quinta-feira, 25 de julho de 2013
Sono quebrado...
Voltei-me, convencido de que continuaria o sono que se quebrara. Encolhi-me no calor dormente e artificial da cama. Cerrei, teimoso, os olhos cansados. Aguardei, impaciente, a torpeza ansiada, mas o silêncio era demasiado atroz para conseguir embalar Morfeu nos meus braços.
Acordei com o coração pesado e com a sensação de vazio que me acompanhava, há muito, na dolência dos dias e das noites. De braços abertos à musica dos anjos lá onde o sol se anuncia descaído sobre o lado esquerdo do meu peito o coração bate a descompasso no sobressalto de um olhar apaziguador e limpo de tão intensamente arder. Peregrino de mim mesmo agora que a noite vai caindo na memória do tempo e que a lua procura refugio por sob a luz cintilante das estrelas, desperto do umbral do silêncio e salto dos lençóis brancos aturdido como o vôo de um pássaro ao nascer do dia. Um raio de sol rompe por uma fresta do meu quarto e queima o último instante do meu sono. Sabes, está uma manhã fria, com uma pálida névoa neste alvorecer onde no seu seio, sei, há passos de anjos embriagados pela memória de muitas outras noites passadas, quando o meu pensamento exultava na vertigem da tua recordação. Sinto a brisa gélida deste inverno onde tudo, está certo, salvo, talvez, a tua ausência. Sabes, este é um tempo sem tempo, onde o arfar secreto do silêncio que nos cerca, faz enganar as horas de uma separação que não quero. As últimas luzes apagam-se lá fora, pingos de chuva soprados pelo vento batem nas vidraças da janela anunciando porventura, a vertigem da solidão. Sou agora, por força do destino de dois amantes, uma folha de papel de incontidas palavras no lume deslumbrado desta manhã. Vou deixar de lado a loucura luminosa de uma paixão e, pintar aguarelas com pinceis de chuva intermitente para nelas perpetuar a luz do sol do teu sorriso, para deste modo dizer-te que te amo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário