
Percorria a orla da praia naquele fim de dia quando a luz do dia a morrer, empalidecia a areia da praia junto á água do rio e as ondas beijavam de mancinho a areia branca e fina. A brisa suave fazia cair aos meus pés as folhas mortas do arvoredo. Ao longe era nitido o som do rio no bater das ondas, fazendo chegar aos meus ouvidos uma sinfonia que os dedos de uma sereia dedilhavam nas cordas de uma harpa ferida pelo vento. Era tempo ideal para que a poesia corre-se pela areia e chega-se aos lábios da princesa do rio para que num beijo lânguido ela se despedi-se do dia e mergulha-se nas águas profundas. Uma borboleta voava á minha frente desaparecendo súbitamente através dos mangueirais. Sentia-se no ar o perfume das flores e o som frenético de um rádio de pilhas de um último veraneante a desaparecer no alto da escadaria que liga a areia ao asfalto. Neste princípio de noite mágico, as mãos pagam os prazeres dos ouvidos e dos olhos numa prolongada salva de palmas á natureza. Nesta praia maravilhosa todos os dias o perfume das exalações tépidas das águas faz adormecer quem a visita e os namorados na penumbra de um luar romântico vêm contar as estrelas do céu amando-se até a madrugada despertar e o voo razante das garças anunciar o novo dia. Depois nesta bela noite fresca ,de lua cheia e céu estrelado, é bem agradavel um passeio pelo areal imaginando os prazeres do dia e os mil toques dos lábios apaixonados, fazendo-nos zaguezaguear por entre as sombrinhas fechadas como os colibris entre as flores á procura de sugar o seu mel. È assim Alter do Chão com o brilho fascinante de mil cores, uma criação poética criada por Deus para exprimir o canto d’alma de quem a percorre nas noites de luar.
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