quinta-feira, 11 de julho de 2013

Destinos

Este estranho destino de estar longe obriga-nos a rever pedaços do passado por onde naufragam palavras, olhares e mistérios que o pensamento escreve em silêncio. Aqui onde o céu toca o rio e o azul escreve ausência, as árvores aninham-se com as palavras quando a noite chega de mansinho com pezinhos de lã. É então que o coração abriga todas as palavras que dançam escondidas, permitindo acreditar que o amanhã existe e que o destino me vai encontrar. Depois, palavras soltas, cheias de amor, deixam o lugar secreto das recordações e fazem-me acreditar que o destino existe. Mas será que existe mesmo o destino ou é apenas algo que vive dentro de nós, que envolve os nossos sentimentos e, que nos corre nas veias como a água gelada de um rio de emoções. A verdade é que o destino prende-nos, abraça-nos e muitas vezes incomoda-nos, obrigando-nos a partilhar sedentos silêncios e a acalmar o vento que nos agita a alma e, aí, o tempo por trás das palavras torna-se insuportável apenas nos apetece afagar o silêncio. Um dia subi num vôo fresco e aterrei na tua pele macia com perfume dos madrigais. Os dois quase tocamos o carrossel das nuvens e o azul quente da linha do horizonte mergulhando nesse rio mágico do amor. Fixas-te os meus olhos e de sorriso nos lábios disseste que se cumpriu o destino. É, entre aquilo que não sabemos e aquilo que não conhecemos, devemos sempre ficar com aquilo em que acreditamos. E eu acreditei. Cumpriu-se então o destino.

Nenhum comentário:

Postar um comentário