sexta-feira, 6 de março de 2015

Subitamente Coloco as Mãos na Tua Pele




Chove em Santarém. A vida renova-se na floresta. E uma chuva presente é sempre mais gostosa de dormir, de ama e de ouvir. O aconchego da chuva é igual ao do amor que encanta a deusa despida pelo vento que deixa palavras.  Palavras num tempo que se vive e se sente mas não se explica, que transformam sempre os dramas em luz, a tristeza em celebração e a ansiedade em tempo de renovação de espíritos. E é pelas palavras que volto a falar de ti. No rescaldo das insônias desta noite doem-me os olhos as pálpebras insistem em fechar-se e a cabeça quer tombar no travesseiro. Acabo por fechar os olhos e entrego-me ao Criador. E sonho. Sonho como serás tu toda, de pele e braços, o teu peito e os teus lábios. Os teus cabelos soltos como borboletas e o som do rio a fazer de chão ao meu desejo. Ai como quero chegar a ti e tocar-te. É de areia o sal dos meus olhos, a insistir na sede que me devora . Imagino levar os meus dedos aos teus lábios enternecidos e adivinho quantas são as pétalas no jardim do teu copo que desejo. É então que perdes o pudor e vens aquecer-te no meu corpo. Ficas sorrindo a brincar-me com o olhar, sabendo-me nos olhos o que podia dizerem os meus lábios. Soltas-te de forma a escorrer em gotas de mel sobre o meu  ao mesmo tempo que os teus  olhos, serenos, deixam a tua boca deixar-me um beijo numa lentidão de prazer sussurrado no entrelaçar  ternurento dos dedos , na volúpia desenfreada dos nossos corpos, alterando a maré da minha saliva e a ansiedade dos meus dedos. É noite na ilha do amor. As estrelas brilham lá no alto e, nos teus olhos  continua a ser sempre céu. Os teus lábios aproximam-se dos meus, inflamando a maciez da pele no caminho da minha saliva. Tremem os meus joelhos, sinto o abraço das tuas pernas, e eu mergulho em ti, muito devagarinho, a colher o suco gostoso e açucarado da tua língua. Á como eu adoro o perfume dos teus cabelos, a maciez dos teus ombros, o rubor do teu rosto, a ternura do teu corpo depois de fazer amor. No breve intervalo entre um mergulho no rio e o fresco hálito de uma madrugada, amamo-nos de novo. Sacio lentamente a sede impaciente dos teus lábios. Então, quedo-me embriagado, e exausto nas areias brancas e finas da praia, procuro o teu abraço, á espera do teu beijo. Afago o teu rosto, beijo os teus olhos, e passo as mãos pela tua pele. Há como eu não queria mais acordar.

 

 

 

 

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