
Ainda me lembro do tempo em que a minha avó me levava para a casa do pão situada no quintal da nossa casa no Torrão. Era uma festa. Logo que ela abria o saco para tirar a farinha para o alguidar, onde com mãos ágeis amassava a farinha, o fermento e água, eu pintava a cara de modo a parecer um verdadeiro padeiro. A minha avó Anica sorridente, iniciava este ritual todas as semanas, para que nunca falta-se pão na mesa da familia. Depois de batida a massa , era a vez de serem separados os pães de quaze dois kilos que ficavam num taboleiro a levedar. Enquanto a lenha crepitava no forno, a avó Anica ensinava-me a musica da “ Rita arredonda a saia” e a “ Casa do mestre André” canções tradicionais portuguesas que ainda hoje passam de boca em boca. Depois da massa levedada era a vez de ver a destreza da avó Anica, com uma enorme pá de madeira, enfiar um a um todos os pães dentro do forno. O momento súblime e mais esperado por mim era quando ela introduzia dentro daquela enorme boca de fogo ,a minha merendeira de pão com chouriço para cozer. Tal como a matança do porco, a feitura do pão era uma festa e um momento de confraternização familiar. Lembrei-me destes momentos porque o tempo é outro, o local é bem distante do quintal da avó Anica no Torrão, e o protagonista da mão na massa é outro. A festa é a mesma, as mãos do Valde são diferentes das mãos da avó e o forno não tem aquela bocarra assustadora, mas o ritual aqui em Santarém da feitura do pão mantem o mesmo sortilégio. Nem eu canto nem o Valde canta e até o Toy se mantem calado para escutar-mos os cd’s de forró que um após outro passam no lata-velha trazido de Portugal. Não hà pão de dois kilos e a merendeira com chouriço nem vêla, nas a prova e a disputa pelo pãozinho quente mantêm-se.
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