segunda-feira, 12 de maio de 2014
A Gaveta dos Papeis
Na gaveta onde guardo os papeis, descobri um ramo de silêncios com que escondi uma noite sem palavras. Palavras frias e esquecidas. As palavras, os caminhos e os sonhos. E, enquanto a espera se estende, e se esbate a penumbra da tua ausência, volto aos papeis, ás palavras. Pudera eu esgotar os sentimentos como se gastam as palavras e não sentiria a solidão impregnar-me a alma enchendo páginas onde as lágrimas não secam. Na noite há sempre um vácuo invadindo o meu quarto obrigando as palavras a um silêncio inexplorável a um natural borrão de tinta preta. Hoje é diferente. Como num sopro de magia quero, eu e tu, sorrir. Com as palavras claro. Como na queda da primeira pétala de uma rosa, deixo nos teus lábios um beijo. Um beijo terno. Doce. Pra que brotem muitos mais neste degredo de solidão. Solidão enquanto não te tenho nos meus braços, solidão enquanto não provo o mel do teu corpo nesta vontade úmida de te ter. Naturalmente vais deixando o teu rasto na ausência destas noites em que te escrevo, em que te recordo, em que te possuo. Até um dia. O dia em que a rota proibida dos sonhos chegará ao fim e, tu finalmente serás minha.
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