sexta-feira, 23 de abril de 2010

Alter do Chão...mil águas de encantamento

Chegar na orla e ouvir os pássaros na sua cantoria matinal, sentir o sol a percorrer
cada recanto da nossa pele e,na simplicidade das suas gentes sentirmo-nos espiritualmente reconfortados é como se subitamente nós ousa-se-mos abrir os braços e nos apetece-se voar. Voar ao encontro da tranquilidade e dormir na areia branca e fina, acordando nas estrelas. Embevecido caminhei devagar em direcção á praia e pisei a areia. Só parei na rebentação das ondas do rio quando senti o frio da água molhar-me os pés. Sentei-me. As ondas morriam aos meus pés. Que bom sentir o cheiro do teu perfume e o deslizar dos dedos pela areia dos teus cabelos. O sol nascia lentamente no horizonte. Toquei numa alga abandonada mesmo ao meu lado, era escura castanha e me fez lembrar a cor dos cabelos da princesa das águas. Juntei um pequeno monte de areia, coloquei os limos fiz-lhe dois olhos e, a princesa sorriu-me. Ainda bem que Alter do Chão existe para poder ver a princesa sorrir. Quantos poemas de amor já foram escritos nas tuas águas e quanta magia se ouve no silêncio das tuas matas. É mesmo ali junto ás aguas do lago que quando a noite cai e a lua se esconde com vergonha, quando as estrelas do céu brilham mais e a mata se verga de inveja, que se fazem juras de amor eterno.
Prometo sempre em cada despedida voltar a disfrutar contigo Alter do Chão, novos doces momentos. Voltar a abraçar-te em silêncio, sentar-me nas tuas margens encantadas até que o sol dê lugar ao brilho da lua. E, será em todas essas luas repetidas, em cada noite de regresso, que a minha lua morena e nua voltará para os meus braços. Serenamente vou esperar no meu silêncio, por voltar a encontrar-te Alter do Chão.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Compartilhar

Compartilhar.È tempo de compartilhar. Compartilhar ideias, compartilhar a mesa, compartilhar conhecimentos. Nos tempos que correm ser voluntário para dar e receber é previlégio para muito poucos. O Centro Comunitário do Bairro do Aeroporto Velho tem no seu programa de actividades variadas actividades que proporcionam á comunidade o acesso á cultura e ao desporto. Sã convivio
para uma população carente a necessitar de beber na "fonte da cultura" o néctar precioso que abre as portas a um manancial enorme de conhecimentos, no dia a dia da vida de cada um de nós.
Nunca é tarde para aprender dizia o sábio do meu avô. É verdade digo eu. Aprender a mexer nestas coisas da internet é a meta. Difícil?, talvez. Mas com a mesma vontade com que o mês passado me aventurei a entrar no mundo reservado aos blogueiros, tambem agora na sala de aulas estarei atento ás recomendações e ensinamentos do Leandro. Tenho de saber tudo aquilo, que faz dos blogs a moda de quem tem a mania de escrever. Não quero mais que postagens...Layout's...etc...etc. façam parte do meu léxico de desconhecimentos. Tenho mesmo que saber, a par de importar fotos, importar as matérias que fazem desta minha aventura o navio para a travessia do tal mar de palavras.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O silêncio do rio

O meu presente é o silêncio, tempo suspenso. Hora de meditar.
Mesmo sem querer fui levado pela orla. O tempo faz escorrer as palavras.
O rio convida e a Nilce faz-lhe a vontade.Convite feito é tempo de pensar no tempo
e o "Meneguetti" faz-se ao rio. Vamos rumar ao sonho, à aventura de navegar.
Santarém vista do rio é uma pintura alegórica povoada por uma multidão multifacetada.
A lancha continua rio abaixo como um ser deambulando pela cidade das águas mil.
A sua silhueta misturada com os pingos da chuva e abençoada pelo sol reflecte-se nas
águas criando um jogo de espelhos. Os botos saúdam-nos mais á frente e a graciosidade
dos seus movimentos desenham a cidade que nasceu mesmo ali acariciando as águas.
O japonês prepara o churrasco, enquanto nós, surpensos no tempo, esquecemos as faces da multidão que percorre o quotidiano das ruas.Vejo e revejo os contornos da mata.
O rio sem fim é uma narrativa visual. As nuvens cinzas por cima, num céu que nos abraça,emprestam novas tonalidas confundindo-nos numa sucessão indeterminável de
planos e linhas. É o rio Tapajós em toda a sua magnitude. Chegou a hora deixar a solidão e mergulhar no churrasco. O japonês á muito que bateu na panela. O pessoal frenético junta-se á volta do assador. Indiferente á confluência dos rios Tapajós e Amazonas o "Menenguetti" lá vai falando com as águas e com os botos no regresso.Já a noite ia longa quando o último peixe caiu no balde. O "Menenguetti" atracou. O Jaime vai ter pena de se lembrar logo hoje de se armar é em mecânico.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Vem por aqui

" Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: " Vem por aqui " !
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre â minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós reponde
Por que me repetis: " vem por aqui " ?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil !
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cântigos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguem.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguem me dê piedosas intenções!
Ninguem me peça definições!
Ninguem me diga: " Vem por aqui" !
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí !
José Régio
(poeta portugues)

A rua Marajoara numa Santarem com chuva

Resolvi hoje escrever de novo.Com um suspiro entrei em casa, olhei a rua e, sentei-me.
Olho a minha rua e dou comigo a divagar e, por condescendência lá vem o meu Portugal á ideia.
Abro o pc e as habituais páginas dos jornais catapultam-me para lá do oceano na Europa onde a terra acaba e o mar começa. O Benfica ganhou ao Sporting. Lisboa esta noite deve ter cheirado a
sardinha assada. O PSD tem novo presidente a posse vai ser o habitual. Cor, solenidade, discursos e promessas...muitas promessas. Vem aí o mundial aqui como lá é saber se o Dunga convoca o Ronaldinho Gaucho. As habituais cantilenas repetidas sem alma, as falinhas mansas repetidas neste comboio descendente de lugares-comuns. Em Lisboa ninguem explica ao povo como a vida está cada vez mais complicada e no Rio de Janeiro só no monte do Bumba escorrem lágrimas por aqueles que um dia por necessidade deixaram o suor..o trabalho...as lágrimas e a vida debaixo
da terra que deveria ser tapete verde da esperança. Ninguem sabe explicar o medo difuso dos meus patricios brasileiros com a onda de violência que avassala nesta ou naquela rua nesta ou naquela cidade. Quem se chateia com mais uma morte em Lisboa com overdose de cocaina ou ainda...ou ainda...ou ainda. Vem ai o Mundial de futebol. O Brasil vai ganhar...Portugal vai ganhar
que interessa o resto. hà como é bom sentir a intensidade das pequenas coisas da vida, abrir a janela olhar a rua Marajoara e ver chover, sentir o cheiro da terra humida, ou olhar o céu do Pará. Ai como é bom sentir o aroma do café. Futebol?...caraca como é bom hoje começar a apreciar a vida.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O Alentejo aqui tão perto V

Sentia-se a brisa percorrer os cabelos desalinhados. Os botos mergulhavam e se preparavam
para nos deixar. O sol no horizonte percorria os ultimos metros de céu para que, qual lençol cor
de fogo desaparecer nas águas do rio. O rio esse, continuava dar o corpo para que o navio da minha esperança aporta-se a bom porto. Ali bem ao lado, cada galho do arvoredo da mata, modelada pela
mão de Deus, deixava transparecer no nosso olhar formas de bailarinas que num constante rodipiar
afugentavam espiritos maléficos da nossa imaginação.
O navio apitou tres vezes dando as boas noites ao rio e á floresta. Fez-se silêncio. Na amurada, sentado numa cadeira de baloiço e, deixando vaguear o pensamento pela noite e pelo silêncio, olhava as águas de prata beijadas pelo luar e a fantasmagoria da floresta, tentando, a cada momento, ver aparecer a princesa que um dia resolveu casar com o rio.
Fora um dia de constantes e surpreendentes surpresas. A viagem que para os habitantes destas paragens não passam da ligação entre o ser e o fazer, para mim foi algo que nem a imaginação
fértil de um qualquer aventureiro poderir construir. Ao meu Alentejo de terras agrestes de imensas planíces, onde o pão é ganho cada dia á custa do sofrer na pele a diferença do nascer na esteira, se contrapõe o verde da esperança, o azul do futuro e prateado do caminho da redenção.
É o Amazonas em toda a sua magnifica plenitude. É o Amazonas que ao longo de séculos tem funcionado como veia transmissora da seiva de todos os sonhos e, onde a alma de cada um daqueles que acreditam que o futuro está logo ali em cada curva do rio, se retemperam para a
aposta num mundo melhor.
O rio sorriu pela ultima vez neste dia.
É hora de adormecer.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

È hora do regresso

Vai sendo tempo de regresso....regresso ao mundo da água que sempre acalmou os calores do nosso amor....regresso ao tempo dos pássaros que á nossa volta cantavam os hinos da alegria de cada novo dia...regresso ás manhãs em que respirávamos o ar puro que o nosso rio enlevado pelo nascer do sol nas acariciava a face nos dando os bons dias...regresso ao passeio na calçada da orla, onde sempre jurámos que jámais deixaria-mos de nos olharmos nos olhos quando em comum planeásse-mos o nosso caminho futuro. O futuro está aí....a horas ...a dias de se concretizar. Hoje quero-te dizer como á tres anos atráz que quero que o meu futuro seja sempre a teu lado. Tal como á tres anos quero dizer-te que te continuo a amar da mesma forma e com a mesma intensidade.

Palavras

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.



Alexandre O'Nell

Niver... é quando o homem quizer...

Como diz o poema hà palavras que nos beijam como se tivessem boca...
é verdade o que diz o poeta. Palavras que são mensagens de amor
porque o amor sempre se encontra no meio das palavras. Palavras de esperança...porque a esperança sempre foi tudo no nosso amor...
sempre foi um rio de imenso amor. Em cada letra.....como em cada palavra...
em cada beijo...como em cada caricia... sempre...sempre as mensagens de
amor se encontraram na esperança daquilo que o futuro nos reservou...
amar com paixão. Palavras nuas...esperadas como sempre esperei, da
minha lua morena e nua.
É de noite, nesta noite que antecede mais um dia...
nesta noite no silêncio da lua, que te desejo felicidades neste renascer
de uma nova aurora. Com imenso amor...com uma louca esperança no dia que vai nascer que te beijo.