
Ao canto de uma casa de um rua sem saida uma bela morena de shorts, ténis de tacão e uma t-shirt que lhe marca o peito e a cintura, o cabelo mais claro e a pele luminosa olha-me fixamente. Mais á frente duas amigas mais bonitas que a morena tagarelam, deduzo sobre a universidade. Os livros fixam a sua atenção. A minha vizinha enfermeira cruza-se comigo no meio da rua. Neste fim de tarde de inverno a chuva parou. Ela vem de guarda chuva debaixo do braço, rimel esborratado e cabelo desgrenhado. São quase sete da tarde. Começa a escurecer. A rua que me leva ao estádio fervilha de movimento.Cruzo-me com jovens que se dirigem para o Instituto Federal e os menos jovens que começam a sair dos empregos. Os urubús são um praga, saltam-nos na frente, cruzam-se no caminho , enchem o céu. Depois de passar a segunda quadra um homem e uma mulher lutam desajeitadamente, por palavras entenda-se, não da melhor maneira. Acho que estavam em jogo alguns trocados da jorna da semana. Apressei o passo. O médico recomendara-me cerca de quarenta a cinquenta minutos de caminhada diária e não que me fixá-se nas lutas intestinas por meia duzi a de reais. A meio da terceira quadra um grupo se rapazes eterniza as velhas e clássicas amizades jogando baralho e bebendo umas fresquinhas. Olho as garrafas e dá-me sede. Não posso parar , o médico , sempre ele , avisou que os quarenta minutos são seguidos sem parar. Por isso nem tempo tenho para cumprimentar a ajudante da vizinha cabeleireira que sai de um salão da concorrência bem a li ao meio da quarta quadra do percurso. A água da chuva torrencial destes dias levou parte da rua obrigando transeuntes e automóveis a circular com precaução. A mim obriga-me a mudar de passeio e dar de caras ou antes a dar com as costas de uma neguinha curvilinea que com alguma pressa e muito bombalear se dirige-se á casa dos churrascos mesmo ali juntoao salão da Comissão de Moradores. Como diz um amigo meu que trabalha lá para os lados do estádio os olhos não comem. E ele tem razão mas que ajudam ai isso ajudam. Já levo vinte minutos de caminhada e ainda não cheguei ao estádio, local que em outras ocasiões marca o meu regresso. Quer dizer que estou a caminhar mais devagar, ou as ocorrências do percurso não me têm deixado fluir a passada. Uma amiga acena-me ao entrar para um estabelecimento de uma qualquer marca de perfumaria tão habituais no Brasil, tal era a pressa de entrar ou de me cumprimentar, que se estatelou ao bater nas irregularidades do passeio , que em Santarém são uma imagem de marca e um obstaculo para cegos, novos e menos novos como eu. Corri solicito a pegar na mãozinha da pequena. De sorriso meio envergonhado la entrou a comprar um Cardin qualquer para estar cheirosa nos encontros da orla. Para mim foi mais um contratempo na caminhada. Quando me preparo para atravessar a rua que liga a quinta quatra á rua da escola quase desmaio. Uma pirigueta de saia curta, cabelo desgrenhado, montada num bólide de quarta geração com aparelhagem xpto , com colunas sensoround de alta amperagem, desbanca um sonzinho tão alto que até a minha avó Anica se levantaria do maosuléu se a rua fosse a avenida lá do cemitério da terrinha. Caraca com o susto e as pragas rogadas por mim e pelo sapateiro que conserta sapatos na esquina da quinta quadra atrasei a caminhada e não tirei rendimento da passada. Dou volta ao sinal e retorno a casa. Fiz vinte cinco minutos. Não está mal. Mas devo passar dos cinquenta bem contados..pelo meu relógio que pelo da sogra são sempre mais. Apresso o passo. Ontem não caminhei, hoje doem-me os pés. Deu-me vontade de sentar no bar ao fim da rua bem ali no lado direito. Em que pensaria a jovem de longos cabelos, calças justas ao corpo e de olhar perdido no céu. Deve estar a pensar na forma de convencer o namorado a convida-la a um jantar romantico depois de uma longa semana de trabalho. Bom resolvo não parar o meu médico não ia gostar da paragem e, alem do mais na casa verde iam de certeza dar pela demora. Dou meia volta aos calcanhares para voltar. Descobri que já passaram trinta minutos.Vou exceder o tempo previsto alem de gastar mais solas ás sapatilhas,ainda por cima já caiu a noite e qualquer dia meto o pé onde não devia. O melhor é ir preparando o cabedal para o banho de água fria.
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