sábado, 29 de janeiro de 2011

É Inverno


É inverno . Chuva, muita chuva. Alguma frescura na terra do calor. É tempo de pegar o guarda- chuva que na força do vento provoca o jogo do vira e do revira. O deslumbramento dos relâmpagos e o ribombar dos trovões provocam aqui no Pará um espectáculo muito especial da natureza. Chove. Gotas grossas, gotas que caiem numa sincopada leveza redentora. Da área do prédio é possivel avistar o rio e as nuvens carregadas a sobreporem-se a este céu azul que timidamente apenas observa. Gosto de estar aqui olhando o rio e o céu. Passam na rua jovens a caminho da escola, e as gotas de chuva vão caindo nos seus ombros encontrando caminho pelas palpebras semi-cerradas dos seus olhos. Continuo a conversar com a Mirdes enquanto a a água da chuva percorre os caminhos desbravados na terra da rua. O vento sopra com força sobre as mangueiras á minha frente. Uma borboleta colorida fugindo da chuva refugia-se no meu braço e as folhas das arvores cantan ao sabor do vento. Lá ao fundo o sol timidamente aparece e o rio pincela de cores coloridas o arco-iris. Aos poucos a tempestade desaparece deixando finalmente o sol beijar a vida. A Mirdes foi ao trabalho e o movimento na rua tende a normalizar. Em casa deixei de sentir e ouvir o teclado das pingas no telhado e os urubus fazem de novo voos razantes. Fez-se silêncio, a Néia voltou a sorrir.

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