
Ainda as estrelas brilham no céu quando a grande maioria dos vendedores chegam ao mercado. Camionetas e carregadores acotovelam-se nas ruas que ladeiam o mercadão para descarregar todos os produtos para que as bancas estejam fornecidas antes da chegada dos clientes. O cheiro das hortaliças e de mil produtos espalham-se no ar. Nas bancas laterais de comida os madrugadores comem para retemperar forças e trocam papos sobre a cumplicidade dos múltiplos negócios. Olhando o recinto é fácil verificar as várias gerações que têm ao longo dos anos zelado pela alimentação dos santarenos. Muita gente jovem de sorriso nos lábios prepara-se para ver nascer os primeiros raios de sol marcando a transição entre a noite e o dia e, atender o primeiro cliente. Os mais velhos sorriem e conversam quem sabe, recordando os primeiros dias de vendas no mercadão. A um canto, numa banca mais escondida e parodiando o velho fado da Amália...hà um romance de amor entre a Rita que é peixeira e o Xico que é pescador..ela escama vigorosamente um peixe ainda com o odor do rio que o viu nascer, ele, olha embevecido os seus olhos verdes. As frutas e os legumes alinham-se nas bancas como se de um concurso de beleza se trata-se, misturando os odores mais exóticos e as cores mais garridas num chamariz irresistivel. Do outro lado ouve-se o barulho do cutelo do açogueiro separando as carnes transformando em lombos e filés o corpo de uma lustrosa vitela. Neste jogo diário de luz e sombras não faltam as flores e o artesanato nas lojas de espaços bem demarcados. É este o retrato e a essência do Mercadão 2000, principal ponto abastecedor de Santarém. É uma verdade que a mistica deve sobreviver, mas o aspeto não deve ser revisto?. O seu interior não deve ser repensado por forma a facilitar a vida a vendedores e utentes? .A Prefeitura não deve revitalizar o espaço, criando condições de um mercado multifacetado onde a vertente cultural e lúdica se possam misturar com os cheiros das frutas e legumes e a fidelização de vendedores e clientes? .O Mercadão não poderia ser um pólo de atração turística, cultural e gastronómica?. Porque não construir uma galeria interior na área das frutas e legumes e para o piso zero mudar todos os camelós que mal instalados fazem pela vida em volta do edificio?. Porque não no segundo piso dessa galeria criar um espaço que vise aproximar a actividade turística da cidade e o potencial cultural e artistico de toda a região misturando ambientes e possibilitando á cidade mostar o que de melhor fazem os seus habitantes?. Não poderia o espaço fronteiro ao edificío levar um tratamento urbanistico que possibilita-se uma área de lazer e de espera para quem visite o mercadão?. A localização estratégica do Mercadão 2000 com a aproximação ao porto e ao principal eixo viário da cidade pode e deve ser aproveitada. Vamos colocar lá os artesãos a trabalhar, as dezenas de doceiros de Santarém a produzir e vender os seus produtos, realizar esposições, colóquios e vender livros. Deve ser estudado um conceito inovador e moderno que priviligie o contato com o turismo mas que sobretudo se torne um novo lugar de integração da cidade, do rio e do sua população. O projeto seria mais um fator de regeneração de toda a frente ribeirinha de Santarém. Sem mudanças o declinío será inevitável. Mãos á obra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário