Sentia-se a brisa percorrer os cabelos desalinhados. Os botos mergulhavam e se preparavam
para nos deixar. O sol no horizonte percorria os ultimos metros de céu para que, qual lençol cor
de fogo desaparecer nas águas do rio. O rio esse, continuava dar o corpo para que o navio da minha esperança aporta-se a bom porto. Ali bem ao lado, cada galho do arvoredo da mata, modelada pela
mão de Deus, deixava transparecer no nosso olhar formas de bailarinas que num constante rodipiar
afugentavam espiritos maléficos da nossa imaginação.
O navio apitou tres vezes dando as boas noites ao rio e á floresta. Fez-se silêncio. Na amurada, sentado numa cadeira de baloiço e, deixando vaguear o pensamento pela noite e pelo silêncio, olhava as águas de prata beijadas pelo luar e a fantasmagoria da floresta, tentando, a cada momento, ver aparecer a princesa que um dia resolveu casar com o rio.
Fora um dia de constantes e surpreendentes surpresas. A viagem que para os habitantes destas paragens não passam da ligação entre o ser e o fazer, para mim foi algo que nem a imaginação
fértil de um qualquer aventureiro poderir construir. Ao meu Alentejo de terras agrestes de imensas planíces, onde o pão é ganho cada dia á custa do sofrer na pele a diferença do nascer na esteira, se contrapõe o verde da esperança, o azul do futuro e prateado do caminho da redenção.
É o Amazonas em toda a sua magnifica plenitude. É o Amazonas que ao longo de séculos tem funcionado como veia transmissora da seiva de todos os sonhos e, onde a alma de cada um daqueles que acreditam que o futuro está logo ali em cada curva do rio, se retemperam para a
aposta num mundo melhor.
O rio sorriu pela ultima vez neste dia.
É hora de adormecer.
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