No escuro do quarto a minha mão, deslizando no lençol, procura o comando da televisão. Sou presa fácil e espontânea de um comando de televisão. É assim a minha noite. Eu e a televisão. Momentos de êxtase, pedacinhos soltos de sedução de um aparelho que me fala em silêncio. Como acontece nas várias noites em que a insônia me vence e as idéias para escrever se esfumam, são os filmes ou a leitura que povoam os meus sonhos, aumentando a labareda alta de um prazer notívago. Nenhum músculo do meu rosto se meche quando vejo o Hause ou estou de olhar fixo na CSI. Cruzo as mãos atrás da cabeça uma vez. Duas vezes. Várias vezes. Eu, a noite e a televisão, dimensões do espaço e do tempo que se ultrapassam com um simples olhar, sem palavras e sem gestos, nos momentos de solidão. Uma vez por outra fico a leste das emoções apenas sentindo a chuva bater no telhado e aprendo a decorar todos os silêncios. Como a vida é estranha. A vida sem sonhos não vale nada, vale-me carregar no comando para que nos variados canais eu vá ganhando força para a indignação, para um sorriso, para uma lágrima e até para um sonho. Envelhecer é tramado. Não há comando que resista. Existem noites em que por mais que mudemos de canal a doçura das memórias não nos aquecem, as noites arrastam-se e nada é o que deveria ser. É como andar á deriva no Tapajós e sentir subitamente a floresta engolir o rio e eu acordar sentado numa bananeira. Não resisto mais. Vou embrulhar as minhas memórias, os meus risos e lágrimas, clico no comando e vou dormir
terça-feira, 7 de maio de 2013
O Comando ...da televisão
No escuro do quarto a minha mão, deslizando no lençol, procura o comando da televisão. Sou presa fácil e espontânea de um comando de televisão. É assim a minha noite. Eu e a televisão. Momentos de êxtase, pedacinhos soltos de sedução de um aparelho que me fala em silêncio. Como acontece nas várias noites em que a insônia me vence e as idéias para escrever se esfumam, são os filmes ou a leitura que povoam os meus sonhos, aumentando a labareda alta de um prazer notívago. Nenhum músculo do meu rosto se meche quando vejo o Hause ou estou de olhar fixo na CSI. Cruzo as mãos atrás da cabeça uma vez. Duas vezes. Várias vezes. Eu, a noite e a televisão, dimensões do espaço e do tempo que se ultrapassam com um simples olhar, sem palavras e sem gestos, nos momentos de solidão. Uma vez por outra fico a leste das emoções apenas sentindo a chuva bater no telhado e aprendo a decorar todos os silêncios. Como a vida é estranha. A vida sem sonhos não vale nada, vale-me carregar no comando para que nos variados canais eu vá ganhando força para a indignação, para um sorriso, para uma lágrima e até para um sonho. Envelhecer é tramado. Não há comando que resista. Existem noites em que por mais que mudemos de canal a doçura das memórias não nos aquecem, as noites arrastam-se e nada é o que deveria ser. É como andar á deriva no Tapajós e sentir subitamente a floresta engolir o rio e eu acordar sentado numa bananeira. Não resisto mais. Vou embrulhar as minhas memórias, os meus risos e lágrimas, clico no comando e vou dormir
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