terça-feira, 2 de abril de 2013

O cheiro do rio á beira da floresta

Como era bom chegarmos a uma daquelas praias deslumbrantes e desertas do Tapajós, deitarmo-nos na areia branca e amarmo-nos durante horas. Como era bom sentir o cheiro do verde da floresta que estende os seus ramos ate bem perto de nós e, sentir o bafo do rio acariciando-nos o rosto. Como era bom explicar-te como sabia da tua existência e o porquê de te vir buscar tão longe , construindo uma ponte entre o teu rio e o meu mar. Como era bom que me ajudasses a limpar a tristeza de um tempo que não quero que volte. Como era bom que fosses o bálsamo de uma vida cheia de surpresas que amenizasse o meu corpo nos dias de sol ou nas noites em branco da minha existência. Como era bom sentirmos o cheiro desta floresta eterna que se estende aos nossos pés a impregnar-nos de momentos felizes. Como era bom olhar as curvas longas deste rio onde as araras passam a cantar e se ouve o silvo das redes dos pescadores a cair na água. Como era bom voltar a descobrir o castanho dos teus olhos e fixar-me na curva dos teus lábios. Como era bom sentarmo-nos sobre o manto das flores selvagens e, sentirmos o bater da asas das borboletas e o odor do perfume dos mangueirais.Cai a noite no rio. As estrelas refletem-se na prata das águas parecendo milhares de pirilampos numa sinfonia de cor , luz e som. Abraçados, sentindo a brisa tocar-nos na face, deixamos o imaginário percorrer o horizonte apenas nos concentramos no som do beija-flor. Depois desta noite o dia amanhã será de novo só nosso.

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