
Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade percorreram este céu contando as estrelas. Sonho que voava por sobre o rio, por essa imensidão de água que se estende, iluminada e calma. Por cada estrela de prata que se reflete no rio, um anjo se debruça espreitando a princesa cujas águas lhe beijam os pés, á luz do luar. A flor-da-noite abre as suas pétalas e a brisa sopra sorrateiramente por cima da copa das árvores da floresta, tocando o areal branco num abraço feito de muitas primaveras. Sentado numa faixa do areal que abraça o rio, vejo a lua sonolenta se esconder num leito de nuvens, e o nascer de uma nov a aurora, me encanto com o canto das aves e ouço o soluço de uma flor que vai sussurrar ao céu levada pelo vento. Vento que geme por entre os ramos numa sinfonia de sons. Fico ansioso no meu sono, deslumbrado com a beleza dos pirilampos que se afastam do nascer do sol. Subitamente, sinto o suave rumor da tua presença, o perfume subtil do teu cabelo, o cálido sabor dos teus beijos e, as minhas mãos parecem percorrer a pele morena e perfumada do teu corpo. Na solidão do meu sonho, o gemido da cotovia anuncia o apagar de todas as lâmpadas do céu e sobre as asas da luz do sol um novo dia se renova. Quero voltar a sonhar assim.
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