quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O fechar de uma época


Janelas outrora bonitas de casa senhorial, pintadas e reluzentes sempre a olhar o rio imenso, que à sua frente caminha indiferente até ao mar. Das suas varandas foram ouvidas serestas e juras de amor ou angustiados lamentos da lancha que não chegava. Quantas vezes escutaram segredos e ouviram lamentos. Todos os dias o sol espreguiçava-se pelas suas fachadas e viam as nuvens caminharem sobre as águas do rio, impelidas pela brisa de cada manhã. Hoje, sob a árvore de sombra benfazeja, de copa volumosa com folhas e pássaros, esquecidas e sozinhas, deixaram de sorrir. Lamentam a indiferença dos homens e ,envergonhadas, fecharam-se para ninguém poder ver a tristeza da degradação. Orações invisíveis ecoam para lá das paredes anunciando um prenúncio de morte. O tempo não pára, só as águas do rio se movem levando os sonhos de uma reabilitação. Uma andorinha pousa no parapeito dando-lhe uma dimensão de vida...até quando?.

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