Na noite de sexta para sábado acordei como de costume ás 6
da manhã. Apeteceu-me fazer uma coisa fora de propósito, ir ver nascer o sol em
Santarém do alto do mirante. Vesti o fato de treino e lá fui. A luz do dia
começava a distinguir o contorno da floresta junto ao rio. Consegui chegar ao
mirante sem o sol nascer. Perto não se distinguia o vulto de ninguém. Um
silêncio magnífico. Nem um cão ladrava. Só o pequeno coro dos pássaros no
carramachão do mirante entoavam estrofes
para se acordarem uns aos outros. Fiquei quieto, com uma serenidade incrível
assistindo aquele ritual diário de os raios de sol despontarem no fio do
horizonte. O nascer, tal como o pôr do sol em Santarém é lindo. Está dentro de
cada um de nós dar valor ás pequenas coisas da vida, aos pequenos gestos do
quotidiano como o nascer do sol. Quanta gente fica indiferente as belezas da
natureza, ao sortilégio de mil milagres com que diariamente somos confrontados.
O sol aos poucos subia no horizonte. O dia ia estar bonito. Quando cheguei a
casa o sol já ia alto. Os raios batiam na porta e entravam pelas frinchas das
janelas como uma roseira florida. Um pintassilgo empoleirou-se na minha janela,
acho que cantava dando-me os bons dias.
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