Longe vão os tempos em que com muita antecedência se
começava a preparar as férias, como sempre, em Porto Covo. Éramos poucos a usar as
delicias de uma paisagem que a grande maioria dos portugueses desconhecia. Era
ali onde elevadas temperaturas e um sol dourado a par das delicias do recortado
da costa me deixava envolver num “dolce
fare niente “ que convidava á moleza e ao desprendimento depois de um ano de
trabalho. Comecei a ir para Porto Covo quando os meus filhos ensaiavam os
primeiros passos. O local aprazível e
protegido pelas arribas tornara-se com o passar dos anos num ritual. Em Porto
Covo conciliava-se a harmonia da paisagem com o descanso do corpo. Uma química
especial envolvia tudo e todos tornando-se
diariamente num ritual os atos próprios
de um acampamento. Ali, alheios á ditadura dos horários aprendia-se a amar a natureza, a ouvir o som
das pedras e o cantar do mar. Do alto das falésias de Porto Covo buscava o sol,
procurava perpetuar os dias e acalmava com o movimento ancestral das marés
ficando assombrado com o entoar da sua
melodia. Como era bom deixar-nos cativar pelos aromas do lugar, pelos
labirintos das rochas, pelas conversas dos pescadores nos fins de tarde, alicerçadas
em mil e uma histórias ao longo de uma vida dura no mar. Foi ali, quando o
gigante estava adormecido, que os meus filhos aprenderam a nadar. O espírito do
local invadia tudo e todos fazendo-nos sentir
um equilíbrio e uma paz interior para nos preparava para á noite na
taberna do “Tio Xico” termos as
habituais rodadas de amigos em volta de um baralho de cartas e uma cerveja
gelada, misturada com boas gargalhadas. No último dia sentado num rochedo
debruçado sobre o mar era altura de olhar já saudoso o horizonte e marcar
encontro para daqui a um ano. Então com a bagagem da solidão a tiracolo era
hora de voltar a casa.
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