terça-feira, 2 de abril de 2013

Nasceu a Vallentina

A vida não pára de girar, tal como a história que tem sempre um ponto de partida e uma hora de chegada. O ponto de partida foi um desejo sentido à muito, o de chegada a concretização desse desejo. Foi a vida da Vallentina que se iniciou enchendo um berçario de cor , e de encantamento o rosto da Chatiucia e do Valério. A cegonha voando no quarto 205 marca uma nova era na vida de quem tanto quis este ato de amor e ternura, quiçá o mais importante das suas vidas. Na incubadora aquele doce anjo lutou, qual leoa corajosa, para que o sorriso da Cati volta-se a renascer no seu rosto e os olhos deixassem o vermelhão de preocupação. Agora tudo vai mudar a começar pela rotina do dia a dia, as mamadas,as trocas de fraldas, o dormir pouco , o abrir mão da liberdade pessoal em troca do encantamento de ter a filha nos braços e, do sorriso da Vallentina. As palavras são muitas vezes feitas daquilo que mais desejamos. Trocam-nos, emocionam-nos, divertem-nos ou simplesmente transmitem um estado de alma. É esse estado de alma que me leva a escrever estas linhas Cati e Valério. Debaixo da pele sinto um formigueiro de emoção e de alegria de poder comungar com vcs este doce, este maravilhoso momento. O destino hoje fez história. Finalmente Deus possibilitou-vos sentir o poder da ternura e do afeto.

Reconhecimento ao Mérito

Vallério estou muito contente por ter podido acompanhar-te em mais um momento ímpar que vai marcando a tua vida profissional como militar. Sei quanto intimamente esta promoção te enche de orgulho embora saiba quanto gostas de esconder as tuas emoções. Como tu próprio tens assumido, as bases de uma ação interventiva de sucesso,mesmo em tempos agitados (como a atual campanha eleitoral) e de mudanças rápidas,terão de consistir sempre no diálogo, na liderança e na moderação. Tem sido essa a tua postura Major Vallério ao longo da tua carreira que só te dignifica e enobrece. Tem sido fácil ao longo do tempo que nos conhecemos perceber o fascínio que sobre ti exercem as experiências de uma sociedade dinâmica, de um espaço público amplo e de uma vida pública cheia de vitalidade e de sentido de empenhamento comunitário multiforme, que te têm deixado marcas no teu caráter e na tua formação profissional. A defesa intransigente dos valores morais da vida humana concedem-te uma especial capacidade de visão e de liderança. Faço votos para que o agora Major Vallério possa continuar quer na sua privada quer na sua vida acadêmica e profissional a fomentar o entendimento tendo por base a serenidade reflexiva, desempenhando um papel importante na vivência tranqüila e, na consolidação da paz na sociedade santarena. Tu estás num ramo de atividade que te aumenta a tua responsabilidade em responder da melhor forma aos desafios deste presente conturbado, mas como sei que olhar em frente tem sido o teu caminho, também sei que o sucesso fará parte do teu percurso como militar por isso parabéns por esta promoção e até daqui a algum tempo quando te abraçar no dia da promoção a Tenente-Coronel.

Anda vem comigo

Anda. Vem comigo. Vamos agarrar os dias, as manhãs e as madrugadas. Vamos voltar a subir o rio, dançar ao vento, amarmo-nos na areia branca á sombra dos mangueirais. Vem comigo. Deixa ouvir de novo a tua voz. Ajuda-me a limpar a tristeza com o teu sorriso neste fim de tarde sem tempo. Anda vem comigo. Quero ouvir as tuas palavras e colocar o meu coração entre os teus dedos. Vem comigo, vem ver eu desenhar o teu coração na areia da praia e deixar-te prender entre os meus braços. Vem ouvir os canários e ver o azul das araras voando por sobre nós. Vem a Aramanaí deliciar-te com a magnitude do verde da floresta e deliciar-te com os reflexos de prata que o sol provoca no azul do rio. Anda. Vem comigo sentir a água nos pés e o bater do meu coração de encontro ao teu. Vem comigo sonhar e sentir o sopro da brisa no teu rosto e os meus beijos nos teus lábios. Vem comigo ver o sol descer no horizonte e a festa da lua sorrir á noite. E quando em Aramanaí o teu corpo encontrar o meu, os meus lábios encontrarem os teus e, o teu sorriso se encandear no meu, teremos percorrido o caminho do encantamento para um sono profundo e doce.

O cheiro do rio á beira da floresta

Como era bom chegarmos a uma daquelas praias deslumbrantes e desertas do Tapajós, deitarmo-nos na areia branca e amarmo-nos durante horas. Como era bom sentir o cheiro do verde da floresta que estende os seus ramos ate bem perto de nós e, sentir o bafo do rio acariciando-nos o rosto. Como era bom explicar-te como sabia da tua existência e o porquê de te vir buscar tão longe , construindo uma ponte entre o teu rio e o meu mar. Como era bom que me ajudasses a limpar a tristeza de um tempo que não quero que volte. Como era bom que fosses o bálsamo de uma vida cheia de surpresas que amenizasse o meu corpo nos dias de sol ou nas noites em branco da minha existência. Como era bom sentirmos o cheiro desta floresta eterna que se estende aos nossos pés a impregnar-nos de momentos felizes. Como era bom olhar as curvas longas deste rio onde as araras passam a cantar e se ouve o silvo das redes dos pescadores a cair na água. Como era bom voltar a descobrir o castanho dos teus olhos e fixar-me na curva dos teus lábios. Como era bom sentarmo-nos sobre o manto das flores selvagens e, sentirmos o bater da asas das borboletas e o odor do perfume dos mangueirais.Cai a noite no rio. As estrelas refletem-se na prata das águas parecendo milhares de pirilampos numa sinfonia de cor , luz e som. Abraçados, sentindo a brisa tocar-nos na face, deixamos o imaginário percorrer o horizonte apenas nos concentramos no som do beija-flor. Depois desta noite o dia amanhã será de novo só nosso.

As tuas noites

Cai a noite. Faz-se um silêncio do tamanho do medo á nossa volta. O teu rosto sereno dobra um a um os cansaços da noite. No vicío do luar que nos envolve deixas um incêndio por apagar, e um rio de marés vivas na minha pele. Olhando-te invento sorrisos e volúpias, e sustenho a respiração num ritual de sentidos contidos. Olho-te de novo, e como se deixa-se passar uma chuva de girassois entre os meus dedos, descubro a vertigem de um amor incontido. Começa a chover na noite. É uma quarta-feira de uma noite fria. Uma noite inventada num tempo sem pressas. Olhando o teu corpo sinto uma ânsia incontida que me vem de dentro da alma e que doi. A tua boca entreaberta deixa transparecer o sabor dos beijos por dar, das palavras por dizer. É noite. Continua a chover. Passo as pontas dos dedos pelos teus cabelos , sinto o sopro quente da tua nuca e os murmúrios de todos os meus desejos. O tempo vai-me engolindo para lá do absurdo, deixando as marcas da solidão de uma noite chuvosa e fria. Olho-te. E no silêncio dos meus dedos sinto a humidade dos toques tangentes de fúria e desejo. Na penumbra do quarto afundo-me no teu abraço enquanto mergulho no castanho dos teus olhos. No quarto, volto a ouvir o grito calado da noite, e as bategas da chuva na janela. E neste rio quente de desejo com cheiro a maresia, neste minuto íntimo de espera, neste suor de calma aparente, deixo cair as mãos, primeiro uma depois a outra, na pele sedosa do teu corpo, sentindo o calor vermelho do teu sangue quente, misturando-se com a meia noite da ponta dos meus dedos. Abraço-te. Deixo a madrugada chegar com o cheiro quente da nossa intimidade e os pecados da lua cheia deixados para lá dos campos de girassois.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

À procura da felicicdade


O sol, o vento, o céu e o cheiro do rio são os meus guias neste caminho escolhido à muito, desde aquele dia de Setembro em que sai pela porta da frente sem a fechar, sem olhar para trás. Pensei em desistir, em deixar de ser dono da minha própria vida, em fechar o passado procurando um caminho sem retorno. Acho ter feito aquilo que deveria ser feito. Procurar ser dono do meu próprio destino, tornando tudo mais fácil, mais simples, mais leve. Abri uma nova janela, aprendi o som de novas vozes, e novos cheiros de uma forma firme mas serena. Demorei algum tempo a quebrar um silêncio feito de sofrimento. A vida ensinou-me a encontrar o caminho do sonho. O vento, a paisagem e o rio ajudaram-me a encontrar a felicidade aqui mesmo ao alcance de um olhar. Ao alcance de um sopro. Os meus dias deixaram de ser frios áridos e secos como um deserto feito de espinhos sem oásis e miragens, para serem acompanhados por este rio que me olha todos os dias por entre memórias, flores e presentes. Nunca deixei de sonhar e de acreditar que a vida me proporcionaria o aparecimento de alguém que me ajuda-se a guardar o bolo das saudades e me ensina-se a ser feliz. Não quis correr demasiado depressa para que não perde-se a alma no trajeto. Aos poucos fui deixando que as palavras fossem os meus passos neste caminho de retorno á felicidade e fixassem no papel branco da minha vida o testemunho do meu regresso à vida.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O gemido da cotovia


Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade percorreram este céu contando as estrelas. Sonho que voava por sobre o rio, por essa imensidão de água que se estende, iluminada e calma. Por cada estrela de prata que se reflete no rio, um anjo se debruça espreitando a princesa cujas águas lhe beijam os pés, á luz do luar. A flor-da-noite abre as suas pétalas e a brisa sopra sorrateiramente por cima da copa das árvores da floresta, tocando o areal branco num abraço feito de muitas primaveras. Sentado numa faixa do areal que abraça o rio, vejo a lua sonolenta se esconder num leito de nuvens, e o nascer de uma nov a aurora, me encanto com o canto das aves e ouço o soluço de uma flor que vai sussurrar ao céu levada pelo vento. Vento que geme por entre os ramos numa sinfonia de sons. Fico ansioso no meu sono, deslumbrado com a beleza dos pirilampos que se afastam do nascer do sol. Subitamente, sinto o suave rumor da tua presença, o perfume subtil do teu cabelo, o cálido sabor dos teus beijos e, as minhas mãos parecem percorrer a pele morena e perfumada do teu corpo. Na solidão do meu sonho, o gemido da cotovia anuncia o apagar de todas as lâmpadas do céu e sobre as asas da luz do sol um novo dia se renova. Quero voltar a sonhar assim.