Nos momentos que antecederam o pouso do avião em Belém, respirei fundo, fechei os olhos e pensei em ti. A primeira imagem foi o teu sorriso a perdurar para lá da vidraça do aeroporto. Era outono, com um suspiro olhei as tonalidades á nossa volta, e na vastidão da cidade adormecida reinventei a cor do amor oferecendo-te o meu sorriso, a minha memória, os meus sonhos. No taxi que nos levou do aeroporto ao hotel, entre o barulho do vento e o sobressalto de um trovão atei as minhas mãos ás tuas, senti nos teus lábios o sabor da pele salgada a nas nossas mãos a humidade do orvalho das madrugadas. Os teus cabelos cheiravam a violetas e navegavam no meu rosto ao sabor do vento. Nas costas senti o beijo frio da brisa que vinha através da janela meio aberta do táxi.O banco traseiro foi colchão improvisado para o nosso primeiro beijo. Mostrei-te, timidamente, as tonalidades liquidas da minha alma. Os meus olhos desenharam flores nos teus, bem lá no cimo junto á lua que nos acompanhava na viagem. Fechando-os iria jurar que via o arco-irís, e que para lá dele avistava as gaivotas voando no céu azul. Depois foi a volúpia azul da maresia nos nossos rostos, o cheiro dos restaurantes das docas, o perfume das flores da marginal e, as orações á Senhora da Nazaré. Hoje ainda sinto as tuas mãos nas minhas, os teus lábios nos meus e, da mão que tremia quando esvoaçava ao encontro da tua. Lembro a noite comprida do primeiro encontro, a palma da minha mão tocando lentamente o teu corpo e o êxtase daqueles momentos sublimes. Hoje, sinto quatro anos depois, que o meu coração é teu.
sábado, 5 de março de 2011
O primeiro beijo...em Belém
Nos momentos que antecederam o pouso do avião em Belém, respirei fundo, fechei os olhos e pensei em ti. A primeira imagem foi o teu sorriso a perdurar para lá da vidraça do aeroporto. Era outono, com um suspiro olhei as tonalidades á nossa volta, e na vastidão da cidade adormecida reinventei a cor do amor oferecendo-te o meu sorriso, a minha memória, os meus sonhos. No taxi que nos levou do aeroporto ao hotel, entre o barulho do vento e o sobressalto de um trovão atei as minhas mãos ás tuas, senti nos teus lábios o sabor da pele salgada a nas nossas mãos a humidade do orvalho das madrugadas. Os teus cabelos cheiravam a violetas e navegavam no meu rosto ao sabor do vento. Nas costas senti o beijo frio da brisa que vinha através da janela meio aberta do táxi.O banco traseiro foi colchão improvisado para o nosso primeiro beijo. Mostrei-te, timidamente, as tonalidades liquidas da minha alma. Os meus olhos desenharam flores nos teus, bem lá no cimo junto á lua que nos acompanhava na viagem. Fechando-os iria jurar que via o arco-irís, e que para lá dele avistava as gaivotas voando no céu azul. Depois foi a volúpia azul da maresia nos nossos rostos, o cheiro dos restaurantes das docas, o perfume das flores da marginal e, as orações á Senhora da Nazaré. Hoje ainda sinto as tuas mãos nas minhas, os teus lábios nos meus e, da mão que tremia quando esvoaçava ao encontro da tua. Lembro a noite comprida do primeiro encontro, a palma da minha mão tocando lentamente o teu corpo e o êxtase daqueles momentos sublimes. Hoje, sinto quatro anos depois, que o meu coração é teu.
quinta-feira, 3 de março de 2011
A cana...o açucar e a nova experiência
Maringá,14 horas. A Nilce afivelou o cinto de segurança do jeep e lá fomos a mais uma descoberta. Tinha uma ideia vaga de como seriam os canaviais. Surpeendeu-me a imensidão. O sol envergonhado, naquela manhã chuvosa ajudou a desbravar caminhos. Sómente o engano da Nilce na rota para a usina veio baralhar. Aqui e ali raios de sol rasgavam os canaviais e deixavam ver o serpenteado da estrada. As borboletas coloridas ensaiavam um ritual estranho dançando em circulos mais ou menos regulares á nossa volta. A chuva parou. O céu cabia inteiro numa poça de água e os pássaros voavam á nossa volta quando chegámos ao nosso objectivo. O Wilson simpático Director da usina compartilhou connosco o seu tempo dando-nos as boas vindas e as primeiras explicações sobre o cronograma da empresa e os seus objectivos. Um video ajudou a perceber a grandeza da Usacucar. 8 usinas fazem parte do grupo da familia Meneguetti. A visita iniciou pelo laboratório da usina. Testa-se a qualidade do açucar, a graduação do alcoole, e as demais vertentes para o plantio da cana. O Engº Director de Produção foi simpatiquitissimo connosco explicando as várias fases da produção. Desde as enormes bocarras que engolem a cana para triturar , até aos tanques de recolha e armazenagem é um mundo de ferro e aço. Pareço sentir ainda na ponta dos dedos o cheiro da cana esmagada. Um rio interno de melaço percorre um sem fim de tubagem até aos tanques, e uma enorme central de produção de energia garante á unidade total independência quando a mesma está em pleno funcionamento. A maioria da produção anual de açucar vhp é para exportação. A automatização e um quadro de colaboradores altamente especializado honra o passado, e certamente garantirá o futuro da empresa. Esta visita á Usacucar foi mais uma lição de vida. O meu muito obrigado a todos os que me proporcionaram aprender mais um pouco
Fado é amor

Como explicar aos meus amigos brasileiros que fado é amor. Que fado é saudade. Que fado é destino. Um dia destes explicava numa rodada de amigos, que ouvir cantar o fado é sentir a emoção e o sentimento. Ao cantar o fado fecham-se os olhos, olha-se para dentro, sentem-se as emoções. O fado dizia eu ao meu amigo, é uma canção que representa , dizem, a alma portuguesa e canta o seu destino. Ele concordou, sem contudo de me perguntar porquê uma cançao triste na maneira de ver dele. Os sentimentos, os desgostos de amor, a saudade da terra quando se está longe, e até mesmo a alegria de um regresso programado são motivos para serem cantados no fado. O fado era e é um simbolo português. Hoje é uma música do mundo e é escutado em silêncio por platéias embevecidas. O fado continua por isso, contra os seus delatores, a projectar Portugal para além das suas fronteiras e a levar a cultura portuguesa um pouco por todo o mundo. Ouvir o fado á luz das velas, no silêncio de uma viela lisboeta é uma experiência única. Silêncio...tocam as guitarras. Vai-se cantar o fado!
quarta-feira, 2 de março de 2011
Saudades do Brasil em Portugal

O sal
Das minhas lágrimas de amor
Criou o mar
Que existe entre nós dois
P'ra nos unir e separar
Pudesse eu te dizer
A dor que dói dentro de mim
Que mói meu coração
Nesta paixão
Que não tem fim
Ausência tão cruel
Saudade tão fatal
Saudades do Brasil em Portugal
Meu bem
Sempre que ouvires um lamento
Crescer desolador na voz do vento
Sou eu em solidão pensando em ti
Chorando todo o tempo que perdi
Vinicius de Morais/Homem Cristo
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Janelas

Da minha janela vejo tudo. Vejo o mundo, vejo a rua, e vejo as flores da tia Matilde. Da minha janela vejo o Zé pular a janela da Rita nas noites de lua cheia e como sempre, fico a olhar com ansiedade a tua. Á espera de te poder ver. Á espera de te poder rever. Como lembro as flores por baixo da tua janela onde um rouxinol deixava as melodias que nos faziam sonhar. A tua janela bem na frente da minha era muitas vezes fonte da minha inspiração. Era por ela que eu tentava imaginar-te naquelas noites em que te refugiavas do mundo e de mim. Relembro as noites em que as melodias do fado te contagiavam em serenatas de nostalgia. Foi sempre através da minha janela de madeira escura ,que o teu beija-flor me vinha trazer as tuas mensagens perfumadas. Era tambem através da minha janela que te enviava os sinais que serviam de elo de ligação aos nossos encontros. A tua janela tinha o poder do silêncio, a minha, a convulsão da ansiedade. Duas janelas que o destino não quiz juntar. Talvez a distância entre as duas tivesse sido o obstáculo á concretização do amor. Sempre pensei que o amor não tinha forma, cor, ou que era transparente. Enganei-me. O tempo e a distância matam o que deveria ser eterno. A tua janela deveria ter ficado mais perto da minha. Os teus lábios mais perto dos meus. Adorava ver os teus cabelos negros esvoaçarem sob a brisa quando nas noites de luar te debroçavas na janela. Isso bastava-me. Talvez te ama-se, nunca pensei sériamente nisso. Tentava de longe ler-te a alma procurando que aos poucos o teu coração se fosse abrindo e que derradeiramente se prende-se a mim. Sempre esperei que os teus olhos se abrissem como uma flor ao sol, esperava-te sem esperar nada. Eu ficava-te olhando, com um olhar cheio de nada. Um dia senti um arrepio na espinha, a janela fechou-se. A minha e a tua...pra sempre.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Douro...a minha paixão


Meu Douro, meu amante meu encanto, que em cada regresso vejo-te sorrir e iluminar os meus dias enchendo-me a teu lado de felicidade. Juntos já vivemos momentos intensos. Rimos e choramos. Abraçámo-nos com o conhecimento do céu, cheirando a terra na primavera e adocicando os lábios no Outono. Meu Douro dos poetas, dos apaixonados e dos sonhadores. Quantos misturando os sons do amanhecer nas tuas montanhas juraram amores impossiveis ou derramaram lágrimas de sofrimento. Meu Douro dos vinhedos sem fim que me faz flutuar nesse imenso oceano de verdes tonalidades, que abraço em cada curva com sofreguidão serena. Meu Douro dos contornos impossiveis , onde os homens em momentos de fé e esperança, fazem novas promessas á vida. Quando percorremos os teus caminhos, sentimos o calor encher-nos a alma fazendo-nos imaginar e desejar o teu sabor. Meu Douro, meu amante, minha paixão , meu Douro de tonalidades brilhantes e insinuantes, que aos fins de tarde mistura aguarelas de mil cores. Meu Douro da fadiga e do suor humano cuja vida ingrata nem por isso deixa de fazer sorrir de prazer seus habitantes. Meu Douro encantado das vindimas e do vinho, dos passeios pelo rio e do cheiro a perfume. Meu Douro romântico das festas e romarias e do prazer de receber bem das suas gentes. Meu Douro de rio e pedra, da neve das amendoeiras e do azul dos teus olhos. Meu Douro meu rio meu encanto, de espectaculos visuais memoraveis em cada curva do teu curso. Meu Douro de evasões e perdições vou espreguiçar-me nos teus braços para sonhar acordado e o silêncio me responder de novo.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Alentejo...meu irmão

Manuel Justino Ferreira, nasceu em Portugal no Alentejo , na minha cidade, Montemor-o-Novo em 1928, homem de mil actividades dedicou muito da sua vida á cultura, nomedamente como poeta , músico, radealiste e actor de teatro. Participei com ele em algumas destas actividades onde criámos forte amizade. Faleceu em Outubro de 2002. Só depois da sua morte um grupo de amigos viria a publicar um livro com os seus poemas . É desse livro, “ Poeta que parte...Poemas que ficam “, e em sua homenagem, que extraí o poema que deixo no meu blog. Oportunamente darei a conhecer outros poemas do mesmo autor.
Tem nos olhos um sol posto
A despedir-se da vida!
Cada ruga do seu rosto
Foi uma esperança perdida!
Ficou deserta a aldeia,
Até o ribeiro secou!
Mar d'angustia em maré cheia,
Onde o futuro naufragou!
Do velho monte sem porta,
A solidão é vizinha...
E nos canteiros da horta,
Só cresce a erva daninha!
Alentejo...imensidade,
Respirando quase a medo!
Alentejo...liberdade
Para viver no degredo!
Minha açorda de poejo,
Meu bolo de requeijão!
Meu velho, meu Alentejo,
Meu poema...meu irmão!
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