domingo, 28 de julho de 2013
Uma carta ao fim do dia
Sentado no “Trapiche” troco inconfidências com o rio, mascarando o tempo que passa por mim. Reclamo meus dissabores misturando ora sorrisos ora lágrimas com as águas. Chove no rio que está cinza e, enquanto arrumo o mapa do meu coração reparo numa folha verde que como a minha esperança navega rio abaixo. O tempo se esfuma nesta varanda onde se espreita a vida como se a vida desaparecesse ao cair do sol de cada dia. Fixo o horizonte La longe onde o céu beija o rio e chego á conclusão que não se vive uma história de amor sem se fazer esse caminho com coragem. Cada história de amor tem um pouco de ironia, de tristeza e alegria, de sonho e de frustração. Desta varanda sobre o rio o meu tempo parece querer o aparecimento de qualquer coisa mágica, qualquer coisa que me faça prolongar o sonho. É agradável estar aqui. Sentir a brisa e o odor do rio e a quietude outonal que rasga o dia. Quero uma chance, uma sorte uma nova saída, quero ter a capacidade de descrever em poema a beleza deste instante. É fim de tarde. Daqui a pouco o sol, hoje sem fulgor, fará a sua despedida e os seus raios coloridos irão morrer atrás do horizonte. A brisa, soprando, irá esbater as minhas ilusões na areia da praia e a tarde chorar o teu silêncio, para poder ouvir o bater do teu coração.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Sono quebrado...
Voltei-me, convencido de que continuaria o sono que se quebrara. Encolhi-me no calor dormente e artificial da cama. Cerrei, teimoso, os olhos cansados. Aguardei, impaciente, a torpeza ansiada, mas o silêncio era demasiado atroz para conseguir embalar Morfeu nos meus braços.
Acordei com o coração pesado e com a sensação de vazio que me acompanhava, há muito, na dolência dos dias e das noites. De braços abertos à musica dos anjos lá onde o sol se anuncia descaído sobre o lado esquerdo do meu peito o coração bate a descompasso no sobressalto de um olhar apaziguador e limpo de tão intensamente arder. Peregrino de mim mesmo agora que a noite vai caindo na memória do tempo e que a lua procura refugio por sob a luz cintilante das estrelas, desperto do umbral do silêncio e salto dos lençóis brancos aturdido como o vôo de um pássaro ao nascer do dia. Um raio de sol rompe por uma fresta do meu quarto e queima o último instante do meu sono. Sabes, está uma manhã fria, com uma pálida névoa neste alvorecer onde no seu seio, sei, há passos de anjos embriagados pela memória de muitas outras noites passadas, quando o meu pensamento exultava na vertigem da tua recordação. Sinto a brisa gélida deste inverno onde tudo, está certo, salvo, talvez, a tua ausência. Sabes, este é um tempo sem tempo, onde o arfar secreto do silêncio que nos cerca, faz enganar as horas de uma separação que não quero. As últimas luzes apagam-se lá fora, pingos de chuva soprados pelo vento batem nas vidraças da janela anunciando porventura, a vertigem da solidão. Sou agora, por força do destino de dois amantes, uma folha de papel de incontidas palavras no lume deslumbrado desta manhã. Vou deixar de lado a loucura luminosa de uma paixão e, pintar aguarelas com pinceis de chuva intermitente para nelas perpetuar a luz do sol do teu sorriso, para deste modo dizer-te que te amo.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Destinos
Este estranho destino de estar longe obriga-nos a rever pedaços do passado por onde naufragam palavras, olhares e mistérios que o pensamento escreve em silêncio. Aqui onde o céu toca o rio e o azul escreve ausência, as árvores aninham-se com as palavras quando a noite chega de mansinho com pezinhos de lã. É então que o coração abriga todas as palavras que dançam escondidas, permitindo acreditar que o amanhã existe e que o destino me vai encontrar. Depois, palavras soltas, cheias de amor, deixam o lugar secreto das recordações e fazem-me acreditar que o destino existe. Mas será que existe mesmo o destino ou é apenas algo que vive dentro de nós, que envolve os nossos sentimentos e, que nos corre nas veias como a água gelada de um rio de emoções. A verdade é que o destino prende-nos, abraça-nos e muitas vezes incomoda-nos, obrigando-nos a partilhar sedentos silêncios e a acalmar o vento que nos agita a alma e, aí, o tempo por trás das palavras torna-se insuportável apenas nos apetece afagar o silêncio. Um dia subi num vôo fresco e aterrei na tua pele macia com perfume dos madrigais. Os dois quase tocamos o carrossel das nuvens e o azul quente da linha do horizonte mergulhando nesse rio mágico do amor. Fixas-te os meus olhos e de sorriso nos lábios disseste que se cumpriu o destino. É, entre aquilo que não sabemos e aquilo que não conhecemos, devemos sempre ficar com aquilo em que acreditamos. E eu acreditei. Cumpriu-se então o destino.
Assinar:
Comentários (Atom)


