quarta-feira, 28 de maio de 2014
Das Escadinhas ao Mirante
De mãos dadas, olhando o rio, pensávamos nos anos já passados em que ambos, trilhando um mesmo caminho de sonhos, de alegrias, de dor, mas de muita esperança, à muita havíamos definido que o futuro era nosso. Olhei os olhos amendoados daquele rosto sereno e beijei-lhe os lábios. Apaixonados, subimos as escadinhas que nos levam ao mirante, que do alto de uma das colinas, deixa contemplar uma vista deslumbrante sobre a cidade e o rio. O local seduz e encanta todos aqueles, que como nós, procuram na natureza o refugio da agitação de todos os dias. O perfume das flores empurrado pela brisa que corre, deixa no ar o pronuncio de uma tarde serena, de pleno encantamento. A luz no mirante é infinitamente doce e poética. Abeiramo-nos de mãos dadas da grade do mirante. Ela, levantou o rosto, sorrio, e em silêncio olhou o horizonte. A brisa naquele momento acariciava os ramos mais frágeis das árvores fazendo-as tremer ao sol, sacudindo o seu apego à terra. Uma brisa que leva as vozes pelos ares, que levanta os cabelos e os faz ondular, um sopro que nos inspira e nos faz amar. Num súbito momento, as minhas mãos procuraram descobrir o seu corpo. Movimento que a fez estremecer e soltar uma pequena gargalhada espontânea, rouca, acompanhada de um sorriso apaixonado. As nossas bocas encontraram-se vorazes num beijo prolongado, deixando um rasto de fogo nos nossos corpos. O mirante torna-se assim num espaço de segredos, suspiros, inspirações e desejos. É um local que dá vontade de fechar os olhos e ouvir a música dos sentidos e onde os cheiros são afrodisíacos lançados pelo rio e pela floresta. Há qualquer coisa de profundamente misterioso e fascinante no rio visto daqui de cima. O mirante, um dos incontornáveis pontos de encontro da juventude santarena que vem aqui, no silêncio dos fins de tarde, ver a lua descer do céu num movimento lento e demorado e, sentir o calor dos beijos quando as luzes se começam a confundir com as estrelas. Voltei tranquilamente a pegar-lhe nas mãos. Naquele fim de tarde uma poeira fina e dourada inundava o mirante. Ela sorrio. Estava linda. Um arrepio de vento anunciava a noite. Beijamo-nos num beijo prolongado, que nos encheu de certezas sobre a vida e o amor.
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