sexta-feira, 23 de maio de 2014
A Princesa do Rio
O presente escorria-me pelas mãos como a água do rio que tentava carregar da beira até a areia seca na praia. Parei subitamente entre as ondas e deixei o presente relembrando o passado. Momento intenso do qual fiz questão de guardar as lágrimas. Recordar-te era afinal tudo ou quase nada. Devia ser amor acumulado e, de repente não mais que de repente , senti a tua mão na minha, o sopro dos teus lábios nos meus, e tomei o gosto salgado das tuas lágrimas. O rio serenou, o tempo paralisou e foi preciso isso para entender como a minha vida estava fora do lugar, estava fora do tempo. A minha vida não estava agitada estava parada e eu tinha tanto para te dizer e tanto tempo para te ouvir. O vento soprou de novo e as folhas voaram, as algas enroscaram-se nos pés e o fantasma da tua imagem no meio das ondas sorria para mim. Senti um frio que me arrepiou a nuca e as tuas palavras dolorosas entraram dentro de mim rasgando-me como um vendaval intocável. Era uma noite solitária, única. O vento cantava por cima dos mangueirais. Cada minuto que passava martelava o meu pensamento, era a lembrança da tua imagem a martelar-me na solidão. Senti os pingos que caiam na folhagem, não está chovendo, eram as lágrimas da saudade que me percorriam a face tombando de encontro ás ondas que beijavam sem cessar a areia da praia. Eram lágrimas de medo por te perder?...eram lágrimas de desespero por te sentir longe?...ou lágrimas de solidão por estar só?. Parece que falta um pedaço de mim. Quero ser feliz e voltar a sonhar. Quero voltar a mergulhar as mãos no rio e de novo encontrar a princesa das águas.
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