quinta-feira, 15 de agosto de 2013

As férias em Porto Covo

Longe vão os tempos em que com muita antecedência se começava a preparar as férias, como sempre,  em Porto Covo. Éramos poucos a usar as delicias de uma paisagem que a grande maioria dos portugueses desconhecia. Era ali onde elevadas temperaturas e um sol dourado a par das delicias do recortado da costa me deixava envolver num  “dolce fare niente “ que convidava á moleza e ao desprendimento depois de um ano de trabalho. Comecei a ir para Porto Covo quando os meus filhos ensaiavam os primeiros passos. O local aprazível  e protegido pelas arribas tornara-se com o passar dos anos num ritual. Em Porto Covo conciliava-se a harmonia da paisagem com o descanso do corpo. Uma química especial envolvia tudo e todos  tornando-se diariamente  num ritual os atos próprios de um acampamento. Ali, alheios á ditadura dos horários  aprendia-se a amar a natureza, a ouvir o som das pedras e o cantar do mar. Do alto das falésias de Porto Covo buscava o sol, procurava perpetuar os dias e acalmava com o movimento ancestral das marés ficando assombrado com  o entoar da sua melodia. Como era bom deixar-nos cativar pelos aromas do lugar, pelos labirintos das rochas, pelas conversas dos pescadores nos fins de tarde, alicerçadas em mil e uma histórias ao longo de uma vida dura no mar. Foi ali, quando o gigante estava adormecido, que os meus filhos aprenderam a nadar. O espírito do local invadia tudo e todos fazendo-nos sentir  um equilíbrio e uma paz interior para nos preparava para á noite na taberna do “Tio Xico” termos  as habituais rodadas de amigos em volta de um baralho de cartas e uma cerveja gelada, misturada com boas gargalhadas. No último dia sentado num rochedo debruçado sobre o mar era altura de olhar já saudoso o horizonte e marcar encontro para daqui a um ano. Então com a bagagem da solidão a tiracolo era hora de voltar a casa.

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