quinta-feira, 18 de março de 2010

O Alentejo aqui tão perto I I

Já o sol ia alto quando, espreguiçado no leito do camarote, senti a doce brisa que o rio programa todas as manhãs para me acordar. Era um novo dia, uma nova manhã de um percurso que prometia desejos, sabores e odores que só o Amazonas pode propiciar.
Da cabine do piloto, logo ali do meu lado, saiu o silvar de um estridente apito. O navio dava os bons dias á selva....ao rio...e aos passageiros. De braços abertos como que querendo tambem eu abraçar o verde da selva e o azul do rio, respirei fundo para sentir aquela brisa única. O café da manhã era o ritual primeiro. Os rostos da vespera voltavam a alinhar sorrisos, a enfileirar conversas a recordar emoções. Era o despertar para de novo voltar a enlear a alma com os olhos , o coração com os sentidos. Ali de novo ao alcance de um dedo o rio voltava a despertar paixões, a iluminar sonhos e a proporcionar a mim a aventura que tanto sonhara. Sentia ali da amurada o cheiro da verdura, o fresco daquelas aguas revoltas e, até o chilrear dos pássaros que a cada segundo diziam-nos que aquele era o seu território. Tinha sido avisado. Os olhos deveriam estar atentos...os sentidos despertos. Os botos poderiam aparecer de um momento para o outro.

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