brasileiros que fado é amor. Que fado é saudade. Que fado é destino. Um dia destes explicava numa rodada de amigos, que ouvir cantar o fado é sentir a emoção e o sentimento. Ao cantar o fado fecham-se os olhos, olha-se para dentro, sentem-se as emoções. O fado dizia eu ao meu amigo, é uma canção que representa , dizem, a alma portuguesa e canta o seu destino. Ele concordou, sem contudo de me perguntar porquê uma cançao triste na maneira de ver dele. Os sentimentos, os desgostos de amor, a saudade da terra quando se está longe, e até mesmo a alegria de um regresso programado são motivos para serem cantados no fado. O fado era e é um simbolo português. Hoje é uma música do mundo e é escutado em silêncio por platéias embevecidas. O fado continua por isso, contra os seus delatores, a projectar Portugal para além das suas fronteiras e a levar a cultura portuguesa um pouco por todo o mundo. Ouvir o fado á luz das velas, no silêncio de uma viela lisboeta é uma experiência única. Silêncio...tocam as guitarras. Vai-se cantar o fado!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Saudades do Brasil em Portugal


O sal
Das minhas lágrimas de amor
Criou o mar
Que existe entre nós dois
P'ra nos unir e separar

Pudesse eu te dizer
A dor que dói dentro de mim
Que mói meu coração
Nesta paixão
Que não tem fim
Ausência tão cruel
Saudade tão fatal
Saudades do Brasil em Portugal

Meu bem
Sempre que ouvires um lamento
Crescer desolador na voz do vento
Sou eu em solidão pensando em ti
Chorando todo o tempo que perdi

Vinicius de Morais/Homem Cristo