quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Agora moro aqui
Aqui onde o céu toca a floresta, aqui onde o azul escreve ausência quando a noite se deita. Aqui quase no limiar do mundo moro eu. Moro em uma rua onde a ausência da cal nas paredes não queima os ossos nem resseca a pele. Aqui onde se tenta adivinhar realidades frágeis, partilhar gotas de chuva e sedentos silêncios. Uma rua onde existe chuva onde não passamos em determinados invernos e mulheres que guardam no coração sorrisos e palavras não guardadas nos sonhos ao cair da tarde. É nesta rua, por uma nesga de céu que vivo, amo e escrevo no silêncio o quotidiano em forma de alegria. É uma rua de contrastes e de trastes, uma rua de sorrisos tristes, de mãos que oferecem cores ou de olhares de solidão de vozes que se atropelam. São tantos os carros que passam, tantos os enigmas por descobrir. A minha nova rua é assim. Tem velhos que erram as palavras no tempo e crianças que descem a ladeira do seu mundo para se encontrar com as outras na escola ao fundo da rua. A minha nova rua é um céu aberto numa reta de altos e baixos feita de emoções. Uma rua de náufragos em que cada um está entregue ao seu destino. Muitas vezes percorro as quadras ao meu redor. Gosto de sentir o respirar das árvores no silêncio anônimo de quem passa. Ainda não conheço toda a rua mas sei que lhe vou conhecer todos os mistérios. Ao longo do dia, vejo passar inúmeros transeuntes solitários com sonhos que a vida não deixou guardar, soletrando o vento que lhes agita as almas. Saio muitas vezes pela minha rua, devagar, soletrando o silêncio das paredes nuas que o tempo deixa transparecer. É esta a minha nova rua. Rua onde as manhãs desejam abraços, nas noites se desejam cansaços e nas madrugadas se escrevem canções de amor. Um único senão, fica longe do rio que amo embora o sinta pela brisa que pela manhã percorre o meu interior. É assim que vivo na minha nova rua. Só podia ser assim.
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