domingo, 8 de maio de 2011

Para que em Santarém seja sempre primavera


O rio e o céu vivem de mãos dadas no horizonte. São como dois gatos siameses que o universo juntou para que a cidade pudesse existir. Sempre quis viajar, conhecer o mundo.Viver em muitas cidades , até descobrir o lugar certo. Um Lugar certo entre um rio e o horizonte. Um lugar onde o rio e o céu se encontrem com o meu olhar. Uma terra tranquila sem nenhum segredo escondido e onde não tropece em nenhum turista de chinelos caros e de chapéu de palhaço rico. Um lugar com orla, onde aos fins de tarde me pudesse encontrar com o horizonte em que os siameses se juntam e onde a terra abrace o arvoredo, e possa deslizar nas águas com a perfeição dos pequenos gestos. Hà qualquer coisa de perfeitamente irresistivel numa cidade assim. Todos os dias dá vontade de percorrer os seus caminhos com uma vontade enorme de abraçar o rio. De lhe dizer que a cidade também é minha, de lhe contar em segredo que a vejo todos os dias vestida de primavera embora a reveje por detrás do espelho e proteste o seu presente com o desejo de ver o seu futuro. Quando a noite cai, é tempo de guardar no silêncio dos dias a vontade de voltar ver de novo o amanhecer. E é em cada amanhecer que a vida sempre nos surpreende fazendo-nos arrumar no sotão da consciência os sonhos de um passado recente fazendo-nos acreditar que a cidade viverá para lá desses sonhos. É assim esta cidade que nos obriga a andar sistemáticmente com as flores de papel presas ao coração, como se o jardim de cada peito fosse o reflexo da imagem do seu rio. A cidade faz-nos de fato amar o rio, com um amor leve e branco, feito de idéias, de sonhos, de esperança e de muitas cores. Um amor com planos e prejectos, quase adoslecente, intenso, puro e perfeito. È por isso que todos os dias visito o rio com o seu festival de cores e aromas, feito de sol e de primavera. Tu cidade que cuidas do meu coração e que nem sequer sabes, tu cidade que escreves na minha pele e fazes brilhar os meus olhos como pirilampos na noite, não deixes que os homens te matem. Protesta. Protesta sempre, para que sejas eternamente jovem. Para que seja sempre primavera.

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