quinta-feira, 7 de abril de 2011

A Noite


Esta noite decidi vaguear pela cidade. Nas ruas desertas á procura do nada, numa floresta de betão duma qualquer cidade. Todos parecem dormir. Não há movimento nas ruas, contudo os sons são muitos. A lua acompanha os meus passos , projectando no asfalto a sombras fantasmagórica do meu corpo. Uma ligeira neblina vai caindo sobre a cidade tornando-a ainda mais misteriosa. Paro diante de uma montra de uma rua indiferente ao frio. Aos poucos os meus pensamentos chegam a ti e comparo o cintilar das estrelas ao brilho dos teus olhos. Diante da quela montra pareço distinguir a tua silhueta e sinto vontade de desenhar um coração no bafo que se fixou na vidro com a minha respiração, e dentro dele, escrever o teu nome junto ao meu. Sei que num repente o vento e o frio levarão o coração para lá das estrelas. Agora na solidão da noite parece que nos tocamos sem mexermos os pés interrompendo o curso do silêncio num espaço que é o das palavras. Entro no bar. Sentada a uma mesa está uma jovem. Fixo o seu olhar e detenho-me da palidez da sua pele, e no movimento suave das suas mãos. Bebemos, olhamo-nos. Fixo o seu rosto. Hà duas rugas, finas mas seguras, que emulduram o seu nariz. Lá fora os sons da rua voltavam recomeçavam lentamente. Lá fora, a cidade erguia-se de novo nos olhares dos homens que caminham sózinhos na noite. Dentro, no quarto, as nossas mãos encontram debaixo dos lençois. Através delas contámos um ao outro o que não pederia ser dito por palavras. De mãos dadas, sob a respiração, a luz da noite, e os sons da rua, recuperámos a nossa própria pele ao frio e, arrancando todas as cordas que nos prendiam voltámos a amar-nos de novo.

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