segunda-feira, 6 de junho de 2011

Aquela noite na orla


Caminhava na orla deserta a meio da noite. O vento e a chuva faziam tremer os candeeiros da iluminação. Os edificios enfileirados do outro lado, tinham as janelas fechadas e o escuro das suas fachadas faziam crer que a hora era avançada. O rio estava revolto e a madeira do trapiche rangia com o movimento das ondas. Um barulho medonho ecuou na noite. Um relampago iluminou a rua e o trovão quase simultâneo fez cair no charco alguem que corria com os sapatos na mão. Pareceu-me que a figura tentava fugir de alguma coisa ou de alguém. Um trovão ribombou de novo. Depois fez-se silêncio. Respirei fundo e aconcheguei o corpo ao portão do armazém de plásticos. Continuava a chover copiosamente e, a iluminação provocada pelo clarão de novo relâmpago fez projetar na parede fronteira a sombra do fugitivo que de olhos esbugalhados , e respiração ofegante de medo,pingava copiosamente. Julguei ver um vulto enorme erquer-se do rio com uns olhos enormes e flamejantes. Senti as pernas tremerem de medo. E reparei que a figura largara os sapatos para melhor correr e vinha na minha direcção pedindo socorro. Parou exausto a meu lado e quase lhe ouvia o bater do coração ao mesmo tempo que senti algo roçar as pernas. Era o Toy. Que fazia ele ali e áquela hora da noite. Latiu e de olhos fixos em mim esperando a recompensa de lhe passar a mão pela cabeça como gostava. A hora não era de festas mas de medo. Estava todo molhado e além de medo começava a sentir frio. Novo relâmpago e o ribombar de novo trovão clareou a orla deixando antever que a noite ia ser dura. Fixei o olhar em tudo quanto era sitío na vã esperança de que a medonha criatura tivesse desaparecido. Estarrecido, com o coração ao pé da boca,e uma tremideira enorme que juntava os joelhos um ao outro vi uma enorme mão que se deslocava na nossa direcção e entreguei-me ao Criador. O Toy ladrou de medo. A criatura caiu aos meus pés sem um gemido e, quando vi a mão descomunal perto dos meus olhos a orla desapareceu da minha visão. Ouvi um grito e senti um abanão no braço. Era a Néia que me gritava que já eram horas de sair da cama. Tinha que ser rápido ou perdiamos o ónibus para ir ao centro ás compras. Caraca que noite.

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