sábado, 11 de junho de 2011

Por esse Tapajós a dentro


A lancha segue adiante, majestosa e lenta, descrevendo uma bela curva no espelho de água e faz-se ao rio apressando a marcha. Rio que se estende manso e translúcido num manto de areia fina por entre o arvoredo da mata amazónica. E enquanto o “Meneguetti” desaparecia na primeira curva do rio , Santarém ficava para trás. Subir o Tapajos é como subir o paraíso transplantado para o Brasil, tal a opulência da natureza que os nossos olhos difÍcilmente esquecerão. O céu estendia-se azul com alternadas estrias esbranquiçadas. Havia uma alegria geral a bordo e sentia-se um odor delicioso da comida que a Néia cozinhava, misturado com a brisa serena que vinha do rio, a mesma brisa que fazia ondular o pavilhão brasileiro na mastro do “ Meneguetti”. Imensas aves ribeirinhas ostentanto a sua plumagem garrida e multicolor, voam entre a lancha e a margem numa contradança animada, oferecendo aspectos lindíssimos. Estava calor. O sol tinha uma cor baça com um aro azulado á sua volta. O arvoredo nas margens ondulava levemente. No convés da lancha soaram boas gargalhadas filhas do inalterável bom humor de todo o pessoal, entre oa quais os irmãos do Jaime que do Paraná vinham em visita a Santarém. Percorrer o rio Tapajós é conhecer um dos mais belos panoramas que se pode imaginar, por isso todos os olhos se fixavam no verde do arvoredo e no espelho mágico do rio tranquilo como se fosse um imenso lago de cristal. Um pedaço de céu azul, o mesmo céu azul que nos tem acompanhado desde Santarém entrou lancha a dentro quando a Néia nos chamou para o almoço. Uma galinhada acompanhada por um tinto português estratégicamente escolhido para o efeito. A floresta prolonga-se a perder de vista, deslumbrante, como um quadro encantado de um qualquer pintor. Percorrer o rio Tapajós é conhecer um dos mais belos panoramas que se pode imaginar. A alma como se dilata em estranhas combinações de cor e luz. Chegámos ao destino. Atracamos numa praia deserta ao largo de Alter do Chão. Depois das manobras de atracação todo o mundo pulou na areia fina e mergulhou nas águas tépidas e transparentes do Tapajós. Durante algum tempo caminhei nos trilhos marcados na areia e embrenhei-me por debaixo das ramagens dos mangueirais recebendo na face a caricía das folhas tenras. Ao longe ouvia-se o badalar do sino da igreja, e numerosas embarcações transportavam veraneantes para as praias da ilha fronteira á cidade.Parei súbitamente e reparei em tudo o que me cercava, a água, a areia e a floresta, fazendo-nos sentir um misterioso fluído, cujos efeitos se traduz em voluptuosas sensações e secretos desejos de posse da natureza. Já a tarde caía quando recolhemos muito lentamente á lancha para o nosso regresso. O “Meneguetti”, diluido na escuridão da noite, aproado á correnteza que descia rio abaixo acenava a Santarém com a sua luzinha palpitando á brisa suave que se fazia sentir no convés. Um passeio demolidor. Uma viagem pra sempre recordar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário