sexta-feira, 29 de abril de 2011

Blanca e radiante vai la nobia...


Tinha a fortuna no seu sorriso, e a delicadeza doce da sua voz como trunfos na vida e no trabalho. Um dia um homem tentou desviar-lhe a rota da vida e trocar-lhe as coordenadas. . O seu livro da vida, falou-lhe sobre o amor e principalmente sobre o amor correspondido . Naquela hora, naquele dia, ela fixou-se no poder do silêncio e teve medo do desconhecido. O seu livro fazia-a acreditar que o amor não tem cor nem forma e que se tece no dia a dia independentemente do tempo ou da distância que a separava das palavras. Era em silêncio que acreditava nas histórias de amor. Dizia muitas vezes não haver príncipes encantados. Rosilene é um mulher de longos cabelos castanhos, com uma voz encantadora, e a beleza das mulheres que aprenderam a esperar pelo amor sem esperar nada. Até áquele dia, vivia feliz e isso bastava-lhe. Talvez um dia viesse a amar verdadeiramente. Foi nesse dia que ele se dirigiu a ela e meio mole, cerimonioso, estendeu-lhe a mão e cumprimentou-a. Começou a falar-lhe das suas actividades como cliente do banco e, ela indiferente, fixou-se no perfume das palavras que tiveram o condão de lhe abrir o coração como uma flor ao sol. Guardou as palavras dentro de si. É partir daqui que a verdadeira história de amor começa. Ainda tem o primeiro ramo de flores preso no coração, As flores generosas e simpáticas que levavam até ela o perfume de um amor mantido a kilómetros . Um amor feito de idéias, de sonhos, de esperança e de muitas cores. Um amor cheio de projectos, quase adolescente, intenso puro e quase perfeito que nessa altura já não precisava de palavras. Era um ato de fé, uma manisfestação de esperança, como o plantar de um semente no inicio de uma nova vida. Dia 23 de Abril branca e radiante ia a noiva, selando esse amor, num beijo longo e profundo.Sentiu nessa hora uma fábrica de borboletas no estomago e vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Cumpria-se o sonho. Os seus olhos nesse momento brilhavam como duas estrelas e o seu coração parecia querer adormecer na lua.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

As voltas do coração


Um coração como o meu, tímido e rebelde, carinhoso e aventureiro mas ao mesmo tempo rebelde e selvagem, viveu paixões, teve desenganos e encantamentos, e tantas vezes planou como uma borboleta por cima de um campo de girassóis. Foi muitas vezes um coração simples, carente de afectos que fez dos poemas a seiva com que se alimentava. Foi tantas vezes resistente e duro como o aço, e outras débil, de papel, frágil. Foi um coração que sempre se entregou ao longo da vida a outros corações partindo e repartindo sonhos e ilusões. Tantas vezes coração apaixonado que dava e aceitava amor com sofreguidão desmedida ou retraido e medroso. Foi muitas vezes um coração sem nome outras um jornal de parede aberto até á saciedade. Um coração que gravitou tantas vezes incógnito em volta de si próprio na vã esperança de alguem o acarinhar. Foi coração de pai, de mãe, de irmão a quem tantas vezes aqueceu as noites e refrescou os dias. Sentiu a tristeza para lá da solidão, e algumas vezes o afecto no meio da multidão. Tantas vezes coração pensante nas noites vazias de uma qualquer rua a fugir do encontro com a sua própria vida. Coração feito nas saudades de uma qualquer guitarra tocada numa qualquer viela de uma qualquer cidade, lembrando-se de amores apertados nos braços sempre fugidios. Coração cujas cicatrizes se esbatem nos anos de vidas agitadas ou se acalmam no calor de um simples beijo. Coração que arde no peito ou no orgulho e, que tantas vezes foi feito de mel escorrendo entre os dedos de alguém. Namorou ao luar, bebeu coca-cola, riu e chorou e um dia pensou calar-se. Não era ainda o dia. Era necessário viver uma paixão até ao fim. E ao meu coração tímido e rebelde, carinhoso e aventureiro, rebelde e selvagem, ordenaram-lhe de novo que fosse dono da sua própria vida.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O horror de uma manhã incompriensivel

Era uma vez uma escola onde os lápis corriam por sobre as folhas de cadernos coloridos. De sorrisos e cabelos ao vento crianças felizes preparavam o futuro de um Brasil criado para elas. Era dia de estudar matemática, dia de mais uma vez correr, saltar e confraternizar.No fundo era mais um dia para a afirmação de um ideal. O ideal de crescer em segurança e de se afirmarem na caminhada por um mundo melhor contruido na solidariedade e no amor ao próximo. Longe, muito longe de pensarem noutra coisa do que não fosse todos se voltarem a reunir á porta da sala de aula esperando pelo toque da campainha, que mais uma vez, soaria para o inicío de mais um dia de formação. O professor deu os bons dias. As crianças sorriram.Incompriensivelmente pela última vez. Paz à sua alma.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A Noite


Esta noite decidi vaguear pela cidade. Nas ruas desertas á procura do nada, numa floresta de betão duma qualquer cidade. Todos parecem dormir. Não há movimento nas ruas, contudo os sons são muitos. A lua acompanha os meus passos , projectando no asfalto a sombras fantasmagórica do meu corpo. Uma ligeira neblina vai caindo sobre a cidade tornando-a ainda mais misteriosa. Paro diante de uma montra de uma rua indiferente ao frio. Aos poucos os meus pensamentos chegam a ti e comparo o cintilar das estrelas ao brilho dos teus olhos. Diante da quela montra pareço distinguir a tua silhueta e sinto vontade de desenhar um coração no bafo que se fixou na vidro com a minha respiração, e dentro dele, escrever o teu nome junto ao meu. Sei que num repente o vento e o frio levarão o coração para lá das estrelas. Agora na solidão da noite parece que nos tocamos sem mexermos os pés interrompendo o curso do silêncio num espaço que é o das palavras. Entro no bar. Sentada a uma mesa está uma jovem. Fixo o seu olhar e detenho-me da palidez da sua pele, e no movimento suave das suas mãos. Bebemos, olhamo-nos. Fixo o seu rosto. Hà duas rugas, finas mas seguras, que emulduram o seu nariz. Lá fora os sons da rua voltavam recomeçavam lentamente. Lá fora, a cidade erguia-se de novo nos olhares dos homens que caminham sózinhos na noite. Dentro, no quarto, as nossas mãos encontram debaixo dos lençois. Através delas contámos um ao outro o que não pederia ser dito por palavras. De mãos dadas, sob a respiração, a luz da noite, e os sons da rua, recuperámos a nossa própria pele ao frio e, arrancando todas as cordas que nos prendiam voltámos a amar-nos de novo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Aquela rua a caminho do castelo


Lembrei-me hoje da minha rua. Da rua onde nasci e onde dei os primeiros passos. Da rua onde brincava e sorria. A rua D.Vasco era e ainda hoje é, caminho obrigatório para o castelo da minha cidade. Rua de tantas histórias e de tantos acontecimentos ,onde o quotidiano dos moradores era constantemente sobressaltados, pelo pisar dos cascos dos cavalos da Guarda Republicana e pelos gritos da criançada nas touradas improvisadas no alto da rua. A manhã era constantemente invadida pelos odores das fornadas de pasteis de nata que o senhor Barros fabricava como ninguém. A meio da rua o papagaio da Cristina dava os bons dias aos transeuntes e o matraquear do martelo na sola anunciava mais um dia de trabalho para o Luis sapateiro. Era um rua castiça. Não raro era o dia que não se ouvia a gaita do amolador de tesouras ou os pregões do Caetano a anunciando o leite do dia. Era hábito de casa, a minha avó Anica me levar á barbearia do Xico Matias, situada na quina da rua, para aparar a franja quando entendia que ela já me tapava os olhos, e ainda hoje, relembro o cheiro da brilhantinha com que o barbeiro me deixava de marrafa direitinha. As tardes eram passadas de olho atento no chegar do Chico Bomba, o dono da mercearia e da padaria que nos enchia de rebuçados e de bolachas maria. Rua de tantos sonhos e de tanta lágrima. Rua de pedras que contavam histórias e faziam história. A rua de D.Vasco sempre foi uma rua cosmopolita de portas abertas a quem rumava ás muralhas e, de conversa franca dos moradores. É uma rua que ainda hoje preserva as suas caracteristicas arquitectónicas e continua a guardar sonhos, amizades e ambições. Rua florida do mês de Maio e dos arquinhos e balões do S.João cheirando a manjerico pelo S.António. Era na minha rua, sentado na janela da avó Maria que eu extasiado via todos os dias o Buick do Marques dos Santos subir a rua em direcção á garagem. Hoje a rua tem restos de outras vidas recordações de outras eras.