quarta-feira, 5 de junho de 2013

Pelo Tapajós acima

Em cada curva desse azul de cetim fervilham os meus pensamentos levando-me para lá, para onde o céu e rio se fundem no dourado da tarde. Enquanto navego nas tuas águas sinto-te mimar o vento endiabrado que faz enrolar as tuas ondas na areia branca da praia e, enquanto mimas o vento endiabrado, puxas-nos para a frente e para trás na amurada do meu barco como se fossemos bailarinos de uma dança sem coreografia. Olhei de novo as tuas águas da cor do cetim a baterem a quilha do barco explodindo como uma sinfonia infernal de guitarras e violinos e, enquanto engolias aquela quilha empurravas as tuas águas levando-as a beijar , na areia dourada, os pés da princesa que em bicos de pés e de vestido prateado me estende as mãos para me levar para a floresta onde os amantes se perdem em suor e saliva. A cada metro desta subida em que o barco contorna as curvas longilíneas do teu corpo eu sorvo-te a cada centímetro ao passar as mãos por sobre as tuas águas ao mesmo tempo que reabro mais uma página do meu livro de memórias proibidas. Ao passar por aquele rochedo velho e imponente que nas tuas margens estremece nas areias finas, enlaço-me entre o suor e a saliva e deixo os meus pensamentos voarem para lá, onde as tuas águas se tingem de violeta com a floresta, e onde os dois se sentam no horizonte. Nas tuas margens brotam árvores frondosas enquanto no teu leito brincam cardumes de botos. E ao entardecer, quando se desenha no teu leito a silhueta de uma lua ainda transparente, se recortam nas tuas margens as silhuetas fugitivas dos amantes que se apaixonam ao sabor da brisa quente que percorre os seus corpos e se espraia no infinito.

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