Sozinho, entre o cortinado e os vidros da janela, olho o Amazonas e vislumbro entre o negrume do fim de dia, umas réstias de sol de inverno. Gosto de ver chover. Ao longe os clarões aproximam-se. É preciso semi-cerrar os olhos ofuscados pelo clarão de um relâmpago que enche o horizonte de fagulhas amarelas e prata. Para lá longe, onde rio encontra a floresta, nota-se a chegada de uma chuva quente que descarrega de supetão neste pedaço de mundo encantado. O ritmo da chuva a bater na vidraça, apressa a euforia, o êxtase. As pessoas na rua, temerosas ou talvez não, refugiam-se por sob as frondosas mangueiras cujas folhas aterram furiosas batidas pelo vento no asfalto da rua. Uma ave minúscula empoleirada no candeeiro de iluminação da rua pia incessantemente. O vento, tremendo forte, empurra gemendo, as cordas da água de um rio revoltado. Na cidade o trânsito engarrafa as ruas, cujo pavimento regurgita com a avalanche de água que se esta a abater fazendo com que os bueiros, fiquem de bocas entupidas incapazes de dar vazão ao dilúvio, como se de um momento para o outro os estrangulassem com uma mordaça asfixiante. À minha frente Santarém enfrenta galhardamente, um inimigo tremendo, feito de um liquido que lhe está a cair em cima em catadupas, em quilolitros de fúria, como se o S.Pedro tivesse aberto todas as torneiras celestiais. Esta noite o rio vai-me inundar os olhos correndo, livre e solto, esperando voltar a vê-lo de novo na próxima tempestade em forma de nuvem, enquanto lá fora a noite avança em momentos de silêncio lento. Parou de chover.
sábado, 13 de agosto de 2011
Parou de chover
Sozinho, entre o cortinado e os vidros da janela, olho o Amazonas e vislumbro entre o negrume do fim de dia, umas réstias de sol de inverno. Gosto de ver chover. Ao longe os clarões aproximam-se. É preciso semi-cerrar os olhos ofuscados pelo clarão de um relâmpago que enche o horizonte de fagulhas amarelas e prata. Para lá longe, onde rio encontra a floresta, nota-se a chegada de uma chuva quente que descarrega de supetão neste pedaço de mundo encantado. O ritmo da chuva a bater na vidraça, apressa a euforia, o êxtase. As pessoas na rua, temerosas ou talvez não, refugiam-se por sob as frondosas mangueiras cujas folhas aterram furiosas batidas pelo vento no asfalto da rua. Uma ave minúscula empoleirada no candeeiro de iluminação da rua pia incessantemente. O vento, tremendo forte, empurra gemendo, as cordas da água de um rio revoltado. Na cidade o trânsito engarrafa as ruas, cujo pavimento regurgita com a avalanche de água que se esta a abater fazendo com que os bueiros, fiquem de bocas entupidas incapazes de dar vazão ao dilúvio, como se de um momento para o outro os estrangulassem com uma mordaça asfixiante. À minha frente Santarém enfrenta galhardamente, um inimigo tremendo, feito de um liquido que lhe está a cair em cima em catadupas, em quilolitros de fúria, como se o S.Pedro tivesse aberto todas as torneiras celestiais. Esta noite o rio vai-me inundar os olhos correndo, livre e solto, esperando voltar a vê-lo de novo na próxima tempestade em forma de nuvem, enquanto lá fora a noite avança em momentos de silêncio lento. Parou de chover.
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