
Lembrei-me hoje da minha rua. Da rua onde nasci e onde dei os primeiros passos. Da rua onde brincava e sorria. A rua D.Vasco era e ainda hoje é, caminho obrigatório para o castelo da minha cidade. Rua de tantas histórias e de tantos acontecimentos ,onde o quotidiano dos moradores era constantemente sobressaltados, pelo pisar dos cascos dos cavalos da Guarda Republicana e pelos gritos da criançada nas touradas improvisadas no alto da rua. A manhã era constantemente invadida pelos odores das fornadas de pasteis de nata que o senhor Barros fabricava como ninguém. A meio da rua o papagaio da Cristina dava os bons dias aos transeuntes e o matraquear do martelo na sola anunciava mais um dia de trabalho para o Luis sapateiro. Era um rua castiça. Não raro era o dia que não se ouvia a gaita do amolador de tesouras ou os pregões do Caetano a anunciando o leite do dia. Era hábito de casa, a minha avó Anica me levar á barbearia do Xico Matias, situada na quina da rua, para aparar a franja quando entendia que ela já me tapava os olhos, e ainda hoje, relembro o cheiro da brilhantinha com que o barbeiro me deixava de marrafa direitinha. As tardes eram passadas de olho atento no chegar do Chico Bomba, o dono da mercearia e da padaria que nos enchia de rebuçados e de bolachas maria. Rua de tantos sonhos e de tanta lágrima. Rua de pedras que contavam histórias e faziam história. A rua de D.Vasco sempre foi uma rua cosmopolita de portas abertas a quem rumava ás muralhas e, de conversa franca dos moradores. É uma rua que ainda hoje preserva as suas caracteristicas arquitectónicas e continua a guardar sonhos, amizades e ambições. Rua florida do mês de Maio e dos arquinhos e balões do S.João cheirando a manjerico pelo S.António. Era na minha rua, sentado na janela da avó Maria que eu extasiado via todos os dias o Buick do Marques dos Santos subir a rua em direcção á garagem. Hoje a rua tem restos de outras vidas recordações de outras eras.
Pasteis de nata, ôhhh...rsrsr
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