Virei-me de costas sobre as tábuas do trapiche, fitei
o céu por cima de mim e dei comigo a pensar em ti. No fio do horizonte era
ainda possível distinguir os últimos raios de sol a desaparecerem. As estrelas
começavam a brilhar no céu. Procurei o teu olhar. Fechei os olhos, e no
silêncio tentei ouvir a tua voz. Solitários rumores das ondas batendo nas
tábuas do trapiche foram os únicos sons daquele principio de noite.
Vagarosamente, calado, caminhei ao longo da orla ouvindo os sons noturnos e
expiando o rio. Enquanto caminho, caminha comigo o teu rosto. Vejo-o no limbo
do meu sonho, estendo a mão na noite e toco-lhe nesta eternidade feita de
pontes de saudades. O rio como se adivinha-se a minha solidão vem beijar-me os pés na
companhia do pio das gaivotas. Aqui entre o rio e a floresta, por entre a
folhagem da vida navegam os sonhos que me levarão ao teu regaço. A noite abre
os olhos com ternura. A magia da brisa acaricia o meu rosto e finalmente eu
sinto o teu rosto junto ao meu.
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