terça-feira, 20 de agosto de 2013

A magia da brisa

Virei-me  de costas sobre as tábuas do trapiche, fitei o céu por cima de mim e dei comigo a pensar em ti. No fio do horizonte era ainda possível distinguir os últimos raios de sol a desaparecerem. As estrelas começavam a brilhar no céu. Procurei o teu olhar. Fechei os olhos, e no silêncio tentei ouvir a tua voz. Solitários rumores das ondas batendo nas tábuas do trapiche foram os únicos sons daquele principio de noite. Vagarosamente, calado, caminhei ao longo da orla ouvindo os sons noturnos e expiando o rio. Enquanto caminho, caminha comigo o teu rosto. Vejo-o no limbo do meu sonho, estendo a mão na noite e toco-lhe nesta eternidade feita de pontes de saudades. O rio como se adivinha-se  a minha solidão vem beijar-me os pés na companhia do pio das gaivotas. Aqui entre o rio e a floresta, por entre a folhagem da vida navegam os sonhos que me levarão ao teu regaço. A noite abre os olhos com ternura. A magia da brisa acaricia o meu rosto e finalmente eu sinto o teu rosto junto ao meu.

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