Chove em Santarém. A vida renova-se na
floresta. E uma chuva presente é sempre mais gostosa de dormir, de ama e de
ouvir. O aconchego da chuva é igual ao do amor que encanta a deusa despida pelo
vento que deixa palavras. Palavras num tempo que se vive e se sente mas não se explica,
que transformam sempre os dramas em luz, a tristeza em celebração e a ansiedade
em tempo de renovação de espíritos. E é pelas palavras que volto a falar de ti.
No rescaldo das insônias desta noite doem-me os olhos as pálpebras insistem em
fechar-se e a cabeça quer tombar no travesseiro. Acabo por fechar os olhos e
entrego-me ao Criador. E sonho. Sonho como serás
tu toda, de pele e braços, o teu peito e os teus lábios. Os teus cabelos soltos
como borboletas e o som do rio a fazer de chão ao meu desejo. Ai como quero
chegar a ti e tocar-te. É de areia o sal dos meus olhos, a insistir na sede que
me devora . Imagino levar os meus dedos aos teus lábios enternecidos e adivinho
quantas são as pétalas no jardim do teu copo que desejo. É então que perdes o
pudor e vens aquecer-te no meu corpo. Ficas sorrindo a brincar-me com o olhar,
sabendo-me nos olhos o que podia dizerem os meus lábios. Soltas-te de forma a
escorrer em gotas de mel sobre o meu ao
mesmo tempo que os teus olhos,
serenos, deixam a tua boca deixar-me um beijo numa lentidão de prazer
sussurrado no entrelaçar ternurento
dos dedos , na volúpia desenfreada dos nossos corpos, alterando a maré da minha
saliva e a ansiedade dos meus dedos. É noite na ilha do amor. As estrelas
brilham lá no alto e, nos teus olhos
continua a ser sempre céu. Os teus lábios aproximam-se dos meus,
inflamando a maciez da pele no caminho da minha saliva. Tremem os meus joelhos,
sinto o abraço das tuas pernas, e eu mergulho em ti, muito devagarinho, a
colher o suco gostoso e açucarado da tua língua. Á como eu adoro o perfume dos
teus cabelos, a maciez dos teus ombros, o rubor do teu rosto, a ternura do teu
corpo depois de fazer amor. No breve intervalo entre um mergulho no rio e o
fresco hálito de uma madrugada, amamo-nos de novo. Sacio lentamente a sede
impaciente dos teus lábios. Então, quedo-me embriagado, e exausto nas areias
brancas e finas da praia, procuro o teu abraço, á espera do teu beijo. Afago o
teu rosto, beijo os teus olhos, e passo as mãos pela tua pele. Há como eu não
queria mais acordar.
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