
Na minha rua os ventos sopram favoraveis diz o Artur. O moleque sorri quando lhe pergunto se estuda. Claro que sim , responde-me rápidamente. O Artur tem escola pela manhã edelicia –se, tal como eu na minha juventude, a lançar o seu papagaio de cores berrantes pela tardinha.Recordo-me subir a encosta do castelo da cidade carregando o papagaio de papel debaixo do braço, deixando deslizar suavemente pela inclinada calçada a cauda enorme de laços coloridos. São muitos os que como eu e o Artur soltam os papagaios na minha rua. Aliás o céu de Santarém ao fim da tarde tem efeitos multicoloridos que deslizam suavemente ao sabor da brisa que neste Janeiro tem sido pródiga em ajudar o Artur a lançar o papagaio e a mim a alijeirar o calor eveitando que o suor descubra os caminhos do meu corpo. A molecada grita e corre ao longo da rua para evitar no lançamento, que o papagaio se enleie nos fios electricos que profusamente preenchem o céu da minha rua, e, evitando mais uma vez as reprimendas dos funcionários da CELPA que ao longo dos anos foram obrigados a tirar licenciatura na técnica de limpar os fios eléctricos dos restos mortais de tanto papagaio de papel. Aliás o Artur tem toda a técnica de ter um olho no papagaio e o outro no carro dos zelosos funcionários da concessionária electrica. Não sei se o Artur passa cerol na linha ou se os coloridos papeis de seda são colados aos pedaços de cana, cuidadosamente raspados,com cola de sapateiro. Nomeu tempo a técnica era ensinada á molecada da rua pelo avô Armando sempre solicito e de sorriso permanente. Dizem os entendidos que os papagaios de papel foram trazidos da China pelos portugueses que anos depois os haviam de estender pela Europra e difundir pelo Brasil. As pipas ( como são conhecidos os papagaios de papel no Brasil) da minha rua são de muitas cores, de variados formatos e feitas de diverso material. A pipa do Artur é azul, como azuis são os seus olhos fixos no papagaio que lá bem no alto desafia o voo dos urubús, e, os hábeis movimentos das suas mãos manejando o cordel fazem inveja aos movimentos do Valdo na criação de mais uma fornada de pão. Não sei se já alguem se lembrou disso, nas era tempo do Departamento Cultural da Prefeitura de Santarém deitar mãos ao lançamento do Festival Santareno de lançamento de Papagaios de Papel e, premiar a capacidade de voo e a beleza dos papagaios que, como o do Artur, aos fins de tarde enchameiam os céus da cidade.
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